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Contra a Criminalização

Contra as prisões arbitrárias e contra a criminalização dos que lutam contra o Estado das coisas  

vandalo estado

Se há demandas escancaradas de moradia, transporte, educação, emprego, saúde, necessidades básicas da população, que nada significam diante das necessidades de lucro das empresas no interior do sistema mercado capitalista, assim, quem deveria ser “criminalizado”? 

Quem deve ser criminalizado num mundo onde a solução para greve é perseguição e demissão; para moradia, despejo e rua; e para movimentos que denunciam a dura realidade através da organização da luta social, o silenciamento com acordos e alianças truculentas, e a punição com prisões, torturas e mortes? Não seria isso uma Ditadura?      

Se a “Segurança Pública” está para assegurar que o império das entidades privadas continue intacto a seduzir, explorar e oprimir a população, então uma de suas funções é, na realidade, a de reprimir e aprisionar aqueles que lutam pra mudar o estado das coisas. Isto não é novidade para ninguém, mas é algo que jamais deve se tornar natural. Afinal, sabemos que a “Lei” diz que lutar não é crime, mas essa lei só vale quando quem luta não ameaça a velha ordem e o velho progresso.

O sistema capitalista produz incessante e abundantemente o combustível que alimenta o fogo da resistência: as carências, as violências, as opressões, a exploração, que, contraditoriamente, são a fonte do poder dos que ainda estão em cima. Independente do que dizem, no entanto, a nossa necessidade por mudanças é eterna faísca do inquieto movimento.

Em todas as lutas, quando há hierarquias e lideranças – como deveria sempre existir, pela lógica do sistema – o alvo é certeiro: com autoritário “diálogo” e com cooptação silenciam aquelas figuras, buscando com isso que a “base” abandone a luta. Mas quando a revolta popular se organiza, a mando de sua própria indignação e de sua própria consciência, inverticalmente cansada de obedecer a um diálogo inexistente, a estratégia opressora se perde e se mostra ainda mais perversa. A ordem para tal progresso é: ou surge um dono para o descontentamento ou, então, não pode existir revolta.        

Eles perseguirão pés e cabeças para aterrorizar nossa resistência. Continuarão exterminando a população pobre e preta, os jovens da periferia, porém, aperfeiçoando  aparato repressor, pós-Copa do Mundo e com apoio massivo da mídia conservadora burguesa. Quem nos defenderá desta Polícia assassina do Estado do Capital? Como nos defenderemos?

Sabemos das atrocidades que a polícia é capaz de cometer a mando do Estado em defesa das grandes corporações. No entanto, diante desta nova velha forma, a indignação aumenta, a paciência se perde e a luta do povo prossegue. A pergunta provoca e grita, quem é responsável pela revolta popular?

Abaixo ao Estado Terrorista e força aos movimentos que lutam por uma vida sem Grades, sem  Catracas e sem Cercas! 

violento é o estado

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Vídeo do Despejo da Ocupação no Jd. São Luís

CDHU, Governo Estadual e Tropa de Choque despejam com violência. Não esqueceremos!

A CDHU, apelidada pelos membros da Ocupação Jardim da União de Companhia de Despejos e Humilhação Urbana, mandou executar o despejo de uma ocupação em um terreno de sua propriedade. Descumprindo acordo feito com os moradores, o despejo foi executado com truculência, mostrando a covardia do Estado contra famílias despreparadas e sem ter para onde ir.

Vejam o vídeo feito por companheiro que acompanhou a ação policial, registrando parte de confronto e a revolta das famílias. Muitas delas, incritas nos programas de moradia há décadas, são chamadas de oportunistas pelos mesmos órgãos que não publicam a tal “lista de espera” e transformam essa lista em objeto de negócio e em meio de comprar votos. Oportunista é quem massacra famílias que lutam por uma moradia, em defesa dos interesses dos latifundiários especuladores e das empreiteiras.

No mesmo dia em que ocorreu este confronto no terreno da CDHU, a Ocupação Jardim da União recebeu uma intimação para desocupar o terreno da CDHU no Varginha. Felizmente conseguimos nos organizar, e com luta derrubamos essa ameaça.

Expressamos nossa solidariedade às famílias despejadas, e não esqueceremos de mais uma violência contra quem luta. A violência do Estado nunca para, nossa organização também não pode cessar. Todo poder ao povo organizado da periferia! Se você não está organizado, estão organizando você.

Ditadura ontem e hoje

 A luta do povo e a ditadura

Nos últimos dias, o tema da ditadura militar foi muito discutido nos grandes meios de comunicação, mas muitas coisas importantes foram distorcidas ou omitidas. Houve quem defendesse o regime militar, mas na maioria dos casos as manifestações eram de crítica à truculência e ao autoritarismo dos militares, e se repudiou a censura, a tortura, as mortes, e o desaparecimento daqueles que se opunham à ditadura.

Ditadura-Militar-PinochetIsso é positivo, e em grande medida é resultado dos esforços de familiares das vítimas dos militares e de organizações políticas que lutam pelo chamado “direito à memória e à verdade”. Ocorre que nos grandes meios de comunicação o sentido geral da discussão é sempre o de justificar a ditadura como resposta à “ameaça socialista”, de apresentá-la como algo do passado, e de exaltar o triunfo da “democracia”. Em oposição  a isso, algumas coisas devem ser ditas:

1) A não ser em algumas cabeças delirantes, não havia possibilidade de um “golpe” de esquerda no Brasil, e muitos menos de uma revolução socialista. Com os governos Jânio Quadros e João Goulart,images parcelas das elites perderam temporariamente o controle direto sobre o executivo federal, e houve a possibilidade de implementação de políticas que significariam um freio à concentração de renda e de propriedade. Além disso, pela orientação nacional-desenvolvimentista desses governos, o capital internacional e os imperialistas norte-americanos temiam que seus interesses fossem afetados.

Sendo as elites nacionais extremamente truculentas e vorazes, e conectadas ao capital internacional, o reformismo de esquerda foi suficiente para precipitar o golpe.

images (1)2) Nesse sentido, o golpe não foi nem meramente militar, e nem meramente nacional. Sem o aporte de grandes empresas nacionais e internacionais, sem a tutela norte-americana, e sem o apoio de parcelas da população, a ditadura não teria sido instaurada, e não duraria o tanto que durou.

3) Os grandes vencidos da ditadura permanecessem esquecidos: inúmeros militantes populares foram torturados, mortos e desaparecidos, por vezes massacrados junto com suas famílias. E mesmo quando seus familiares e amigos sobreviveram, eles não dispunham – e continuam sem dispor – de meios de denunciar e de investigar as mortes e as torturas. A história que é contada é a história dos vencedores, e de modo geral, apenas as parcelas dissidentes das elites e da classe média dispõem de recursos para lembrar de seus mortos.

Além disso, como de costume, as parcelas mais pobres da população,Cela-600x380 e particularmente os negros e os indígenas foram maciçamente atacadas. “Vadiagem”, “alcoolismo”, “pederastia”, “desobediência”, “distúrbio da ordem”, “furtos”, entre outras acusações foram motivo para prisões, torturas e assassinatos em massa. E quem escuta falar, por exemplo, nas cadeias e nos campos de concentração indígenas que se multiplicaram durante a ditadura? (ver, por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui).

4) Não houve qualquer acerto de contas com a longa tradição de ditaduras brasileiras. É por isso que sob a chamada “democracia” a tortura, os assassinatos e os desaparecimentos resultantes da atuação das forças repressivas do Estado se generalizaram, tendo images (2)como alvo principal as mesmas parcelas da população massacradas sob o regime militar. As vítimas contam-se aos milhares, sob governos encabeçados por antigos rivais dos militares, incluindo ex-guerrilheiros brutalmente torturados. Enfim, o Estado autoritário é tão poderoso que consegue  incorporar boa parte de seus opositores (e aqueles que não se vendem e não se submetem costumam ser aniquilados).

5) O poder dos grandes meios de comunicação, que constituíram um dos pilares do regime militar, é hoje tão grande e crescente que vigora na prática uma pesada censura. E os censores, que não deixam1010344_437475736388132_1027664314_n passar uma vírgula que não esteja de acordo com os interesses das elites, não são mais uma comissão de militares desmiolados, mas sim os próprios dirigentes dos grandes jornais e redes de televisão.

Quem luta sente tudo isso na pele, vendo ignorados seus gritos ou distorcidas as suas reivindicações; sofrendo com todo tipo de perseguição, discriminação e criminalização.

Enfim, as atrocidades da ditadura militar se reproduzem, aprimoradas e generalizadas, sob a “democracia”. A liberdade de 50 anos ditaduraexpressão, a liberdade de manifestação, a igualdade perante a lei, o direito de voto, tudo aquilo que é cinicamente louvado pelos políticos e pela mídia não passa de uma grande mentira, um véu que toscamente procura esconder uma enorme rede de opressões, de desigualdade, de exploração, contra a população trabalhadora.

A crítica à ditadura deve servir para iluminar e enriquecer a crítica à chamada “democracia”, fortalecendo as bases de uma prática emancipadora. Do contrário, ela joga um papel conservador que só reforça o autoritarismo e a violência próprios dessa sociedade doente em que vivemos. 

 

 

 

Solidariedade à Ocupação Estaiadinha – ZN

Mais um despejo ontem, mais lutas pra amanhã…

A comunidade Estaiadinha que estava ocupando área próxima à ponte Estaiadinha, na Zona Norte, sofreu um despejo.  Essas famílias que mostraram garra e disposição nos últimos meses, e que fizeram protestos que pararam a cidade, lutaram e resistiram até o momento do despejo realizado de forma violenta ontem, dia 16 de novembro. Os barracos foram incendiados antes que as famílias pudessem retirar seus pertences, em mais uma ação covarde e truculenta do Estado contra a população que luta. A luta da moradia não será resolvida com repressão. Onde morre uma ocupação, nascerão muitas outras lutas.

As famílias que não tem para onde ir pedem ajuda. Para mais informações, veja aqui.

Vândalo é o Estado

Somos contra ou a favor dos Black Blocs?

Somos educados desde cedo a enxergar o mundo como algo chapado, achatado, como uma moeda. Tudo teria apenas dois lados: “bom ou ruim”, “bem e mal’, “a favor ou contra”. Longe de qualquer relativismo, em geral as coisas são bem mais complicadas que isso: elas possuem características diversas, e por vezes conflitantes; elas se situam em um dado contexto, elas emergem de algum lugar e num certo momento, elas mudam com o tempo e com as diferentes localidades, e assim por diante.

vandalo estadoCom a nova afirmação dos Black Bloc – que há anos tiveram um papel destacado nos movimentos antiglobalização -, e com a radicalização dos protestos de rua nas últimas semanas, surgiu uma nova onda de espanto e de respostas rápidas e fáceis: “são vândalos”, “são a vanguarda da revolução”; “fazem o jogo da direita”; “tem que quebrar tudo mesmo”.

A gente confessa que não conhece o modo como se organizam ou deixam de se organizar os Black Blocs. E sabemos que esse nome passou a rotular os mais diversos grupos, acabando com qualquer possibilidade de uma compreensão unitária. Podemos falar aqui apenas de questões táticas: com a multiplicação das manifestações de rua, e com a brutal repressão policial erumo a revolução1 midiática que se acirra desde junho em diversas cidades do país, surgiram táticas de enfrentamento, de autodefesa e de ataque às forças do Estado e aos símbolos do capital, como bancos e redes de TV. Táticas essas que se alimentam da revolta, sobretudo de jovens, contra as diversas formas de opressão e de exploração que movem o capitalismo.

Da nossa parte, na condição de um pequeno movimento popular autônomo, podemos simplesmente dizer que hoje essas táticas não nos servem. Tendo como objetivo o fortalecimento da classe trabalhadora contra esse sistema podre, que nos escraviza,post b1 nossos esforços se concentram na construção de experiências auto-organizativas duradouras, nos territórios onde agimos, e que passam pela luta direta, pela criação de laços de solidariedade de caráter classista, pelo combate ao clientelismo e ao populismo, pelo combate às hierarquias, ao individualismo, e assim por diante. Dessa perspectiva, o êxito e a radicalidade dessas tentativas se medem pela capacidade de multiplicar, desdobrar e aprofundar essas experiências.  Diferentemente do que acontece no centro da cidade, aqui o enfrentamento direto e imediato às forças policiais, por exemplo, nesse momento só nos enfraqueceria, pois as condições para isso não estão colocadas. Isso não quer dizer que num futuro próximo o conhecimento acumulado pelos Black Blocks e outros grupos não possa ser de grande importância em nossa caminhada.

Até mesmo porque o tempo está fechando, e se existem importantes potenciais na cultura de luta que tem se fortalecido nos últimos meses, também existe uma chance muito grande de tudo ir por água abaixo na base da porrada, da bala de borracha, das prisões, das perseguições, e do fortalecimento do terrorismo de Estado. Já são muitos os militantes presos, acusados de formação de quadrilha e coisa que o valha, somando-se aos milhares de outros presos políticos que lotam os presídios em preso politicotodo o país, já que o processo de encarceramento em massa, que só se acelera, além de um negócio lucrativo, é sim uma estratégia política deliberada de contenção da classe trabalhadora e de afirmação da propriedade privada. Desse modo, todo preso é um preso político.

De todo modo, e assim chegamos finalmente ao ponto: pensando as organizações populares como um todo, estamos em frangalhos, e sem um esforço tremendo em sentido contrário, corremos um sério risco de sermos esmagados. Esperamos que os Black Blocks, e que todos os que os apoiam, e todos os que são contrários a eles estejam encarando esse quadro com a seriedade necessária. Do contrário, estamos todos lascados…

2 de Outubro: dia de luta contra os Massacres

MEMÓRIA DE 21 ANOS DO MASSACRE DO CARANDIRU

carandiru4Há exatos 21 anos, após uma pequena desavença entre presidiários do pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru se transformar em uma rebelião desprovida de viés reivindicativo ou de fuga, cerca de três centenas de policiais militares invadiram a Cada de Detenção do Carandiru e exterminaram, a sangue frio, ao menos 111 homens desarmados e rendidos.
Mais de duas décadas depois, a antiga Casa de Detenção foi implodida e, no lugar onde jovens pobres, quase sempre negros, foram maltratados, torturados e executados durante décadas, foi erigido o sugestivo Parque da Juventude.  A edificação de um parque para a juventude no lugar de uma unidade de aprisionamento da juventude não significou, no entanto, qualquer alteração estrutural na política criminal do Estado.
Após todos esses anos, parte dos policiais foi condenada, ainda de forma não definitiva, mas os mandantes do massacre, Fleury e Pedro Campos, seguem intocáveis, como se ordenar uma carnificina fosse dever de ofício…
preso politicoPara agravar o quadro, o sistema penal que tarda a responsabilizar os policiais envolvidos e livra os mandantes não apenas do Massacre do Carandiru, mas também de todos os demais massacres da nossa história, é o mesmo que serve de moinho de massacrar pobres, enviando, cotidianamente, centenas de jovens pretos e pobres para tentarem sobreviver às condições degradantes do cárcere e aos assédios constantes de agentes públicos, durante e após o cumprimento da pena.
Desde o Massacre do Carandiru, nos dois lados dos muros, os massacres contra juventude negra só fizeram crescer.
Muro adentro, a população carcerária cresceu mais de 300% desde o Massacre do Carandiru contra aproximadamente 30% de crescimento da população em geral. Hoje são quase 600 mil pessoas presas em celas superlotadas, sem acesso às assistências médica, social e jurídica e sem qualquer oportunidade de estudo ou trabalho.
O recorte racial e de classe segue evidente: mais de 60% da população prisional é formada por pessoas negras e jovens; 90% sequer completaram o ensino médio; cerca de 80% estão pres@s por acusação de crimes contra o patrimônio ou por pequeno tráfico de drogas.
Soma-se ainda o massacre contra as mulheres: nas filas de visita, a revista vexatória perdura, vergonhosamente, como prática estatal para penalizar e humilhar familiares que viajam longas distâncias para visitar o ente querido preso; no sistema prisional feminino, a população cresce em proporções ainda maiores do que entre os homens, com clara criminalização patriarcal da maternidade e da ocupação do espaço público por mulheres.
Fora dos presídios, os massacres se multiplicam pelas quebradas e periferias.
carandiru 1Só para ficar entre os mais notórios, registramos a memória dos massacres ocorridos desde o massacre do Carandiru: Candelária e Vigário Geral (1993); Alto da Bondade (1994); Corumbiara e Nova Brasília (1995); Eldorado dos Carajás (1996); Morro do Turano, São Gonçalo e da Favela Naval (1997); Alhandra e Maracanã (1998); Cavalaria e Vila Prudente (1999); Jacareí (2000); Caraguatatuba (2001); Castelinho, Jd. Presidente Dutra e Urso Branco (2002); Amarelinho, Via Show e Borel (2003); Unaí, Caju, Praça da Sé e Felisburgo (2004); Baixada Fluminense (2005); Crimes de Maio (2006); Complexo do Alemão (2007); Morro da Providência (2008); Canabrava (2009); Vitória da Conquista e os Crimes de Abril na Baixada Santista (2010); Praia Grande (2011); Massacre do Pinheirinho, de Saramandaia, da Aldeia Teles Pires, os Crimes de junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro (2012), Chacina do Jardim Rosana, Repressão à Revolta da Catraca, Vila Funerária, Chacina da Maré, Itacaré, Viaduto José Alencar em BH, Itapevi (2013)…
Conforme Mapa da Violência (2012), no Brasil, entre 2002 e 2010, o número de homicídios de brancos caiu 25,5% ao passo que o de negros aumentou 29,8%. A cada 10 jovens assassinados no Brasil, 7 são negros!
Aos massacres reais somam-se os massacres estruturais: as mesmas periferias, quebradas e favelas alvejadas por balas, porretes e algemas são submetidas a um cotidiano de total descaso, em que falta tudo que é necessário para viver com um pingo de dignidade. Não tem moradia, não tem saneamento, a escola é precária, não tem posto de saúde, o transporte público é ruim e caro, faltam creches, não há opções públicas de lazer, e por aí vai. Quem ousa se organizar contra essas mazelas tem como resposta a violência policial e a criminalização.
Nesse dia, diante desse quadro de terror contra as camadas populares que se reproduz por toda nossa história, relembramos os no mínimo 111 que tombaram em 2 de outubro de 1992 e as tantas outras pessoas violentadas pelas classes dominantes por meio do Poder Público, e celebramos a resistência daquelas e daqueles que sobrevivem aos massacres cotidianos e ainda encontram forças para resistir, viver e lutar.
Em tempos de ascensão das lutas populares, afirmamos a presença daquelas e daqueles que não podem mais denunciar a violência do Estado porque tiveram suas vidas ceifadas, e o fazemos junto com aquelas e aqueles que, igualmente, não podem denunciar os massacres cotidianos, mas que estão vivos e resistem: a população carcerária, esquecida e acuada diante de um sistema violento e letal.
A luta contra o Estado Penal é parte inseparável das lutas?????????????? populares: é da união da luta daquelas e daqueles que sofrem na pele a violência imposta pelo Estado e pela burguesia com todas as demais lutas da classe trabalhadora que se firmarão as condições materiais necessárias para construirmos uma sociedade sem massacres, sem grades e sem explorações.
Por uma vida sem massacres, somos tod@s negr@s, pres@s, mulheres, indígenas, periféric@s, sem-teto, sem-terra, trabalhador@s!
Contra o Estado Penal, somos tod@s marginalizad@s!
Adalberto Oliveira dos Santos; Adão Luiz Ferreira de Aquino; Adelson Pereira de Araujo; Alex Rogério de Araujo; Alexandre Nunes Machado da Silva; Almir Jean Soares; Antonio Alves dos Santos; Antonio da Silva Souza; Antonio Luiz Pereira; Antonio Quirino da Silva; Carlos Almirante Borges da Silva; Carlos Antonio Silvano Santos; Carlos Cesar de Souza; Claudemir Marques; Claudio do Nascimento da Silva; Claudio José de Carvalho; Cosmo Alberto dos Santos; Daniel Roque Pires; Dimas Geraldo dos Santos; Douglas Edson de Brito; Edivaldo Joaquim de Almeida; Elias Oliveira Costa; Elias Palmiciano; Emerson Marcelo de Pontes; Erivaldo da Silva Ribeiro; Estefano Mard da Silva Prudente; Fabio Rogério dos Santos; Francisco Antonio dos Santos; Francisco Ferreira dos Santos; Francisco Rodrigues; Genivaldo Araujo dos Santos; Geraldo Martins Pereira; Geraldo Messias da Silva; Grimario Valério de Albuquerque; Jarbas da Silveira Rosa; Jesuino Campos; João Carlos Rodrigues Vasques; João Gonçalves da Silva; Jodilson Ferreira dos Santos; Jorge Sakai; Josanias Ferreira de Lima; José Alberto Gomes Pessoa; José Bento da Silva; José Carlos Clementino da Silva; José Carlos da Silva; José Carlos dos Santos; José Carlos Inojosa; José Cícero Angelo dos Santos; José Cícero da Silva; José Domingues Duarte; José Elias Miranda da Silva; José Jaime Costa e Silva; José Jorge Vicente; José Marcolino Monteiro; José Martins Vieira Rodrigues; José Ocelio Alves Rodrigues; José Pereira da Silva; José Ronaldo Vilela da Silva; Josue Pedroso de Andrade; Jovemar Paulo Alves Ribeiro; Juares dos Santos; Luiz Cesar Leite; Luiz Claudio do Carmo; Luiz Enrique Martin; Luiz Granja da Silva Neto; Mamed da Silva; Marcelo Couto; Marcelo Ramos; Marco Antonio Avelino Ramos; Marco Antonio Soares; Marcos Rodrigues Melo; Marcos Sérgio Lino de Souza; Mario Felipe dos Santos; Mario Gonçalves da Silva; Mauricio Calio; Mauro Batista Silva; Nivaldo Aparecido Marques de Souza; Nivaldo Barreto Pinto; Nivaldo de Jesus Santos; Ocenir Paulo de Lima; Olivio Antonio Luiz Filho; Orlando Alves Rodgues; Osvaldino Moreira Flores; Paulo Antonio Ramos; Paulo Cesar Moreira; Paulo Martins Silva; Paulo Reis Antunes; Paulo Roberto da Luz; Paulo Roberto Rodrigues de Oliveira; Paulo Rogério Luiz de Oliveira; Reginaldo Ferreira Martins; Reginaldo Judici da Silva; Roberio Azevedo da Silva; Roberto Alves Vieira; Roberto Aparecido Nogueira; Roberto Azevedo Silva; Roberto Rodrigues Teodoro; Rogério Piassa; Rogério Presaniuk; Ronaldo Aparecido Gasparinio; Samuel Teixeira de Queiroz; Sandoval Batista da Silva; Sandro Rogério Bispo; Sérgio Angelo Bonane; Tenilson Souza; Valdemir Bernardo da Silva; Valdemir Pereira da Silva; Valmir Marques dos Santos; Valter Gonçalves Gaetano; Vanildo Luiz; Vivaldo Virculino dos Santos…
PRESENTES!

HIP HOP da Trincheira

HIP HOP do EXTREMO SUL EM LUTA!

RAP do companheiro Robsoul, sobre o Despejo da Ocupação Jd. da União. Para todas as Ocupações do Grajaú, Favela do Moinho, Assentamento Milton Santos, todos que lutam por seu pedaço de terra e contra o vandalismo do Estado que criminaliza e reprime o povo lutador. 

“NOSSA JORNADA É ESSA MEMO
A REVOLUÇÃO VAI CHEGAR
O SEU PODER SUCUMBIR
E A SUA VEZ DE CHORAR!”

Somos a luta! O Itajaí é do povo, o Grajaú é nosso.

Relatos da Trincheira – parte 4

Mais violência policial no despejo da Ocupação Jardim da União

Relato de mulheres e crianças sobre a truculência da Tropa de Choque: bombas de gás, cassetetes, balas de borracha, preconceito e roubo. Tudo isso por ordem expressa da Prefeitura de São Paulo.

O povo de luta do Grajaú não aceita desaforo de ninguém! Nossa força está na humildade, na solidariedade, na união e na organização popular: palavras que não existem no dicionário dos proprietários, da polícia e dos governantes. A violência não vai nos calar, nem fazer desistir de construir nossas comunidades.

Relatos da Trincheira – Parte 3

Relatos da Trincheira – Parte 2

Mais denúncias da Violência Policial no Despejo da Ocupação Jd. da União 

Vídeo-denúncia da Violência Policial no Despejo da Ocupação Jd. da União

Notícias rápidas

Por volta das 14h, os militantes da Rede de Comunidades do Extremo Sul – SP, que estavam detidos da 85 DP, foram soltos por falta de provas. Os bebês que passaram mal com o gás lacrimogêneo estão bem, outros feridos também estão se recuperando. 
A prefeitura, que deu a ordem de despejo, não ofereceu nada aos moradores do Jd. da União. As pessoas que forem despejadas pela quinta vez e que não tem para onde ir, foram acolhidos pela ocupação Recanto da Vitória, que recolheu doações de colchões e comida dos moradores do entorno e da própria ocupação. A ocupação Jardim da Luta também está junto.
SOLIDARIEDADE ÀS OCUPAÇÕES DO GRAJAÚ.

Despejo da Ocupação do Itajaí – Jd. da União Luta!

A prefeitura despeja, o Povo Resiste!

O vídeo mostra a situação dos ocupantes do Jd. Itajaí (Ocupação Jardim da União), despejados e reprimidos pela prefeitura sem nenhuma resposta habitacional. A luta é verdadeira e por isso a criminalização desse levante popular pela moradia no extremo sul significa um imenso desrespeito às trabalhadoras e aos trabalhadores.

O povo resiste, mesmo com tantas dificuldades e atrocidades. Todo poder ao povo!

Apoio e solidariedade às ocupações do extremo sul de São Paulo. Compartilhe e divulgue a situação de nossa região.

A luta contra o aumento da passagem

Contra a repressão das manifestações! 

Contra o aumento passeataA luta contra o aumento da passagem de ônibus tem sido puxada pelos estudantes, mas representa o interesse de todos nós trabalhadores e moradores das periferias. Ninguém aguenta mais o cinismo dos representantes do poder público, que criam a imagem do “diálogo”, mas que só tomam medidas práticas contra a população pobre. Enquanto Haddad e Alckmin passeiam em Paris e “monitoram” a revolta de longe, muita gente está enchendo as ruas de indignação, e sendo duramente reprimida.

contra o aumnto policiaA grande mídia fala muito em vandalismo, tentando criar uma cortina de fumaça que esconde o sofrimento de quem utiliza o transporte público diariamente, que se mata de trabalhar para pagar uma passagem que lhe dá direito a ficar espremido durante horas num trem, metrô ou ônibus lotados. A grande mídia também faz grandes discursos contra a depredação do patrimônio público, buscando esconder o fato de que o transporte é dominado por meia dúzia de grandes empresas que se lambuzam e ganham rios de dinheiro com a nossa desgraça cotidiana. Com isso tenta esconder o fato de que milhares de pessoas nas ruas significa uma verdadeira pressão para mudar o rumo das coisas.  

contra o aumento marchaPor esse motivo, precisamos ser solidários com os manifestantes que estão sendo reprimidos e presos!!

Contra a repressão do Estado! Todos contra o aumento da passagem! 

 Para mais informações sobre como contribuir com as fianças, clique aqui

Mais uma conversa mole da prefeitura…

Repressão na EMEF João da Silva

Apesar de hastear em todo canto a bandeira do diálogo sobre os temas gerais da cidade, a prefeitura parece não se importar com os problemas concretos da educação que ela mesma promove. A EMEF João da Silva continua numa situação lamentável e as denúncias de desvios, autoritarismo, assédio moral, etc. cometidos pelo diretor Alexandre continuam a rondar a comunidade. 

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Funcionários, mães e pais de alunos encontram-se numa situação absurda: uns são impedidos de falar em reuniões, são perseguidos, e sofrem intimidações de todo tipo no cotidiano da escola. Outros fingem não ver nada para não ter que se dar ao trabalho de se organizar, ou simplesmente são enganados pelas pequenas migalhas oferecidas à população, como por exemplo o fato de terem sido iniciados os atendimentos médicos para a comunidade nas salas de aula (por falta de Unidade Básica de Saúde também neste bairro! o famoso “jeitinho” que já conhecemos...). 

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E quanto aos alunos do primeiro ao nono ano? Estes nem falar mais podem, pois sofrem todo tipo de ameaça dentro da escola por participarem das atividades políticas. Enquanto isso a Diretoria Regional da Capela do Socorro simplesmente diz que nada pode fazer… Após o protesto do dia 25/04, em mais uma reunião com a comissão de supervisoras que está apurando o caso, foi reafirmado o descompromisso do poder público com a educação.  Figura1MafaldaDesde novembro do ano passado, quando foi encaminhado um dossiê com denúncias e provas da negligência da diretoria da escola, foram várias as tentativas de resolver o problema conjuntamente e, numa reunião antes do carnaval, a Diretoria Regional se comprometeu a trabalhar rapidamente e contribuir para acabar com o clima de guerra que está na escola. Este clima só tem chance de acabar com a saída do diretor, que infelizmente, personifica o cinismo, o autoritarismo a corrupção estatal, aumentando ainda mais a crise que toda escola pública sofre hoje. Apesar de já terem sido comprovadas irregularidades graves (segundo as próprias supervisoras), nada de prático foi encaminhado para dar uma solução. E por isso, semana passada, entregamos um novo dossiê à DRE e fomos dar uma forcinha para o bota fora do diretor em frente à escola.

Chega de repressão!

Não é essa a educação que precisamos!