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Luta do Transporte no Extremo Sul

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2 de outubro é dia de luta contra os massacres

Há 20 anos, depois de uma rebelião que resultou de uma briga banal entre presos, mais de 111 detentos foram fuzilados pelas forças do Estado, suas carnes foram estraçalhadas por balas e cachorros raivosos, seus corpos foram lançados em caminhões de lixo e recolhidos pelos próprios companheiros de cárcere. Desarmados, acuados e sem reação, esses homens foram executados por policiais militares, sob as ordens diretas das “autoridades públicas”, filhos da Ditadura Militar.

“Mas o que eu tenho a ver com isso?”, a maioria das pessoas se pergunta. Afinal: “Bandido bom é bandido morto”.

E, de fato, o número de mortes causadas pela polícia brasileira é assustador, vitimando pessoas que cometeram delitos, mas também muitos “suspeitos”, automaticamente culpados por serem pobres e negros.

“Lugar de bandido é atrás das grades”.

E as prisões se multiplicam e estão cada vez mais lotadas, com a explosão no ritmo do encarceramento.

“O problema do Brasil é a impunidade”.

Mas o pobre fica mofando na cadeia mesmo antes de ser julgado, e nas situações tão degradantes e torturantes do sistema carcerário 10 dias de cadeia já é uma punição terrível.

Assim, alguma coisa não está batendo. O Estado produz violência, e responde violência com ainda mais violência, para os aplausos de muitos. Ainda assim, os problemas não são resolvidos; pelo contrário, a situação só piora.

Então talvez as perguntas tenham que ser outras:

“Quem está atrás das grades?”. “Quem está sendo morto aos milhares?”. “Qual é a cor da pele da maioria dos presos e presas, e da maioria das vítimas da violência do Estado?”. “A que classe social essas pessoas pertencem?”. “Por que quando um pobre é morto a tal ‘opinião pública’ vira as costas?”. “O encarceramento em massa é a solução para a questão da violência?”. “Segurança é caso de polícia?”. “Quem se beneficia com essa situação de medo e de violência?”. “Quem converte essas desgraças em votos e dinheiro?”. 

Enfim, os 20 anos do Massacre do Carandiru é uma ocasião para deixarmos de lado as respostas fáceis, e pensarmos a sério sobre as questões da violência e da segurança pública. Possíveis respostas não vão partir do Estados e das elites, mas do povo organizado.