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Encontro Mulheres na Luta

Lutadoras de todos os dias

ENCONTRO MULHERES 2 A forma de luta das ocupações, além de afirmar a urgência de uma das necessidades mais básicas de qualquer pessoa  – que é ter um lugar para viver – possibilita uma experiência de vida coletiva intensa. Essa vida coletiva favorece a solidariedade e o exercício de tomar as rédeas da produção da vida, mas também coloca enormes desafios para a organização popular que se dá numa sociedade violenta, individualista e cheia de formas de opressão.

Diante de situações de violência contra mulheres no interior da ocupação, como as que acontecem nas outras quebradas, algumas de nós decidimos agarrar a chance que temos de nos organizar no lugar que vivemos, e começamos a nos encontrar, a contar e ouvir nossas histórias, quase sempre difíceis demais, e a nos ajudar. Decidimos começar a escrever alguns princípios das mulheres de nossa comunidade, e a pensar em pequenas ações para intervir em nosso cotidiano.

No sábado que vem, dia 15, as 15h, vamos fazer uma breve prosa com todos os companheiros e companheiras que queiram compartilhar conosco este pequeno momento da construção da luta. E vai ter um samba feito pela mulherada do grupo Sambadela, pra toda comunidade. Vamos comemorar a força das mulheres e os 5 meses de nossa resistência e luta do Jardim da União no Varginha (e pra lá de 8 meses desde as ocupações no terreno do Itajaí).

E desejamos, daqui do extremo sul, força à todas as mulheres que lutam! Pois sabemos que nossa liberdade será fruto das ações. Periferia luta! 

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Mudanças e Mulheres

A construção do poder popular e as mulheres

No dia-a-dia das lutas aqui no Extremo Sul, somos nós mulheres, que seguramos a maior parte dos B.O.s, trincando  em todas as lutas: no enfrentamento aos despejos, contra a violência do sistema prisional e penal de tantos presos e presas nas periferias, à situação precária da saúde, ao transporte massacrante, na batalha pela abertura de creches, pelo saneamento, pelo asfalto, pelo abastecimento de luz e água, e tantas outras. Mesmo assim, mesmo correndo pelo certo, acabamos obrigadas a enfrentar preconceitos e opressões, até em nossos próprios lares.

Um dos pilares dessa ordem social perversa em que vivemos é a opressão das mulheres pelos homens; se ele não for derrubado, toda essa estrutura de dominação continuará em pé.

Saudações a todas as guerreiras que não baixam as cabeças na construção de um verdadeiro poder popular.

Dia de luta contra a violência sofrida pelas mulheres

Sexo Frágil é o…

As mulheres são grandes guerreiras por estas bandas. Na luta por moradia nas comunidades, na luta por creches e por escolas que não criminalizem a pobreza, que não sejam autoritárias e que não deformem nossos filhos, na guerrilha cultural pelas quebradas, nas cooperativas de catadoras(es), na produção de vídeos que documentam nossa história, e por aí vai. Mas toda essa força ativa de militância é enfraquecida diante da violência que sofremos.

Todas nós já sofremos ou temos uma vizinha ou uma companheira próxima que sofreu ou sofre violência sexual ou doméstica. Sabemos, portanto, o que é sentir-se impotente ao perder a nossa possibilidade de decisão frente ao ato sexual, ou ao ser humilhada com agressões, espancamentos, e ordens. E é ainda pior quando esse tipo de opressão se soma a outras, ligadas à cor da nossa pele, ao fato de sermos pobres, ou homossexuais. Muitas vezes somos desrespeitadas até por assumirmos a posição de militante, e lutar para transformar nossa realidade.  

Não falamos aqui sobre o tal “sexo frágil”, uma idiotice criada para legitimar a opressão, mas sim de como somos fragilizadas pelas várias violências que são feitas contra nós, por sermos mulheres nesse mundo doente. Precisamos sempre encarar isso de frente, ainda mais num momento em que se fortalece uma cultura do esculacho e da mulher-mercadoria, como se fôssemos apenas órgãos sexuais ambulantes, a serviço dos homens.

Mulheres e homens, lutadoras e lutadores, juntos pelo fim da violência contra as mulheres!