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Memória da Luta – 4

Lembrando o Despejo de 2010

Muitas famílias do Parque Cocaia I e de outros bairros da região lembram bem do verão de 2010, quando houve transbordamento de córregos, deslizamentos, e o nível da represa subiu ao ponto de encher muitas casas de água durante semanas, e em alguns lugares durante meses.

Nessa ocasião, os atingidos pelas enchentes na Vila Madeirite e na Vila Brejinho exigiram uma resposta emergencial da Prefeitura, e lutaram por ela. De maneira oportunista, a Prefeitura aproveitou para despejar toda a Vila Brejinho, numa manobra em que foram ajudados por pessoas desonestas da própria comunidade. Isso porque uma parte das famílias queria a bolsa-aluguel, mas uma parte não queria, mas foi convencida por esses oportunistas que era pegar ou largar. Até hoje essas famílias esperam a construção de moradias populares. Já a  solução prometida aos moradores da Vila Madeirite não saiu do papel.

O vídeo abaixo conta uma parte dessa história.

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Enchente no Jd. Pery

Um Filme que se Repete pela Cidade

Começa a época de chuvas, e com ela o desespero de muitas famílias que sofrem ano após ano com as enchentes. Sabemos que não é a “natureza” ou “São Pedro” os culpados pelo suplício dos tantos e tantas de nós castigados pela seca e pelas enchentes. 

Aqui em São Paulo, o orçamento para prevenção de enchentes é irrisório, e ainda assim ano após ano a prefeitura não gasta nem metade dele. Afinal, quem nos governos se importa com a população pobre? Além disso, as enchentes viraram uma arma da especulação imobiliária para despejar as famílias que são consideradas obstáculos às obras e às tramóias tão lucrativas para imobiliárias, construturas, incorporadoras, políticos, juízes etc. E para piorar, muitas das enchentes são causadas ou pelo menos agravadas por obras malfeitas.

Divulgamos aqui um vídeo feito por um companheiro da Zona Norte, logo depois de uma enchente que aconteceu há alguns dias, na Favela do Flamingo. Infelizmente, trata-se de um filme já conhecido por nós do extremo sul. E se todos os extremos da cidade não se unirem para mudar essa situação, continuaremos a presenciar e a viver esse tipo de tragédia. 

Nada de prevenir, nem de remediar

E a novela se repete

Alguns meios de comunicação noticiaram hoje que a gestão Gilberto Kassab gastou este ano apenas 1/3 do orçamento destinado às emergências, como as que logo vão começar a se multiplicar , com a chegada das chuvas. 

Para que prevenir, ou mesmo remediar, se as catástrofes afetam sobretudo as populações pobres, e servem ainda para legitimar e facilitar os despejos? Enquanto não conseguirmos reagir a essas tragédias que nos afetam com a força que é necessária, entra ano e sai ano e as enchentes e os deslizamentos vão continuar ocorrendo.

Negligência criminosa

“Catástrofe natural”?

Foi divulgado recentemente (veja aqui e aqui) que o governo estadual de São Paulo cortou por três anos seguidos as verbas para a limpeza da calha do Rio Tietê. No entanto, o caso foi em grande medida abafado, já que, quando não são as mesmas pessoas, as elites, o Estado, e a grande mídia partilham os mesmos interesses. Enquanto isso, em quantas comunidades da periferia, como a Vila Madeirite, e o Jd. Pantanal, famílias continuam vivendo um verdadeiro pesadelo com as enchentes?

Catástrofe na Vila Madeirite

A Tragédia Se Repete

Nas últimas semanas, o nível da Represa Billings tem subido bastante, e com isso, novamente os moradores da Vila Madeirite, no Parque Cocaia I, sofrem terrivelmente com as enchentes. 

Diversas casas já estão tomadas por uma água suja, fedorenta, e cheia de bichos, que atingiu inclusive os encanamentos. Certamente, como ocorreu ano passado, as águas poluídas do rio Pinheiros estão sendo bombeadas para a Represa Billings, isso apesar de toda a propaganda mentirosa sobre a defesa dos mananciais…

No ano passado, depois de muita insistência e de uma marcha até a Subprefeitura, foi firmado um acordo com o Coordenador do Programa Mananciais, Ricardo Sampaio, que prometeu aos moradores da Vila Madeirite o auxílio-aluguel atrelado ao atendimento habitacional definitivo, como mostra a ata de uma reunião ocorrida em março do ano passado (!!!), que publicamos abaixo. Mais uma vez, as promessas não foram cumpridas, e com isso a situação da comunidade é hoje pior do que era no ano passado, já que, confiando na palavra da Prefeitura, os moradores deixaram de investir nas melhorias de suas casas, e muitas delas se encontram hoje a ponto de desabar.

Não é possível aceitar esse tipo de situação. Precisamos reagir, ou esse tipo de tragédia irá se repetir sempre! É hora dos moradores da Vila Madeirite e do Parque Cocaia I mostrarem novamente a sua força!

Operação Córrego Limpo? E quem trabalha é o povo!

Moradores são obrigados a limpar o córrego

Diante do risco de novas enchentes, moradores do Jardim Lucélia se viram obrigados a se juntar para limpar o córrego, realizando o que a Prefeitura se comprometeu a fazer e não faz. Sem os equipamentos necessários, e nalguns casos até sem botas e luvas, os moradores desceram no leito do córrego e retiraram dele grandes quantidades de lixo, e principalmente de entulhos, boa parte deles resultado da obra de canalização do córrego que a Prefeitura começou a fazer, mas  não concluiu.

Temendo a repetição da destruição que ocorreu no ano passado, os moradores abriram mão de seu domingo e se expuseram assim a todo tipo de doenças.

Sonhamos com o dia em que não dependeremos de ninguém, e faremos juntos e por nós mesmos aquilo que necessitamos.

No entanto, enquanto esse horizonte é ainda tão distante, não é possível aceitar que o “poder público” nem mesmo realize a limpeza dos córregos que cruzam nossas comunidades. É realmente lamentável, e não podemos deixar que essa situação prossiga.



Novas enchentes no Jd Pantanal

Novas enchentes no Jd. Pantanal

Infelizmente, não é mais possível a surpresa diante de calamidades que se abatem sobre a população pobre; elas são a regra, como fica evidente na nova inundação das diversas comunidades do Jardim Pantanal. Enquanto a grande mídia corre atrás das desgraças e as transformam num grande espetáculo – “a culpa é de São Pedro, e das populações invasoras, criminosas e irresponsáveis, que se colocam em risco e que jogam lixo na rua” -, o principal é escondido. As violências e as opressões históricas, sempre renovadas, contra a população pobre, hoje mais uma vez traumatizada, desalojada, exposta a todo tipo de doenças e sofrimentos, e sem perspectivas.

Com o fim dos tempos chuvosos, em poucos dias todos os desastres ficam esquecidos. As famílias em áreas de risco têm suas casas removidas, obrigadas a trocar sua moradia pela incerteza do auxílio aluguel que virou a única política habitacional que têm acesso. Processos de desejos de áreas inteiras são acelerados e, com isso, todo ritmo de crescimento da cidade, da valorização dos terrenos e especulação imobiliária continua intacto. Bairros param, cidades param, vidas acabam, mas nada interrompe o fluxo incessante de acumulação.

Enquanto isso, a única força capaz de parar o tempo em vistas da solidariedade, da necessidade de sobreviver ao caos e continuar de cabeça erguida é a organização e manifestação da indignação do povo, contra a violência, contra a ação criminosa que as deixa submersas, contra o fim das comunidades. No Jd. Pantanal há um exemplo de tentativa de organização contra o jugo do poder do capital e de seus representantes no poder político, que em nada se moveram para evitar que se repetisse o que ocorreu na mesma época no ano passado. Em meio às barbaridades, temos aqui a denúncia da situação vivida nas comunidades dessa região da zona leste de São Paulo, que vive as mazelas da chuva em proporção alarmante, mas que se assemelha, na história e na luta cotidiana, de tantas outras comunidades das periferias de São Paulo.


Solidariedade aos moradores do Jardim Pantanal

Diante de tantos desalojados, e de tantos que perderam tudo o que possuíam nos vários bairros do Jd. Pantanal, alimentos, roupas e outros itens de primeiro necessidade estão sendo recolhidos na portaria do Instituto Alana, em frente à sede do MULP (Movimento de Urbanização e Legalização do Jd. Pantanal), na Rua Erva do Sereno, 548.

Para realizar doações, entrar em contato com Thaís: 9755-2474; ou Vagner: 7379-8860 e 2584-6138.

 

Lembrando as enchentes

Lembrando as enchentes do verão passado

A temporada de chuvas está se abrindo, e com ela o temor de novas tragédias em comunidades periféricas, como as enchentes e deslizamentos que aconteceram no verão passado. Para relembrar esse período tão difícil, publicamos aqui o vídeo Jd. Lucélia Luta. Que sirva para ficarmos atentos e para reagirmos com ainda mais força caso situações desse tipo se repitam.