Arquivo da categoria: Jd. Toca

Saíram as Moradias para o Jd. Toca

De mudança para a nova casa

Finalmente, as famílias despejadas do Jardim Toca estão se mudando para os apartamentos construídos na Mata Virgem, Divisa de Diadema. Esse fato não vai apagar toda a violência usada nos despejos, e todos os traumas e danos causados a essas famílias, mas diante dessa situação, é uma boa notícia. Desejamos a elas uma boa sorte na nova moradia, muita união, solidariedade, e muita disposição para seguirem lutando.

Se a prefeitura cumpre com o compromisso com essas famílias, é porque houve muita luta, e fomos forçados a protestar, travar rua, fazer marcha e muito barulho. No entanto, temos a obrigação de perguntar: o que vai ser das outras milhares de famílias a quem foi prometido um apartamento nesse mesmo lugar, ao longo dos últimos vários anos?

Depois do Despejo IV

140 apartamentos para os moradores do Jd. Toca?

Há 3 anos, cerca de 140 famílias foram despejadas violentamento numa parte do Parque Cocaia I, conhecida como Jd. Toca. Esse processo, que de algum modo marca o início do que viria a se tornar a Rede Extremo Sul, foi bastante conturbado, mas em resumo, uma semana depois de assistentes sociais terem passado de casa em casa fazendo um cadastro, e prometendo “melhorias”, os moradores foram intimados a comparecer à Subprefeitura para pegar um cheque de 8 mil reais à título de indenização, e foram informados que tinham 10 dias para deixarem suas casas, ou seriam forçados a fazer isso pela polícia. Desesperados, muitos moradores deixaram suas casas, que foram imediatamente derrubadas a marretadas.

No meio desse processo, houve roubos, e até mesmo um suicídio. Mas também foram feitas lutas (veja aqui), e com isso a conversa da Prefeitura mudou: o prazo foi bastante estendido, os 8 mil reais foram convertidos em “aluguel-social” e foi entregue um documento prometendo que em 2 anos seriam entregues a cada família um apartamento na Mata Virgem Divisa de Diadema; e caso a obra atrasasse, o bolsa-aluguel seria prorrogado (veja o documento aqui).

A obra atrasou e o aluguel foi prorrogado, mas no início do ano, ao invés de se estender por 6 meses, ele foi estendido apenas por 4, pois disseram que os apartamentos estariam prontos até esse prazo. Estamos de olho para ver se isso vai acontecer mesmo.

Mas não imaginem que com isso toda a violência que foi cometida vai ser esquecida. Os terríveis danos materiais e psicológicos feitos às famílias não vão ser revertidos. Além disso, os apartamentos não serão de graça; em troca de suas casas, as famílias “ganharam” uma dívida por décadas. E por fim, enquanto milhares e milhares de pessoas são despejadas, apenas algumas centenas de apartamentos e casas são construídos.

E para piorar, esses mesmos imóveis são prometidos para todo mundo, e com certeza vão ser usados para fazer muita propaganda sobre a “maravilhosa política habitacional” da Prefeitura e do Estado.

Não esqueceremos, e não nos deixaremos enganar!

Casos de Meningite

Relatos sobre casos de meningite

Em nossa região, têm surgido notícias de pessoas que contraíram meningite, e mesmo de óbitos em função dessa doença. Houve, por exemplo, casos de meningite na Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) Aristides Nogueira, no Parque Cocaia I, no Jd. Toca, e em outros bairros daqui. Algumas companheiras que recorreram às instituições de saúde em busca de informações, num primeiro momento receberam como resposta que a Prefeitura não iria fornecer vacinas, pois não se tratava de uma epidemia… 

Talvez não seja o caso de vacinação, mas o fato é o seguinte: se fosse o filho de um grande empresário ou do Prefeito que tivesse contraído a doença, seria um deus-nos-acuda, mas como são pessoas pobres, a coisa é bem diferente. 

É preciso ficarmos atentos e nos organizarmos para exigir respostas rápidas a situações como essa, que são bem localizadas, para que não ocorram mortes e sofrimentos que podem ser facilmente evitados.

Saíram os cheques e os contratos das famílias da Vila Brejinho

Finalmente saíram os cheques e os contratos das famílias da Vila Brejinho

O contrato

Desde o início de dezembro com casas inundadas e em risco, e depois de muita luta, as famílias da Vila Brejinho assinaram esta semana um contrato que lhes garante um auxílio-aluguel até que lhes seja entregue uma alternativa habitacional definitiva. Apesar de estar longe do ideal, essa proposta da prefeitura foi aceita devido à situação emergencial que as famílias se encontravam há tanto tempo, e agora vamos continuar lutando para que essa solução seja dada aos demais moradores do Pq Cocaia I que também estão em risco.

O que acaba de ocorrer na Vila Brejinho nos ensina muitas coisas importantes: primeiro, que só com luta e organização da própria comunidade é que é possível conquistar nossas reivindicações, porque antes da comunidade se mexer a única coisa que os moradores encontraram foram notificações de despejo, ameaças e portas fechadas.

Outra lição é que é mentira que moradores que estão em áreas supostamente privadas não têm direito a nada ou que a Prefeitura não pode fazer nada por eles (a não ser despejar), pois o terreno da Vila Brejinho, segundo os juízes, pertence à EMAE, uma empresa privada.

Por último, essa luta mostra a importância e a possibilidade de que tudo o que seja discutido ou prometido pela prefeitura seja colocado no papel, na forma de um contrato assinado pela prefeitura e por cada morador, que tem o direito a uma cópia. Só depois de pronto esse contrato é que os moradores devem assinar o que quer que seja, pois esse documento é a garantia de que amanhã ou depois a conversa não vai mudar.

Blog em Construção

Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP

Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP

Pelo direito à dignidade para o povo que vive em áreas de mananciais e arredores, no extremo sul de São Paulo

Estamos vivendo uma situação de verdadeira calamidade! Devido ao descaso do “poder público” e à ambição das elites dessa cidade, em nossas comunidades (Pq. Cocaia I/Jd. Toca, Jd. Lucélia/V. Nascente, Recanto Cocaia/Jd. Tangará, Jd. Prainha, entre outras), localizadas no extremo sul de São Paulo, ocorrem diariamente tragédias: enchentes, deslizamentos de terra e desabamento de casas. As perdas são incalculáveis; são muitas pessoas perdendo móveis, eletrodomésticos, alimentos, roupas, perdendo seus empregos, já que não é possível sair para o trabalho sabendo que qualquer chuva pode causar uma desgraça em nossa casa. São muitas as crianças doentes, infectadas por uma água imunda, pegando sarna, leptospirose, e várias outras enfermidades. Estamos todos traumatizados pelo desespero de vermos nossa vida e a vida de nossos familiares em risco, a cada chuva. Uma situação que não é possível traduzir em palavras…

E isso tudo numa região muito carente de infra-estrutura e serviços públicos. Em várias comunidades, como é o caso do Jd. Prainha e do Recanto Cocaia, por exemplo, padecemos com a falta de asfaltamento, de saneamento básico, de atendimento médico, de creches, de escolas próximas, e por aí vai.

Como se isso não bastasse, dezenas de comunidades que se localizam próximas à Represa Billings estão sendo despejadas, e outras tantas estão sob ameaça de despejo, por conta do “Programa Mananciais”, da “Operação Defesa das Águas” e de outros processos que visam atender aos interesses da especulação imobiliária. Todos sabemos que a região dos mananciais abrange uma área enorme, que inclui o Autódromo de Interlagos, regiões habitadas por ricos, grandes casas noturnas, que, é óbvio, permanecerão intocadas. As áreas ameaçadas são apenas a de comunidades pobres, compostas por milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que não tiveram opção, a não ser comprar seu pedaço de chão em loteamentos precários, resultado de uma articulação entre grandes proprietários, políticos, burocratas, imobiliárias e membros do aparelho judiciário. Esta história não se vê nas telas da TV, que mostram apenas uma versão distorcida e mentirosa da nossa realidade, alimentando preconceitos dos quais somos vítimas no dia-a-dia, repetidos por nossos patrões que muitas vezes nem imaginam que o funcionário ali ao seu lado vive naquela comunidade atingida pelas enchentes, ou ameaçada de despejo.

A necessidade de preservação do meio ambiente – com o que estamos de pleno acordo – pode e deve ser feita respeitando os direitos da população pobre. Portanto, nós, moradores de comunidades carentes, ameaçadas de despejo e vítimas das enchentes, exigimos do poder público a garantia de nosso direito à moradia digna e aos serviços públicos fundamentais.

Quando muito, diante da nossa atual tragédia, a resposta do Estado tem sido os albergues, as passagens para o “Norte”, os cheques-despejos (cada hora num valor, mas sempre muito baixos) disfarçados de “auxílio-aluguel”. Ao contrário, exigimos a construção de um projeto participativo e popular de reurbanização de nossas comunidades que una a preservação ambiental à garantia de moradia e de outros direitos sociais assegurados a nós, pelo menos na teoria, pela Constituição. E, de imediato, exigimos uma SOLUÇÃO EMERGENCIAL às tantas famílias que têm perdido tudo o que construíram com tanto esforço, e cuja própria vida está ameaçada, em função da segregação social, da falta de planejamento urbano e da ganância dos que se dizem “poderosos”.

Apelamos à solidariedade de todos os que apóiam a luta do povo da periferia. Porém, aproveitamos para lembrar que temos convicção sobre os nossos objetivos, que não estamos pedindo favor, mas lutando pelo que é direito nosso, e que não cairemos no canto da sereia de oportunistas que quiserem tirar proveito de nossa tragédia. Alertamos também que a maneira como os políticos e o “poder público”, em todos os níveis de governo, se posicionarem frente à nossa situação será lembrada – e cobrada – pela via eleitoral, e principalmente por meio de nossa organização cotidiana.

São Paulo, fevereiro de 2010

Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP

redeextremosul@gmail.com

Despejo no Parque Cocaia I/Jd. Toca

Esta sequência de três vídeos mostra um pouco como foi o processo de luta e resistência por parte dos moradores do Pq. Cocaia I/Jd. Toca durante as remoções de casa que ocorreram entre março e novembro de 2009.

Despejo no Parque Cocaia I/Jd. Toca

Derrubada das casas no Parque Cocaia I/Jd. Toca

Cocaia Luta