Vídeo: educação no Jardim da União

CAMPANHA “JARDIM DA UNIÃO RESISTE!”

Mais um vídeo de nossa campanha contra a reintegração de posse da Ocupação Jardim da União. Um pouco da creche popular Filhos da Luta e de outros espaços de Educação feitos de nóis para nóis.

Ainda tem muito sobre a educação nessa terra de gente guerreira, retratados nos próximos vídeos. Jardim da União Existe e Resiste!

TODO PODER AO POVO!

Jardim da união resiste!

CAMPANHA “JARDIM DA UNIÃO RESISTE!”

O curto período em que foi suspenso o processo de reintegração de posse contra a ocupação do Jardim do União será marcado por muitas lutas e muitos esforços no sentido de combater a ameaça contra essa comunidade, que foi construída com tanta dedicação, com tanto companheirismo, OUSADIA e esperança.
É com esse espírito que pedimos apoio à nossa Campanha “Jardim da União Resiste”, para tornarmos conhecida a caminhada de seus tantos guerreiros e guerreiras, e para juntarmos força contra a violência do Estado.
Dentro dessa campanha, produziremos diversos vídeos que retratam diferentes dimensões dessa luta e da situação atual da ocupação. Pedimos a todos que se solidarizam com a Ocupação Jardim da União a nos ajudarem a difundir o vídeo abaixo e os outros materiais que iremos divulgar nas próximas semanas. TODO PODER AO POVO!

Quando a farsa vira tragédia

Quando a farsa vira tragédia

Foi dito que a história se repete; ao que se emendou: primeiro como tragédia, depois como farsa. Mas o bizarro espetáculo que vem sendo encenado em terras brasileiras, parece a farsa, da farsa, da farsa.

militares_manifestacao_15_de_marcoTambém se falou que as sociedades modernas só existem em constantes e radicais transformações: são revolucionárias por natureza. Ao que se acrescentou: algumas dessas sociedades se transformam por meio de acordos e rearranjos vindos “do alto”, as chamadas “revoluções passivas”. Se a história brasileira nos últimos séculos foi marcada por muitas e importantes lutas sociais – contra a invasão portuguesa, contra a escravidão, contra a exploração assalariada, contra ditaduras, entre outras -, episódios em que os debaixo afrontaram as tantas opressões que sofriam, é evidente que a coragem, a dedicação e a organização dos subalternos não foi suficiente para virar esse jogo. E isso mesmo se consideramos que boa parte dessa história de luta foi violentamente apagada por uma elite sanguinária, de uma ambição sem qualquer limite, que sempre morreu de medo dos debaixo, e massacrou quem ousou se opor aos seus desmandos.

Uma das coisas que distinguem a situação atual é que a barbárie e a ofensiva promovida pelos endinheirados não é uma resposta a qualquer confronto ou ameaça popular. E ela também não implicapm spray em nenhum tipo de sacrifício por parte das elites, na linha do “vão-se os anéis, ficam os dedos” . Ela segue outra lógica, que já opera há tempos: à falta de uma oposição real, à falta de forças sociais que coloquem freios à sua sede por dinheiro, a palavra de ordem é: “ficam os anéis, e passem todo o restante do ouro pra cá: agora!”. Além do velho mandamento: “depois de mim, o dilúvio”, ou seja, “para mim tudo, e que tudo o mais se exploda”.

Essa situação óbvia é escondida por uma grossa cortina de fumaça: a grande mídia zomba da nossa inteligência, martelando besteiras sem parar; de modo geral, o resumo da ópera é que a origem de todos os males da humanidade é a corrupção, entendida como um problema moral. A corrupção é um sintoma, é a expressão de uma doença terrível e muito resistente, que precisa ser entendida para ser combatida (afinal, não se vence a gripe atacando o espirro, mas sim o vírus). Essa doença é a própria vida escravizada pelo imperativo do lucro; em um mundo em que “Deus é uma nota de 100”, o dinheiro corrompe, e a corrupção, sob diversas formas, prevalece, sob qualquer governo, de qualquer partido.

pm com crianca 15 de marcoAssim, por detrás da tal cortina de fumaça vemos algo muito simples: o que está em jogo são meros acertos entre os ganhadores de sempre. Afinal, além de injustiças e desigualdades, uma sociedade guiada pela ganância desenfrada necessariamente gera crises, riscos e perdas. Depois de terem lucrado muito, em tempos de relativa bonança e de muitas fraudes, agora se trata de empurrar a fatura dessa conta para os perdedores de sempre – a população trabalhadora -, e de criar caminhos para dar continuidade ao seu enriquecimento. E um dos elementos mais importantes dessa equação é saber quem vai ter mais ou menos acesso aos cofres do Estado. Basicamente é sobre isso que se trata toda a polêmica pró e contra-Dilma.

As recentes marchas e as manifestações de rua, que talvez pudessem ser a expressão de um processo de reflexão e de organização, revelam precisamente o oposto. Em ambos os protestos, muitas bandeiras nacionais, manifestantes cantando o hino e palavras de ordem nacionalistas; “militantes” pagos; “dirigentes políticos”dilma fica acompanhados por muitos seguranças particulares; agressões e demonstração de ódio contra opositores; muitas palavras de ordem comuns a ambos os “eventos” (“abaixo a corrupção”; “reforma política” etc.); e, quando os manifestantes eram questionados sobre os motivos dos protestos e sobre o que queriam ou esperavam delas, ficava evidente que não havia nada por detrás dos “slogans”, além de muita confusão mental (confiram o relato de um companheiro aqui; e vejam os vídeos aqui e aqui).

É certo que causa grande impacto a grita por um novo golpe militar, o anacrônico coro de “vai pra Cuba” ou “chupa comunista”, que são expressões conscientes ou inconscientes do mais puro ódio de classes. Entretanto, a defesa acrítica do governo e a afirmação militante da noção do “menos pior”, que aceita um caminho que evidentemente têm alimentado o “pior do pior”, revelam uma matriz comum – fanática – a ambos os campos (a)políticos.

pm tropa do bracoEm meio a tanto barulho, não se diz palavra sobre as questões que realmente importam. Que tempos terríveis, em que parece não existir história, em que parecemos presos num eterno presente, pleno de desgraças. Se é que se pode ainda perguntar pelo sentido da vida, este parece se resumir a ter mais e a parecer melhor que os demais: é só competição, ostentação, consumismo. Ficamos insensíveis em relação ao sofrimento e as alegrias dos demais; até a nossa própria vida a gente vê como uma novela, com distanciamento e com certa indiferença. Não é à toa que existe uma epidemia de doenças como depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia, e tantas outras, que há pouco tempo achávamos que era coisa de rico. Além disso, torna-se normal nos dias de hoje vermos evangélicos realizando exercícios militares e atacando terreiros (de umbanda e candomblé); multidões escravas de um cachimbo; policiais matando, torturando e encarcerando negros e pobres aos montes, e sendo aplaudidos por isso; grupos extremistas assassinando homossexuais; milhões utilizando as “redes sociais” para destilar o ódio e os preconceitos mais bárbaros; milhares de mulheres sendo agredidas, violentadas e mortas…

Da mesma forma como “governo” e “oposição” (dois lados da mesmapm tropa 2 moeda) estão comprometidos até o último fio de cabelo com a lógica opressiva, hierárquica, alienante e exploradora do capital, forças ditas de “esquerda” e de “direita” convergem na marcha fascista em curso, expressão daquela lógica. Mesmo alguns movimentos populares que se afirmam “autônomos” e “revolucionários”, imersos até o pescoço nas barganhas e sufocados pelo seu próprio oportunismo e autoritarismo, jogam lenham na fogueira fascista; longe de estimularem a autonomia de seus membros, de abrir espaços para a reflexão e para a compreensão da conjuntura, eles buscam reforçar as falsas polarizações, rebaixar as discussões ao nível do “FLA X FLU”, e fortalecer seu caráter autoritário e manipulador.

Se o pensamento está tão fora de moda, e se a “comunicação” é propriedade de meia dúzia de grandes empresas, não pode existir liberdade de expressão; se esquerda e direita se igualam numa massa raivosa, desnorteada, e manipulável, e se os partidos de direita e de esquerda reduziram seu horizonte ao favorecimento de si próprios e dos grandes grupos econômicos, não pode existir liberdade política; se estamos todos infantilizados, incapazes de tomar decisões, não pode existir nenhum livre-arbítrio. Ainda assim, vemos milhões clamando por uma nova ditadura civil-militar. De fato, existe o perigo dos manipuladores errarem nos seus cálculos, e acabarem libertando um monstro que eles alimentam, mas que não têm poder para controlar, e que pode se voltar contra seus próprios interesses. Uma coisa é certa: enquanto ficarmos reféns dos erros e acertos de cálculos das elites, continuaremos de mal a pior. É evidente que essa escalada fascista em curso por todo o mundo só poderá ser refreada com a ação popular consciente e articulada, embasada em experiências práticas de planejamento, tomada de decisão e de controle sobre as mais diversas esferas de nossas vidas, nas mais diversas escalas. Os fascistas de plantão e de profissão de fé continuarão suas marchas rumo ao abismo. Será que iremos conseguir puxar o freio, e desbravar outros caminhos?

OCUPAÇÃO JARDIM DA UNIÃO CONTRA A REINTEGRAÇÃO DE POSSE!

Noticiamos há algum tempo que foi feito um novo pedido de suspensão do processo de reintegração de posse contra o Jardim da União, assinado por nós, mas também pela CDHU, e com o apoio da Secretaria Municipal de Planejamento e da Secretaria Estadual de Habitação. A juíza do processo pediu uma manifestação do Ministério Público, e apesar de uma manifestação favorável do Promotor, apoiando a suspensão pelo prazo máximo (180 dias), foi publicado ontem (01/04) que a juíza assinou uma suspensão de apenas 90 dias!
Apesar das inúmeras reuniões que tivemos com os governo municipal e estadual, nada de concreto foi encaminhado. Nossa luta e nossa ocupação não são de mentirinha, e portanto as “soluções” propostas pelos governantes – assinar um papel prometendo moradias -, não serve para nós. Não somos profissionais de negociação que saltam de reuniões em reuniões, enquanto as pessoas que sofrem sem moradia passam anos num impasse, sendo de tempos em tempos chamadas para protestos e assinando listas de presença, como se fossem gado ou funcionários alienados, batendo cartão e atendendo às ordens do “patrão- movimento”.
O sofrimento, a dedicação e a luta dos membros do Jardim da União é real, e não admitiremos que nenhuma família seja lançada à rua. Responderemos à altura a violência do Estado. O Jardim da União Existe e Lutará Até o Fim! Todo Poder ao Povo!

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https://www.facebook.com/pages/Rede-de-Comunidades-do-Extremo-Sul-SP/267222963309434?fref=ts

Vídeo do último Protesto: Jardim da União Existe e Resiste!

Jardim da União Existe e Resiste!

Há tempos que o Jd. da União não acredita em promessas de políticos e entende que o poder que está por trás dos partidos não está interessado em garantir melhorias para a população, muito pelo contrário, são grandes corporações que além de sugar o suor do nosso trabalho são as grandes responsáveis pelo sucateamento dos serviços públicos. Por isso nossa luta sempre segue em direção a autonomia e a organização feita pelo povo e para o povo!
Abrindo nossa jornada de luta, fizemos uma longa caminhada – maior do que planejada, pois tivemos que passar na delegacia para liberar um companheiro que foi detido arbitrariamente – na região de Santo Amaro.
Segue o registro do protesto feito em 4 de março e da sua organização:

https://vimeo.com/122166832

VÍDEO: FILHOS DO JARDIM DA UNIÃO

Para homenagear as mulheres guerreiras e nossas crianças, publicamos um vídeo que fala dos bebês que nasceram na ocupação e que estão crescendo na luta bonita do jardim da união. Mães e pais contam da decisão dos pequenos viverem e serem educados na vida coletiva e na luta direta. Quanta vida gerada nessa terra fértil que é a Ocupação Jardim da União!
Como diz a música que cantamos:
“Nossos filhos nascerão com o punho levantado!” “Mas me diga, camarada, se essa terra é do patrão???”
Jardim da União Existe e Resiste!

https://vimeo.com/121132086

Manifesto do Coletivo de Educação da Ocupação Jardim da União

Manifesto do Coletivo de Educação do Jardim da União

Caminhamos devagar para chegar longe.

festinha seu dionisio e criacadaEssa é uma primeira carta do Coletivo de Educação formado no Jardim da União. Escrevemos para dizer quem somos e porque fazemos educação popular no interior dessa luta de ocupação de terra no extremo sul da cidade de São Paulo.       

Nós, que vivemos e lutamos aqui, vamos construindo uma verdadeira morada nessa estrada dura da luta. Atravessamos noites frias, perdemos terras e companheiros de caminhada, mas a cada barraco reconstruído, a cada novo espaço comum, a cada festa organizada por nós, conquistamos nossa própria força e construímos nossa auto-crecheorganização, nossos coletivos, nossas cooperativas. E a primeira lição do nosso coletivo é que a educação desenvolve-se a partir da luta direta, da organização e do enfrentamento contra os poderosos.   

Vamos fazendo da luta um lugar que traz vida pra gente. Por isso dizemos que quem vive neste jardim já é mais que um companheiro que divide pão, já é irmão de luta e união. Daí brota nossa autonomia: da passagem da resistência à invenção de outras formas de vida, organizadas por nós mesmos, sem depender do Estado e suaIMG_7009 burocracia, nem do governo, nem dos proprietários dos meios de produção. A vida que estamos aprendendo a criar juntos, de um mundo sem dono, nem chefia, onde não se aceita hierarquia. A vida que é pensada e feita pelas nossas cabeças, numa organização que é nossa, feita por nós e para nós.

Nosso maior conteúdo educativo é aprender a viver em outra ordem, fora dos mandatos da mídia, do governo, do patrão, da disciplina e da exploração. É essa a educação que queremos: desaprender a baixar a cabeça ou a esperar o político solucionar nossos problemas. Juntos, vamos alimentando nossa rebeldia!

Nessa caminhada surgiu a proposta de começar a ensinar o que se sabia, compartilhando conhecimentos e aqui e ali, foram surgindo IMG_7250uma porção de atividades simples, mas cheias de significado e criadas a partir de nossas necessidades: oficinas de corte e costura, capoeira, futebol, creche, formação política, leitura e escrita para adultos, aulas de espanhol, oficina de coleta e reciclagem etc., atividades que se apoiam nos aprendizados do dia a dia, que vamos acumulando e sistematizando. Boa parte das atividades se mantiveram e quando começamos a nos reunir como coletivo de educação, as experimentações orientadas pela luta autônoma e autogestionada já estavam em curso. Começamos então a realizar formações mensais com todas e todos os educadores e educandos, buscando estudar e refletir coletivamente sobre o significado da educação nessa luta.

Essa caminhada segue, mas não sem dificuldades, pois a todo o tempo esbarramos com aquilo que buscamos combater, e descobrimos nossos inimigos até dentro de nós e de nossos companheiros e companheiras. Somos sempre muito poucos diante das tarefas que temos, e apesar de nos dedicarmos com todas as forças, volta e meia vemos as nossas práticas e relações assumindo um caráter utilitário, de clientela, vazio de experiência. Essa é a maior fonte de cansaço, mas que necessariamente acompanha as lutas verdadeiras; porém, a sensibilidade de enxergar as conquistas que alcançamos e os irmãos que nos tornamos também é uma aprendizagem fundamental que faz nossa energia se renovar.

Juntos vamos buscando nossa própria forma de educar e de rejeitar a desigualdade que normalmente se coloca entre quem ensina e quem está aprendendo, por vários motivos. Primeiro: porque é assim que se faz a luta no Jardim da União, ninguém de fora chega aqui pra nosIMG_7706 ensinar sem fazer parte da luta, como querem toda hora os revolucionários de grupo de estudos e outros encantados em serem professores do povo. Segundo: porque essas posições não são estandartes, e quem está aprendendo em dado momento, é quem ensina horas depois. Terceiro: porque como guerreiros e guerreiras, temos que exercitar essa horizontalidade e igualdade entre nós o tempo todo, radicalmente. E quarto: sabemos que somos diferentes e, por isso mesmo, podemos trocar conhecimentos, mas essa diferença não pode converter-se em poder, para que nossa travessia não se transforme em um ponto de chegada previamente formulado na cabeça de um “líder”, mais do mesmo…

Nossos aprendizados não são ditados por outros. Nossa educação não vem de fora e não é alienada de nossa própria prática. Nossa educação não é uma atividade de promoção. Não educamos para algo, mas sim com nossos companheiros. Aprendendo com a própria luta organizada e coletiva, juntos vamos buscando uma experiência de educação popular que seja autêntica. Na busca de uma prática orientada pela solidariedade e contra a indiferença a qualquer forma de opressão, a nossa educação não pode apagar a história da luta do povo; ao contrário, ao se inscrever nessa tradição de luta, aproveitamos o conhecimento que nos pertence, este que vem da encontro educaçãoresistência contra esse mundo tão hostil aos trabalhadores e trabalhadoras. Com isso, alumiamos nossa história e tiramos dela a certeza de que estamos do lado certo: o lado da ousadia da luta popular.

Acreditamos que as linhas e desenhos de uma nova organização social brotam dos enfrentamentos contra nossos inimigos, tanto 1900-hjquanto das experiências de autogestão da nossa vida cotidiana. Fortalecendo nossos princípios políticos e organizativos, que possuem a mesma base de nossos princípios educativos, vamos enfrentando as dificuldades e cuidando para que cada passo da luta caminhe em direção a uma sociedade auto-organizada e livre das amarras e das opressões.

TODO PODER AO POVO!

DESPEJO NO JD SÃO LUIS

AMEAÇA DE DESPEJO IMINENTE NO JD. SÃO LUIS

Famílias que ocuparam um terreno no Jd. São Luis há quase um ano, e fizeram ali suas moradias, receberam na última sexta-feira, dia 23/01, a notícia de que uma juíza ordenou seu despejo. Como de costume, trata-se de um terreno abandonado há décadas, mas bastou o povo pobre cair para dentro, que apareceu dono e projeto: a COHAB, que se diz dona do terreno, entregou-o de graça para a gigante empreiteira TENDA, e exige a reintegração de posse.
A ação de despejo, inicialmente previsto para o dia 29/01 (menos de 6 dias depois da ordem da juíza), foi prorrogada por 8 dias (!!!) depois de um protesto dos moradores na COHAB, e nenhuma alternativa foi dada às famílias.
O vídeo abaixo conta um pouco dessa trágica história. Todo poder ao povo!

EDUCAÇÃO E PODER POPULAR – Encontro de Formação

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Nesse insano início de 2015, em que a violência e a covardia contra os de baixo promete atingir patamares ainda mais arrasadores, e precisaremos fortalecer nossa luta, convidamos companheiros a chegar até o Jardim da União. Queremos compartilhar nossas práticas e concepções de educação, ouvir e falar das dificuldades que todos enfrentamos na luta contra o bloco indivisível formado pelos conservadores e endinheirados, assim como compartilharmos o espírito de solidariedade, a resistência, a “alma revolucionária”, a raiva, a inquietude e a força para seguir movimentando a contracorrente. Queremos compartilhar também nossa mirada sobre esse tempo que estamos vivendo, e no qual nos esforçamos para tomar em nossas mãos, cada vez mais, a capacidade de governar nossas vidas. Porque já faz muito tempo que a dignidade habita os lados de cá da nossa trincheira. Que sejam todas e todos bem-vindas e bem-vindos ao nosso Primeiro Encontro de Educação e Poder Popular no Jardim da União!

Extremo Sul contra o aumento da tarifa!

Trabalhador e trabalhadora não guenta pagar 3,50!
Vídeo contra o aumento da tarifa, com depoimentos dos guerreiros e guerreiras da Ocupação Jardim da União. Da Luta do Transporte do Extremo Sul.

Ocupação Jardim da União Resiste!

Noticiamos em julho que, após uma ocupação da CDHU (ver aqui), foi firmado um compromisso de suspensão do processo de reintegração de posse contra o Jardim da União, por um prazo de seis meses. O judiciário aceitou esse pedido, e o processo foi suspenso até o dia 5 de dezembro.
Esse tempo passou, e apesar de muitos esforços feitos desde o início da Ocupação, em meados de 2013, ainda não conseguimos emplacar um projeto habitacional que atenda a toda a demanda da Ocupação, e por isso novo compromisso de suspensão do processo de reintegração foi firmado com membros do governo municipal e estadual neste mês de dezembro de 2014. Acontece que, dessa vez, a juiza está oferecendo resistência em aceitar o pedido, e solicitou uma manifestação do Ministério Público.
A intensa luta de centenas de famílias fez com que os governos reconhecessem a legitimidade de suas reinvidicações. Assim, o próprio proprietário do terreno, a CDHU, que entrou com a ação de reintegração de posse, solicitou nova suspensão do processo. Além disso, em acordo com o governo estadual, o governo municipal produziu um relatório descrevendo diversas ações realizadas no sentido de garantir uma solução definitiva à demanda do Jardim da União.
Diante disso, como pode então o judiciário se opor a esse pedido? Como pode não enxergar um despejo só geraria novas ocupações, e aumentaria o problema? Como pode ignorar que as famílias em luta foram vítimas de grandes ondas de despejo em massa e de explosão dos preços dos aluguéis, motivadas pela especulação imobiliária? Como pode fazer vista grossa diante da violação sistemática do “direito à habitação” e da necessidade de cumprimento da função social dos latifúndios abandonados por décadas, no extremo sul da cidade? Como pode esquecer que enquanto milhares de pessoas foram violentamente arrancadas de suas casas, nenhuma moradia popular foi construída na região? Como é capaz de esquecer que a luta da população é imprescindível para o enfrentamento das mazelas sociais, e para fazer valer aqueles “direitos sociais” que o judiciário teria função de defender?
Se o pedido de suspensão não for aceito, e se houver qualquer ameaça de reintegração de posse, resistiremos, pois não aceitaremos que nossa comunidade seja destruída, e que qualquer um de seus membros seja atirado à rua. Todo Poder ao Povo!

propriedade...

Às Empreiteiras, Tudo! Ao Povo em Luta, Nada…

Há mais de um ano, quando sentamos pelas primeiras vezes com membros da Prefeitura para discutir a situação de algumas ocupações do Grajaú, ficávamos surpresos quando ouvíamos a Subprefeita Cleide Pandolfi falar com tranquilidade que os terrenos municipais estavam reservados “às nossas empreiteiras”. Sabíamos que existiam fortes vínculos entre as grandes construtoras e os governos, mas pensávamos que a coisa não era tão escancarada.

Achávamos que com a multiplicação das ocupações e das lutas por moradia esse quadro poderia mudar, mas ele só piorou. Repete-se incessantemente que o “poder público” não pode direcionar recursos para o atendimento de uma demanda específica, apresentada por um movimento popular, por exemplo, pois isso “furaria” a “fila de espera”. Mas permitiu-se que as empreiteiras firmem acordos com os “movimentos sociais” para que essa demanda seja direcionada. Ou seja, os governos não podem avaliar a legitimidade e a necessidade de atendimento de uma demanda específica, por meio de critérios rigorosos e francamente debatidos, mas as empreiteiras podem fazer isso, sem nenhum tipo de discussão.

Fora isso, não se apresenta as tais listas de espera, e nem se discute seu verdadeiro caráter. Totalmente desacreditadas, objeto de comércio e de barganha político-eleitoral, essas tais listas existem justamente porque a questão habitacional e urbana é gravíssima, e não existe perspectiva de resolução dela por parte do Estado. Trata-se de um “engana trouxa” e de uma forma de naturalizar e legitimar a falta ou a precariedade da situação de moradia de milhões de pessoas. É um absurdo, que vira argumento para criminalizar quem luta para combater esse quadro. O “Programa Minha Casa, Minha Vida”, que se tornou praticamente a única política habitacional do país, é dominado por uma dúzia de grandes empreiteiras – tradicionalmente, as principais financiadoras de campanha -, que recebe a garantia do governo de lucros extraordinários, sem risco, muitas vezes em troca de obras mal localizadas e de péssima qualidade, que submete os seus empregados a condições degradantes de trabalho etc.

Uma pequena fração desse assalto bilionário (cerca de 1% do orçamento total do programa), seria usada para atender à demanda de movimentos sociais, por meio de “entidades”, e quando isso ocorre, cerca de 2% do valor total dessas obras vai para o caixa desses movimentos, o que muitas vezes compra a sua subserviência e acaba com qualquer compromisso com a luta contra a desigualdade, a exploração, e pela construção de relações sociais de cunho solidário e emancipador. No interior desse grande “pacto” envolvendo Estado, grandes grupos econômicos e movimentos sociais, até a pequena brecha para a realização de obras autogeridas é fechada, e tudo fica entregue à podre aristocracia imobiliária, cujas maracutaias atingem uma dimensão tão ampla e estrutural que não dá mais para esconder, como a grande mídia tem noticiado em relação à tal “Operação Lava Jato”.

Num contexto brutal como esse, que acorrenta definitivamente a questão habitacional e os governos aos interesses vorazes e destrutivos do capital imobiliário, e converte os movimentos de moradia em lobistas, que seguem rigorosamente as regras desse jogo podre, e se limitam a brigar por migalhas desse “bolo”, torna-se utopia questionar coisas fundamentais, sem as quais nada muda: a propriedade privada, o império do lucro, a necessidade de pensar o espaço urbano como um todo, sem apartar a questão da moradia das demais dimensões essenciais da vida, como o deslocamento, a produção da cultura e da comunicação, a saúde, e assim por diante. Enquanto não sairmos dessa inércia e do pragmatismo, encarando sem jogo de cena os verdadeiros embates, continuaremos escondendo nossa impotência por detrás de falsas conquistas. Além de uma meia dúzia de burocratas, quem lucra com isso são os nossos inimigos. E nós continuamos acumulando derrotas, e perdendo a capacidade de reação e de construção de outros caminhos.

A Luta das Ocupações do Extremo Sul e a Especulação Imobiliária

Especulação Imobiliária e Construção de Moradias no Extremo Sul

Sobretudo na última década nossa região foi alvo de despejos em massa,  em meio a um processo brutal de especulação imobiliária, que levou às  alturas o custo da terra e dos aluguéis, e agravou um já terrível  problema habitacional. As ocupações em nossa região foram uma resposta  popular a esse quadro, porém a situação permanece crítica. Apesar de  terras imensas estarem abandonadas há décadas, assim que ocorreram as  ocupações apareceram donos, liminares de reintegração de posse e  projetos habitacionais. E acabamos por abrir uma caixa preta…
mapa_zeisUma região em que boa parte das terras é grilada, endividada, cheia de  entraves judiciais, e que é ambientalmente frágil, concentra a imensa  maioria das áreas de ZEIS 4 da cidade, destinada à construção de  habitação popular. Isso ocorre porque as terras aqui eram  relativamente baratas, o que tornaria os empreendimentos habitacionais  mais lucrativos, com base nas regras do Programa Minha Casa, Minha  Vida. Nesse programa, as construtoras recebem um volume de dinheiro  fixo por unidade habitacional, e esse montante deve servir tanto para  executar a obra, quanto para comprar o terreno. Assim, quanto mais  barato o terreno (ou seja, mais distante das áreas centrais, com  infraestrutura mais precária etc.), melhor para a construtora.
Por meio da legislação de ZEIS, as empreiteiras, valendo-se da  
Prefeitura, buscaram criar aqui uma reserva de mercado, e um banco de  terras baratas. Ainda assim, a produção de moradias não deslancha por  aqui, e ao invés de rebaixar o preço da terra, o quereprsesa ocorreu na  prática foi uma supervalorização. Para se ter uma ideia, em um  loteamento em frente à Ocupação Jardim da União, no Varginha, o  terreno de 5 X 25 metros custa cerca de 150 mil reais. E uma área  próxima a Avenida Teotônio Vilela foi leiloado por 300 mil reais há  uns quatro anos; no ano passado o terreno foi colocado à venda por 7  milhões, e este ano esse valor aumentou para 18 milhões de reais. Mas  para o grande capital imobiliário, uma alternativa já havia sido  construída: o governo municipal está desapropriando quase todas as  áreas viáveis para a construção de moradias, para entregá-las  gratuitamente às grandes empreiteiras, por meio do tal Fundo de  Arrendamento Residencial (FAR). Assim, quando os governantes dizem aos  movimentos para apresentar uma área viável para a construção de  moradias, trata-se de uma hipocrisia, já que as terras propriedadejá estão  previamente comprometidas ou são caras demais para comprar com recursos do programa. Ou os governantes garantem áreas para  atender à demanda de moradia do povo em luta, ou novas ocupações  ocorrerão, a construção de moradias continuará inviabilizada, e o  problema só irá se agravar.

Apresentação do Grupo de Capoeira do Jardim da União

Registro da Apresentação do Grupo de Capoeira do Jd da União

O vídeo a seguir registra um pouco da apresentação do grupo de capoeira do Jd. da União na última festa. Todo Poder ao Povo!

Registro da Passeata da Saúde

Passeata da Saúde da Ocupação Jardim da União

A negação de atendimento às famílias do Jardim da União revela como o Estado trata a população que luta, e que não é trouxa de acreditar em promessa de eleição, de tirar comida do prato para pagar um aluguel que não para de subir, de achar normal que terras enormes fiquem abandonadas, enquanto o povo vive em situação precária. Como se não fossem gente, as famílias da ocupação encontravam as portas dos postos de saúde fechadas, independente da gravidade de sua doença.
Mas essa situação não se repetirá. Não aceitaremos discriminação!
Todo Poder ao Povo!