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Manifesto do Coletivo de Educação da Ocupação Jardim da União

Manifesto do Coletivo de Educação do Jardim da União

Caminhamos devagar para chegar longe.

festinha seu dionisio e criacadaEssa é uma primeira carta do Coletivo de Educação formado no Jardim da União. Escrevemos para dizer quem somos e porque fazemos educação popular no interior dessa luta de ocupação de terra no extremo sul da cidade de São Paulo.       

Nós, que vivemos e lutamos aqui, vamos construindo uma verdadeira morada nessa estrada dura da luta. Atravessamos noites frias, perdemos terras e companheiros de caminhada, mas a cada barraco reconstruído, a cada novo espaço comum, a cada festa organizada por nós, conquistamos nossa própria força e construímos nossa auto-crecheorganização, nossos coletivos, nossas cooperativas. E a primeira lição do nosso coletivo é que a educação desenvolve-se a partir da luta direta, da organização e do enfrentamento contra os poderosos.   

Vamos fazendo da luta um lugar que traz vida pra gente. Por isso dizemos que quem vive neste jardim já é mais que um companheiro que divide pão, já é irmão de luta e união. Daí brota nossa autonomia: da passagem da resistência à invenção de outras formas de vida, organizadas por nós mesmos, sem depender do Estado e suaIMG_7009 burocracia, nem do governo, nem dos proprietários dos meios de produção. A vida que estamos aprendendo a criar juntos, de um mundo sem dono, nem chefia, onde não se aceita hierarquia. A vida que é pensada e feita pelas nossas cabeças, numa organização que é nossa, feita por nós e para nós.

Nosso maior conteúdo educativo é aprender a viver em outra ordem, fora dos mandatos da mídia, do governo, do patrão, da disciplina e da exploração. É essa a educação que queremos: desaprender a baixar a cabeça ou a esperar o político solucionar nossos problemas. Juntos, vamos alimentando nossa rebeldia!

Nessa caminhada surgiu a proposta de começar a ensinar o que se sabia, compartilhando conhecimentos e aqui e ali, foram surgindo IMG_7250uma porção de atividades simples, mas cheias de significado e criadas a partir de nossas necessidades: oficinas de corte e costura, capoeira, futebol, creche, formação política, leitura e escrita para adultos, aulas de espanhol, oficina de coleta e reciclagem etc., atividades que se apoiam nos aprendizados do dia a dia, que vamos acumulando e sistematizando. Boa parte das atividades se mantiveram e quando começamos a nos reunir como coletivo de educação, as experimentações orientadas pela luta autônoma e autogestionada já estavam em curso. Começamos então a realizar formações mensais com todas e todos os educadores e educandos, buscando estudar e refletir coletivamente sobre o significado da educação nessa luta.

Essa caminhada segue, mas não sem dificuldades, pois a todo o tempo esbarramos com aquilo que buscamos combater, e descobrimos nossos inimigos até dentro de nós e de nossos companheiros e companheiras. Somos sempre muito poucos diante das tarefas que temos, e apesar de nos dedicarmos com todas as forças, volta e meia vemos as nossas práticas e relações assumindo um caráter utilitário, de clientela, vazio de experiência. Essa é a maior fonte de cansaço, mas que necessariamente acompanha as lutas verdadeiras; porém, a sensibilidade de enxergar as conquistas que alcançamos e os irmãos que nos tornamos também é uma aprendizagem fundamental que faz nossa energia se renovar.

Juntos vamos buscando nossa própria forma de educar e de rejeitar a desigualdade que normalmente se coloca entre quem ensina e quem está aprendendo, por vários motivos. Primeiro: porque é assim que se faz a luta no Jardim da União, ninguém de fora chega aqui pra nosIMG_7706 ensinar sem fazer parte da luta, como querem toda hora os revolucionários de grupo de estudos e outros encantados em serem professores do povo. Segundo: porque essas posições não são estandartes, e quem está aprendendo em dado momento, é quem ensina horas depois. Terceiro: porque como guerreiros e guerreiras, temos que exercitar essa horizontalidade e igualdade entre nós o tempo todo, radicalmente. E quarto: sabemos que somos diferentes e, por isso mesmo, podemos trocar conhecimentos, mas essa diferença não pode converter-se em poder, para que nossa travessia não se transforme em um ponto de chegada previamente formulado na cabeça de um “líder”, mais do mesmo…

Nossos aprendizados não são ditados por outros. Nossa educação não vem de fora e não é alienada de nossa própria prática. Nossa educação não é uma atividade de promoção. Não educamos para algo, mas sim com nossos companheiros. Aprendendo com a própria luta organizada e coletiva, juntos vamos buscando uma experiência de educação popular que seja autêntica. Na busca de uma prática orientada pela solidariedade e contra a indiferença a qualquer forma de opressão, a nossa educação não pode apagar a história da luta do povo; ao contrário, ao se inscrever nessa tradição de luta, aproveitamos o conhecimento que nos pertence, este que vem da encontro educaçãoresistência contra esse mundo tão hostil aos trabalhadores e trabalhadoras. Com isso, alumiamos nossa história e tiramos dela a certeza de que estamos do lado certo: o lado da ousadia da luta popular.

Acreditamos que as linhas e desenhos de uma nova organização social brotam dos enfrentamentos contra nossos inimigos, tanto 1900-hjquanto das experiências de autogestão da nossa vida cotidiana. Fortalecendo nossos princípios políticos e organizativos, que possuem a mesma base de nossos princípios educativos, vamos enfrentando as dificuldades e cuidando para que cada passo da luta caminhe em direção a uma sociedade auto-organizada e livre das amarras e das opressões.

TODO PODER AO POVO!

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EDUCAÇÃO E PODER POPULAR – Encontro de Formação

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Nesse insano início de 2015, em que a violência e a covardia contra os de baixo promete atingir patamares ainda mais arrasadores, e precisaremos fortalecer nossa luta, convidamos companheiros a chegar até o Jardim da União. Queremos compartilhar nossas práticas e concepções de educação, ouvir e falar das dificuldades que todos enfrentamos na luta contra o bloco indivisível formado pelos conservadores e endinheirados, assim como compartilharmos o espírito de solidariedade, a resistência, a “alma revolucionária”, a raiva, a inquietude e a força para seguir movimentando a contracorrente. Queremos compartilhar também nossa mirada sobre esse tempo que estamos vivendo, e no qual nos esforçamos para tomar em nossas mãos, cada vez mais, a capacidade de governar nossas vidas. Porque já faz muito tempo que a dignidade habita os lados de cá da nossa trincheira. Que sejam todas e todos bem-vindas e bem-vindos ao nosso Primeiro Encontro de Educação e Poder Popular no Jardim da União!

Viva a Creche “Filhos da Luta”

Registro da Inauguração da Creche “Filhos da Luta”

O vídeo mostra alguns momentos da inauguração da creche “Filhos da Luta”, do Jardim da União, incluindo a homenagem prestada pelo grupo de espanhol da ocupação. São pequenas iniciativas e experiências feitas por nós e para nós, produzindo respostas às nossas necessidades cotidianas, ao mesmo tempo em que buscamos assumir o controle das nossas próprias vidas e romper com as hierarquias, a passividade, o assistencialismo, a dependência em relação aos endinheirados e aos politiqueiros, e por aí vai.

Todo Poder ao Povo!

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Atividades na Ocupação Jardim da União

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Escola incendiada, comunidade organizada

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Há cerca de um mês a E.E. Tancredo Neves (no Jd. Varginha) foi alvo de um incêndio, no qual um dos seus prédios foi inteiramente queimado, mas nada foi roubado. Neste prédio havia a sala da coordenação com equipamentos de Xerox e computadores, duas salas de aula, uma biblioteca com sala de leitura e umaescola2 sala de informática que seria aberta à comunidade como telecentro. Como o prédio oferece risco, foi interditado pela defesa civil e nada que está a sua volta pode ser utilizado – nem estacionamento, nem quadra poliesportiva.

A Secretaria Estadual de Educação e a diretoria regional se comprometeram a iniciar a reforma na segunda-feira dessa semana, mas ninguém apareceu.

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A comunidade escolar que vive no Jardim da União está junto nessa luta e convida pais, mães e lutadores de outras comunidades para se juntar nessa caminhada. Vamos pressionar o governo estadual para que mais uma escola não seja esquecida pelo poder público e pra que isso não seja usado como promessa ou barganha eleitoral.

O povo unido tem força para lutar. Todo poder ao povo! Periferia Luta!

Mais um relato da Trincheira

Ocupação Jardim da União na voz dos alfabetizandos

Dona Arlinda, Rosa e seu Vital falam sobre a vida no Jardim da União, onde vivem, contribuem na organização, aprendem a ler e escrever em português e espanhol, ensinam a plantar e colher, em meio a tantas outras trocas de experiências.  Na vida cotidiana acumulamos força pra luta. Lutar, Criar, Poder Popular!

Atividades abertas no Jardim da União

Construindo o Poder Popular

A Ocupação Jardim da União está realizando diversas atividades abertas aos moradores dos bairros vizinhos. Não queremos apenas construir as nossas moradias, mas também produzir a nossa cultura, a nossa educação, a nossa comunicação, assumindo o controle sobre o nosso destino.

E como não poderia deixar de ser, tudo isso sem ONG, sem patrões, e sem rabo preso com políticos ou empresários! Confira algumas dessas atividades aí embaixo, e participe dessa luta! 

Todo Poder ao Povo!

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Primeiras chamas

Estudantes de 2 escolas estaduais que deram início aos protestos de junho relatam a sua experiência na mobilização.

Organização popular contra a HUMILHAÇÃO COLETIVA do transporte público de nossos bairros.

Acompanhe: https://www.facebook.com/LutaTransporteExtremoSul

Teatro e Luta

Mensagem de Luta da Trupe Lona Preta

Notícias do Encontro das comunidades “João da Silva”

Educação na periferia

Todos sabem que nada em nossos bairros periféricos foi construído sem lutas, seja por meio de protestos e reivindicações, seja por meio de trabalhos de auto-organização, autoconstrução, etc. Foi assim também no caso das escolas João da Silva, a municipal no Jd. Lucélia e a estadual no Jd. Ideal, que carregam o nome de um antigo lutador do Grajaú.

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  Hoje essas duas escolas, passam por uma situação de descaso, cada  uma a seu modo, que é exemplo de como tem caminhado a  educação, seja pelo sucateamento, pela falta de autonomia, pela não  abertura de espaço para a participação da comunidade na escola,  pela falta de diálogo sobre a situação do ensino, seja pela negligencia  do Estado em relação as condições físicas da escola.

O encontro que rolou no domingo passado reuniu mães, pais, alunos, professoras e professores das escolas João da Silva e de outras escolas da região e de Parelheiros, foi mais um pequeno passo para mudar esse quadro.  Depois de uma apresentação teatral do Concerto da Lona Preta, que novamente nos nutriu de esperanças de união e de luta, foi firmada a solidariedade entre as comunidades que agora seguem juntas na luta pela reconstrução da E.E. João da Silva e pelo fim do autoritarismo na EMEF João da Silva. A luta continua! Todo poder ao povo!!!

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Encontro das comunidades “João da Silva” – a luta continua!

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Vídeo: Pela reconstrução da E.E. João da Silva

E.E. João da Silva Luta!

A comunidade da E.E. João da Silva luta para não perdermos uma escola no Grajaú. E dessa vez, não vai ser de lata, pra não correr o risco de desabar!!!

Assista o vídeo do protesto realizado na semana passada na Secretaria Estadual de Educação. Pra quem quiser saber mais, veja a denúncia da comunidade aqui, e notícias dos andamentos aqui, aqui, aqui e aqui.

Nenhuma escola a menos no Grajaú! Pela reconstrução da E.E. João da Silva!!! Periferia luta! Ontem, Hoje e Sempre!


Notícias do protesto de hoje na Secretaria Estadual de Educação

Nenhuma escola a menos no Grajaú! A E.E. João da Silva é nossa!

DSC03031Apesar de todas as tentativas de desmobilização dentro da comunidade, mães, pais e alunos da E.E João da Silva realizaram hoje um protesto na Secretaria Estadual de Educação pra cobrar uma resposta relativa à precariedade da situação atual e a reconstrução da escola. Foi até funcionário da diretoria regional de ensino Sul-3 panfletar ontem na comunidade!!!  Ainda bem que nem todo mundo abaixa a cabeça e fica esperando cair do céu (ou dos governos) uma resposta para nossos problemas.  Realmente, se o povo soubesse o talento que ele tem, não aturava desaforo de ninguém!!

Bastou um pouquinho de barulho e um breve travamento no farol da??????????????????????????????? Praça da República com a rua do Arouche, pra gente ser rapidamente atendido pela equipe do Secretario de Educação, inclusive o secretário  adjunto (porque o Herman também está viajando…). Eles se comprometeram a dar uma resposta em uma semana,  e a encaminhar o mais rápido possível a reconstrução da escola no bairro.

A E.E. João da Silva foi conquista do povo e não vai ser levada assim, com tamanho desrespeito! Nenhuma escola a menos no Grajaú!  Todo poder ao povo! 

Luta da EE João da Silva

Pela Reconstrução da EE João da Silva

A Comunidade da Escola João da Silva realiza hoje um protesto em frente à Secretaria Estadual de Educação. A E.E. João da Silva era uma “escola de lata”, que corria o risco de desabar a qualquer momento, tendo sido desativada há cerca de 2 meses. Embora a Diretoria de Ensino Sul-3 e a Secretaria Estadual de Educação tivessem conhecimento do risco, tendo inclusive feito um estudo técnico no início de 2011 que atestou a necessidade de uma reforma estrutural urgente, apenas depois da pressão feita pela comunidade é que a escola foi fechada.
No entanto, solucionou-se um problema, e outros foram criados. Os alunos foram remanejados para duas escolas próximas à região, porém, com a remoção às pressas e por total descaso do Estado, as escolas não foram preparadas adequadamente para receber os alunos, o que tem gerado diversos transtornos. Essa situação provisória não pode se alongar. Por isso tudo, exigimos que a Secretaria Estadual de Educação e a Diretoria de Ensino Sul 3, nos mostrem o projeto, o cronograma de execução da obra de reconstrução de nossa Escola, e a data em que o  prédio será entregue à comunidade.
Nossa região já vive um quadro alarmante de superlotação por possuir número insuficiente de escolas para a demanda da população. Não podemos perder mais uma escola. Estamos em luta incessante para que a E. E. João da Silva não acabe e nossos filhos sejam obrigados a ficar em escolas superlotadas, sem estrutura e longe de casa!!!

Biblioteca Poder Popular

Desde baixo é que se transforma

biblioMais uma vez, construímos um espaço nosso, dos “de baixo”, sem pedir nada pra ninguém, muito menos “pros de cima”, pros endinheirados, pros  intermediários da cultura periférica”, ou pros formuladores de editais disso e daquilo, cooptadores de plantão das iniciativas autônomas e populares. 

Pra reformar a casa do Cantinho do Céu, contamos com a ajuda de nossos companheiros, com quem além de compartilharmos as lutas e aprendermos com erros e acertos da nossa organização nas comunidades, ensinaram a nós e a todos que chegaram pra somar, a assentar tijolos, bater a laje, etc, etc.

E hoje estão rolando algumas atividades do movimento na casinha e uma porção de gente contribuiu também pra formação da biblioteca Poder Popular! Ela está recheada de livros que vieram da biblioteca que fechou no Bororé, mas também de várias pessoas que contribuíram pessoalmente, da própria comunidade e de vários outros lugares, além d@s camaradas de coletivos, bibliotecas, editoras, de saraus e de outros1  movimentos. A biblioteca está em funcionamento e é com alegria que mandamos um salve à tod@s @s compas que contribuem com a construção do poder popular na periferia!!!