Arquivo da tag: especulação imobiliária

A Luta das Ocupações do Extremo Sul e a Especulação Imobiliária

Especulação Imobiliária e Construção de Moradias no Extremo Sul

Sobretudo na última década nossa região foi alvo de despejos em massa,  em meio a um processo brutal de especulação imobiliária, que levou às  alturas o custo da terra e dos aluguéis, e agravou um já terrível  problema habitacional. As ocupações em nossa região foram uma resposta  popular a esse quadro, porém a situação permanece crítica. Apesar de  terras imensas estarem abandonadas há décadas, assim que ocorreram as  ocupações apareceram donos, liminares de reintegração de posse e  projetos habitacionais. E acabamos por abrir uma caixa preta…
mapa_zeisUma região em que boa parte das terras é grilada, endividada, cheia de  entraves judiciais, e que é ambientalmente frágil, concentra a imensa  maioria das áreas de ZEIS 4 da cidade, destinada à construção de  habitação popular. Isso ocorre porque as terras aqui eram  relativamente baratas, o que tornaria os empreendimentos habitacionais  mais lucrativos, com base nas regras do Programa Minha Casa, Minha  Vida. Nesse programa, as construtoras recebem um volume de dinheiro  fixo por unidade habitacional, e esse montante deve servir tanto para  executar a obra, quanto para comprar o terreno. Assim, quanto mais  barato o terreno (ou seja, mais distante das áreas centrais, com  infraestrutura mais precária etc.), melhor para a construtora.
Por meio da legislação de ZEIS, as empreiteiras, valendo-se da  
Prefeitura, buscaram criar aqui uma reserva de mercado, e um banco de  terras baratas. Ainda assim, a produção de moradias não deslancha por  aqui, e ao invés de rebaixar o preço da terra, o quereprsesa ocorreu na  prática foi uma supervalorização. Para se ter uma ideia, em um  loteamento em frente à Ocupação Jardim da União, no Varginha, o  terreno de 5 X 25 metros custa cerca de 150 mil reais. E uma área  próxima a Avenida Teotônio Vilela foi leiloado por 300 mil reais há  uns quatro anos; no ano passado o terreno foi colocado à venda por 7  milhões, e este ano esse valor aumentou para 18 milhões de reais. Mas  para o grande capital imobiliário, uma alternativa já havia sido  construída: o governo municipal está desapropriando quase todas as  áreas viáveis para a construção de moradias, para entregá-las  gratuitamente às grandes empreiteiras, por meio do tal Fundo de  Arrendamento Residencial (FAR). Assim, quando os governantes dizem aos  movimentos para apresentar uma área viável para a construção de  moradias, trata-se de uma hipocrisia, já que as terras propriedadejá estão  previamente comprometidas ou são caras demais para comprar com recursos do programa. Ou os governantes garantem áreas para  atender à demanda de moradia do povo em luta, ou novas ocupações  ocorrerão, a construção de moradias continuará inviabilizada, e o  problema só irá se agravar.

Anúncios

Jardim da União Bloqueia a Avenida Paulista contra o Império das Empreiteiras

O POVO UNIDO E ORGANIZADO NÃO PRECISA DE EMPREITEIRAS!!!

Um conjunto de movimentos sociais realiza hoje uma série de protestos contra a especulação imobiliária e o domínio das políticas habitacionais pelas grandes empreiteiras.

Membros do Jardim da União fazem uma marcha na Avenida Paulista, e se manifestam em frente à sede da empreiteira HE Engenharia, da Superintendência Regional da Caixa, e do Gabinete Regional da Presidência da República.

1911664_732918730073186_2029290031_n

A chamada “política habitacional” está sob o controle de um pequeno grupo de grandes empreiteiras, ou seja, é pautada pela busca desenfreada por lucros.

Quando se trata da construção de habitações populares, o resultado não poderia ser diferente: em geral são usados os piores terrenos, onde são criadas verdadeiras favelas verticalizadas, com apartamentos minúsculos, construídos com materiais de pior qualidade, utilizando mão de obra precarizada e até mesmo trabalho escravo. Assim, os interesses das empreiteiras entram em conflito direto com os interesses da população trabalhadora, tantas vezes despejada e expulsa para regiões mais afastadas e sem infraestrutura, por governos submissos aos desmandos da especulação imobiliária.

Os despejos em massa e a explosão dos preços da terra e dos aluguéis no extremo sul de São Paulo esteve na origem de uma onda de ocupações no distrito do Grajaú, em meados de 2013.

Em resposta às ocupações, foi prometida a construção de milhares de moradias populares, porém, para tanto, a Prefeitura irá entregar gratuitamente os terrenos públicos às empreiteiras, por meio do Fundo de Arrendamento Residencial, e promete um enorme adensamento populacional, o que produzirá problemas gravíssimos em uma região extremamente precária em termos de equipamentos públicos, sistema de transporte etc. Além disso, ninguém sabe quem irá habitar essas moradias. Onde está a lista dos futuros moradores? E onde estão os projetos dessas moradias? Onde está a chamada “participação popular” nesses projetos?

Por outro lado, um governo que se diz representante dos trabalhadores, promete disponibilizar aos movimentos sociais em nossa região apenas um terreno, para a construção de 300 moradias. Cabe lembrar que o Grajaú é o distrito mais populoso da cidade de São Paulo, que abriga quase um milhão de pessoas, e onde a questão habitacional é gravíssima.

Não abriremos mão da autogestão dos projetos habitacionais, e exigimos que os governos municipal e estadual disponibilizem terras públicas para que a população organizada construa suas moradias, garantindo sua qualidade, bem como a criação de equipamentos públicos e a preservação ambiental.

O POVO UNIDO E ORGANIZADO NÃO PRECISA DE EMPREITEIRAS!

1425619_719423954755997_406347499_n

Imagem

Ocupação Jardim da União Resiste!

2 meses

O que as Ocupações revelam sobre a gestão Haddad

Parte 2 – A gestão Haddad e os Movimentos Sociais

A cada nova gestão municipal a hegemonia das grandes empresas é aperfeiçoada. Já faz um tempo analisamos, junto com os companheiros e as companheiras do Pela Moradia, do Rio de Janeiro, a relação entre duas das principais facetas das administrações públicas de São Paulo e do Rio de Janeiro: a sua militarização e a sua consolidação como um balcão de negócios (leia em https://redeextremosul.wordpress.com/2011/10/17/conjuntura-6/ e https://redeextremosul.wordpress.com/2011/10/25/conjuntura-7/). Ao retomar essa discussão hoje, à luz da gestão Haddad, a novidade não estaria na capacidade da Prefeitura em transferir renda para as elites empresariais e garantir a elas cada vez maiores lucros e rendimentos, mas sim em garantir o apoio de forças que até pouco tempo se diziam contrárias a esse processo.

Vamos nos limitar aqui à discussão da habitação, para não alongar demais a prosa. Apesar de acenar com promessas de construção de moradias populares, denunciamos na primeira parte deste texto que os haddad e malufmétodos e os interesses da atual administração municipal são os mesmos que o da administração anterior, e que importantes “quadros” da gestão anterior mantiveram seus cargos na gestão atual. Haddad nem mesmo nomeou um secretário de habitação indicado pelos movimentos sociais, e sim pelo Paulo Maluf, que de grande inimigo do PT, se tornou um aliado fiel. Mudou ele, ou mudou o PT?

Questões existenciais à parte, em resumo, foram duas coisas que a gestão Haddad introduziu como novidade, em relação à administração anterior. Em primeiro lugar, foi a ideia de conciliação de classes, de que ricos e pobres compartilham dos mesmos objetivos, e que todos devemos dar as mãos e seguir juntos. Só não falam qual o rumo que tomaremos, pois este é um rumo trágico.

Por que essa ideia de conciliação de classes é uma farsa e uma tragédia? Pois a essência vital das elites é o dinheiro, o lucro. E qual é a fonte do lucro, cuja busca incansável emcmv... sem limites move esse sistema podre, que nos escraviza? A resposta, que é óbvia, mas é sempre mascarada, é uma só: a exploração do trabalho. É por isso que “quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro”, como diz a sabedoria popular. Assim, se a fonte do lucro é a exploração e a opressão que sofremos, então os interesses dos empresários e os nossos interesses estão em conflito.

Na questão da moradia isso fica muito evidente: para nós interessa uma casa espaçosa, feita com materiais de boa qualidade, que nos garanta privacidade e conforto. Além disso, queremos que no lugar onde moramos existam áreas de lazer, infraestrutura, um bom sistema de transporte e por aí vai. Para a empreiteira do “Minha Casa, Minha Vida” o que interessa é o oposto: ela quer ganhar dinheiro, e por isso interessa a ela jogar o maior número possível de pessoas no menor espaço possível, para economizar materiais e diminuir o tamanho do terreno necessário para fazer as moradias. Se isso não bastasse, interessa à empreiteira utilizar o material de pior qualidade, e pagar os salários mais baixos para seus funcionários, de modo a reduzir ainda mais seus custos.

Ou seja, para nós interessa uma moradia digna, num bairro bem estruturado, e para a empreiteira interessa fazer uma favela verticalizada. Os interesses das elites são opostos aos interesses do povo, e é por isso que a defesa da conciliação de classes é uma picaretagem: significa na palanque pro haddadprática privilegiar as elites, e distribuir algumas migalhas para a população humilde, dando um “cala a boca” na gente. Mas essas migalhas são resultados da nossa própria exploração, e portanto significam que estamos sendo sugados. E como seríamos desprezíveis se nos contentássemos com meras migalhas…

A outra coisa que a gestão Haddad introduziu, em relação à gestão Kassab, e que é fundamental para dar sustentação à mentira da conciliação de classes, foi uma grande capacidade de cooptação e de subordinação dos movimentos sociais. E não estamos falando apenas de cargos e salários: no interior do programa “Minha Casa, Minha Vida” existe uma parcela destinada às “entidades”, e apesar de ser uma fatia minúscula do “Minha Casa, Minha Vida”, ela significa o repasse de alguns milhões de reais a um conjunto de movimentos sociais ligados ao PT, na imensa maioria dos casos. É por esse motivo que aquilo que era abominado e combatido há poucos meses, durante a gestão Kassab, por esses movimentos, agora é aplaudido ou silenciado. Que passe de mágica tosco!

E como agem muitos desses “movimentos” em relação à população que necessita de moradia? Agem como uma mistura de burocracia do Estado e de imobiliárias: prometem moradia a milhares de pessoas; fazem imensassem ocupacoes listas de cadastros; passam a cobrar dinheiro das famílias, todo mês; e fazem negociatas junto ao governo para conseguir um punhado de unidades habitacionais, que muitas vezes são vendidas às famílias cadastradas. Além disso, trocam a participação das famílias em reuniões e em protestos por pontos. Ou seja, exploram o povo e colocam as pessoas no cabresto! Assim, estes “movimentos” lacaios das empreiteiras e dos governantes fazem da luta da moradia um grande negócio, e se transformam em mais um obstáculo para combatermos essa lógica mercantil e opressora, que só nos prejudica.

Não adianta aqui ficar lamentando o fato de que um partido político e um conjunto de organizações que em sua origem eram combativos, inclusive apoiando e organizando ocupações de terra, agora tentam criminalizar e reprimir duramente as ocupações do Grajaú. E nem adianta apelar para a boa vontade e para a consciência dos ex-companheiros e companheiras, que se tornaram burocratas e parasitas, insensíveis às necessidades da população trabalhadora. Ao contrário, cabe conhecer a fundo essa história, para tentar evitar velhos erros, e sobretudo, cabe a gente se organizar e ir para a luta, pois é no poder popular que reside a esperança de mudar essa situação. E esse poder não provém das urnas, e nem é construído de cima para baixo, mas sim de baixo para cima, como auto-organização. É NÓIS POR NÓIS, COM NÓIS, PARA NÓIS! As Ocupações do Grajaú Resistem! Todo Poder ao Povo!

viva as ocupações

Nota sobre o incêndio no Moinho

Famílias X Estacionamentos

Como relatou uma reportagem da Rede Brasil Atual (veja aqui), 2 dias após o incêndio na Favela do Moinho, uma empresa de terraplanagem começou a trabalhar numa parte da área atingida, para transformá-la num estacionamento!

Quem se diz dona do terreno é a Ceagesp, que o alugou a uma empresa privada para a construção do tal estacionamento, que talvez sirva para receber os clientes de um Walmart.

A crueldade da cena é escancarada. Êta mundo bom de acabar esse em que um estacionamento de uma mega-empresa vale mais do que vidas. Ou acabamos com esse mundo cruel e construímos um mundo melhor, ou esse mundo cruel acaba com a gente! 

Moinho em chamas novamente

Solidariedade à favela do Moinho

Pela segunda vez, um incêndio atingiu a favela do Moinho, que começou hoje por volta das sete da manhã. Em dezembro do ano passado, muitos moradores perderam suas moradias e um prédio no interior na favela foi implodido. Os moradores que resistiram ao despejo naquele período foram hoje vítimas de mais um incêndio. Pelo menos uma pessoa foi morta pelo fogo nesta manhã.

Nosso pesar e solidariedade é pouco frente a toda violência que o povo tem sofrido nessa onda de ataques a favor da higienização e especulação imobiliária. Mas não desistiremos da luta para que a propriedade privada deixe de valer mais do que nossas vidas e para que nossa capacidade de resistir e lutar cresça a cada dia.

Incêndios e Eleições

Quem paga a Orquestra escolhe a Música

Às vésperas das eleições, e quase no fim de seu mandato, o Kassab liberou mais R$ 3,3 bilhões para o Programa Mananciais. Como sempre, as negociatas correm soltas, e os “governantes” entucham dinheiro nas grandes empresas, financiadoras das campanhas. Afinal, uma mão lava a outra, e as duas ferram com o povo.

O processo é bem simples: essas empresas, que são grandes construtoras, imobiliárias, empresas de transporte etc., investem alguns milhões nas campanhas (de todos os políticos que tenham chance de ganhar as eleições, independente do partido), e recebem em troca bilhões. Toda a máquina do Estado fica a serviço dessas empresas, e quem entra na prefeitura ou nos governos se torna um mero funcionário dos magnatas.

Por outro lado, essse dinheiro todo, que sai do bolso do povo, vai ser usado para despejar milhares e milhares de famílias, com toda a violência e em troca do migalhas, como a gente bem sabe. De quebra, vai ser feita muita propaganda, vendendo essa desgraça como uma grande benfeitoria à população da periferia.

E quando a polícia, as ameaças e as migalhas não bastam para despejar os moradores, o Estado e as empresas utilizam um outro meio muito eficiente: os incêndios criminosos. Nas últimas semanas foram destruídas pelo fogo mais de mil casas, deixando milhares desabrigados na favela Humaitá, na favela do Areão, na Favela Alba, na Favela  Estação Ipiranga, na Favela da Paixão, no Morro do Piolho, e em Paraisópolis. Não por coincidência, todas essas comunidades se encontram em áreas valorizadas, alvo de grandes ondas de especulação imobiliária, envolvendo obras que servem de desculpa para encher de dinheiro os cofres das empreiteiras.

E não se trata de acontecimentos isolados, pois nos últimos 4 anos foram registrados mais de 540 incêndios em favelas. Essas tragédias, que resultam em mortes, ferimentos graves, em perda do teto e na brutal destruição daquilo que as famílias batalharam tanto para conseguir, revelam a ganância e a crueldade sem limites das empresas e do Estado. E mostram também que não vai ser pelo caminho das urnas que vamos parar esse processo, mas somente pela organização popular.

Nova onda de despejos

Eleições e Remoções

Eleições são sempre oportunidades para negociatas. As cartas já foram marcadas há tempos: a decisão não é do povo, “exercendo sua cidadania”, como dizem os hipócritas de plantão. A gente nessa história é só “laranja”, e quem decide mesmo a coisa são os financiadores, as empreiteiras, as imobiliárias, os grandes meios de comunicação, quem é cheio da nota, enfim, e usa o dinheiro para pagar as campanhas e molhar as mãos de quem precisa ser “agradado”. Mas ninguém é bobo de achar que isso é feito de graça; na verdade, é mais uma contrapartida do favorecimento em licitações e em contratos que transferem bilhões de reais arrecadados pelo governo diretamente para os cofres da grandes empresas. Tudo isso acertado de antemão, por debaixo do pano.

Então a gente que se prepare, pois antes das eleições são licitadas muitas obras, que no geral significam despejos truculentos a troco de migalhas, piora nos serviços públicos, e por aí vai. E com a aproximação da Copa do Mundo, o cenário fica ainda mais sinistro. Por exemplo, além dos despejos na região do Itaquerão, já foram anunciadas muitas remoções para a construção da chamada linha 17 Ouro do Metrô, que deveria começar a funcionar em 2013, mas que agora dizem que vai ser inaugurada em 2014. Em função das obras para a Copa, do Programa Mananciais, da construção de Parques Lineares, etc. e tal, milhares e milhares de pessoas serão despejadas, juntando-se a outras tantas milhares de famílias que perderam suas casas nos ultimos anos. Mas fica sempre a pergunta: onde estão as dezenas de milhares de moradias populares prometidas a essas famílias? Como deixar a nossa moradia em troca de um “auxílio-aluguel” que não é suficiente para alugar outra casa? E ainda mais sem perspectiva de receber outra moradia, já que quase nada está sendo construído? Por que essas casas não foram construídas antes? E como trocar o lar que batalhamos para ter por uma dívida, já que as habitações construídas não vão ser entregues de graça, mas vão exigir o pagamento de prestações por décadas? Por fim, como abandonar nossa história, nossas raízes, nosso convívio, de uma hora pra outra, sem puder dizer nada sobre o assunto?

Esse tipo de pergunta foi levantada por um camarada, morador do Jd. Aeroporto, que é uma das áreas ameaçadas pela obra da tal “Linha Ouro” do Metrô. Seu texto Copa do Mundo x População traz várias reflexões importantes, e também nos leva a pensar: será que o Estado e as empresas já venceram essa parada? Ou será que ainda conseguiremos reverter essa situação?

Especulação imobiliária e corrupção

Os milagres dos governantes

No mesmo dia, a grande imprensa publica duas notícias que se complementam. A primeira é que, segundo um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, 62% dos habitantes de São Paulo não tem condições de comprar uma casa, e que 33% das famílias brasileiras são sem teto ou não tem moradia adequada (veja aqui), o que segundo o último levantamento do IBGE é ainda pior (43% das habitações brasileiras seriam inadequadas).

A outra notícia é que um Diretor da gestão Kassab, que entre 2005 e 2012 foi responsável por aprovar obras imobiliárias na cidade de São Paulo, adquiriu nesse período mais de 100 imóveis, no valor de mais de R$ 50 milhões. E isso declarando no imposto de renda uma renda mensal de R$ 20 mil! (veja aqui).

Eis aí o milagre da “multiplicação dos imóveis”, junto ao repetido milagre de enriquecer ainda mais os endinheirados, e de jogar a população em condições terríveis de existência.

Mas a questão que fica é: deixaremos esses desgraçados continuar a realizar o milagre de conter nossa revolta?

Depois do Despejo III

Obras inacabadas no Cantinho do Céu

O Cantinho do Céu é apresentado como a “menina dos olhos” da Secretaria de Habitação e foi apresentado em diversos países como modelo de reurbanização de comunidade na beira da represa Billings (veja aqui). Centenas de famílias foram removidas, algumas ficaram satisfeitas com a indenização, outras tantas tiveram que aceitar o bolsa-aluguel ou uma indenização pífia, mas todas tiveram que ver uma parte importante de sua história virando entulhos. Com isso, as obras de instalação da parque linear, que integra o Programa Mananciais, seguiram, com seus deques de madeira, pista de skate e campo de futebol (que, via de regra, não são usados para o que foram feitos). Mas essa obra, mostrada em todo canto como um exemplo, corresponde a uma área muito pequena diante da enorme comunidade: a obras previstas para acabar em 2012 estão paradas em outros locais do bairro, onde diversas moradias foram derrubadas  e os escombros estão espalhados, junto com o esgoto a céu aberto e ruas sem asfalto.

Pois é, papel aceita tudo e propaganda faz milagres; com certeza nas eleições deste ano os marqueteiros vão deitar e rolar vendendo os maravilhosos projetos de “urbanização” e de “proteção ambiental”, orgulho das empreiteiras e das imobiliárias. E nós, vamos engolir as mentiras calados? 

Depois do Despejo II

Motivos Escancarados

Quando falamos sobre os escombros que ainda testemunham a destruição da Vila Brejinho, perguntamos o motivo desse tipo de ação. A resposta é dada pela própria Prefeitura, porta-voz das grandes construtoras e imobiliáriasSegundo uma diretora da Secretaria de Habitação, Maria Cecília Sampaio, “Pra ser cidadão em São Paulo, tem que pagar”. E no mesmo sentido, ela sugere à população mais pobre que procure cidades menores “pra poder aguentar” (veja mais aqui).

Aquilo que a gente e outros movimentos têm denunciado há tempos está mais do que escancarado, e não dá para ficar surpreso, já que a ditadura do grande capital imobiliário parece estar fora de questão. Para dar uma idéia da situação, as empresas que financiaram a candidatura do Kassab receberam mais de R$ 2 bilhões em contratos, entre 2009 e início deste ano (veja mais aqui). E não foi só o Kassab que elas financiaram, não, mas os candidatos a prefeito e a vereador de tudo quanto é partido, sempre garantindo os retornos futuros, seja qual for o cenário.

É por isso que uma resposta a essa situação só pode vir de quem sofre com essa ditadura, a população pobre, que é a principal vítima do rolo compressor da especulação imobiliária.