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Escola incendiada, comunidade organizada

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Há cerca de um mês a E.E. Tancredo Neves (no Jd. Varginha) foi alvo de um incêndio, no qual um dos seus prédios foi inteiramente queimado, mas nada foi roubado. Neste prédio havia a sala da coordenação com equipamentos de Xerox e computadores, duas salas de aula, uma biblioteca com sala de leitura e umaescola2 sala de informática que seria aberta à comunidade como telecentro. Como o prédio oferece risco, foi interditado pela defesa civil e nada que está a sua volta pode ser utilizado – nem estacionamento, nem quadra poliesportiva.

A Secretaria Estadual de Educação e a diretoria regional se comprometeram a iniciar a reforma na segunda-feira dessa semana, mas ninguém apareceu.

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A comunidade escolar que vive no Jardim da União está junto nessa luta e convida pais, mães e lutadores de outras comunidades para se juntar nessa caminhada. Vamos pressionar o governo estadual para que mais uma escola não seja esquecida pelo poder público e pra que isso não seja usado como promessa ou barganha eleitoral.

O povo unido tem força para lutar. Todo poder ao povo! Periferia Luta!

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Contra a Criminalização

Contra as prisões arbitrárias e contra a criminalização dos que lutam contra o Estado das coisas  

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Se há demandas escancaradas de moradia, transporte, educação, emprego, saúde, necessidades básicas da população, que nada significam diante das necessidades de lucro das empresas no interior do sistema mercado capitalista, assim, quem deveria ser “criminalizado”? 

Quem deve ser criminalizado num mundo onde a solução para greve é perseguição e demissão; para moradia, despejo e rua; e para movimentos que denunciam a dura realidade através da organização da luta social, o silenciamento com acordos e alianças truculentas, e a punição com prisões, torturas e mortes? Não seria isso uma Ditadura?      

Se a “Segurança Pública” está para assegurar que o império das entidades privadas continue intacto a seduzir, explorar e oprimir a população, então uma de suas funções é, na realidade, a de reprimir e aprisionar aqueles que lutam pra mudar o estado das coisas. Isto não é novidade para ninguém, mas é algo que jamais deve se tornar natural. Afinal, sabemos que a “Lei” diz que lutar não é crime, mas essa lei só vale quando quem luta não ameaça a velha ordem e o velho progresso.

O sistema capitalista produz incessante e abundantemente o combustível que alimenta o fogo da resistência: as carências, as violências, as opressões, a exploração, que, contraditoriamente, são a fonte do poder dos que ainda estão em cima. Independente do que dizem, no entanto, a nossa necessidade por mudanças é eterna faísca do inquieto movimento.

Em todas as lutas, quando há hierarquias e lideranças – como deveria sempre existir, pela lógica do sistema – o alvo é certeiro: com autoritário “diálogo” e com cooptação silenciam aquelas figuras, buscando com isso que a “base” abandone a luta. Mas quando a revolta popular se organiza, a mando de sua própria indignação e de sua própria consciência, inverticalmente cansada de obedecer a um diálogo inexistente, a estratégia opressora se perde e se mostra ainda mais perversa. A ordem para tal progresso é: ou surge um dono para o descontentamento ou, então, não pode existir revolta.        

Eles perseguirão pés e cabeças para aterrorizar nossa resistência. Continuarão exterminando a população pobre e preta, os jovens da periferia, porém, aperfeiçoando  aparato repressor, pós-Copa do Mundo e com apoio massivo da mídia conservadora burguesa. Quem nos defenderá desta Polícia assassina do Estado do Capital? Como nos defenderemos?

Sabemos das atrocidades que a polícia é capaz de cometer a mando do Estado em defesa das grandes corporações. No entanto, diante desta nova velha forma, a indignação aumenta, a paciência se perde e a luta do povo prossegue. A pergunta provoca e grita, quem é responsável pela revolta popular?

Abaixo ao Estado Terrorista e força aos movimentos que lutam por uma vida sem Grades, sem  Catracas e sem Cercas! 

violento é o estado

Ditadura ontem e hoje

 A luta do povo e a ditadura

Nos últimos dias, o tema da ditadura militar foi muito discutido nos grandes meios de comunicação, mas muitas coisas importantes foram distorcidas ou omitidas. Houve quem defendesse o regime militar, mas na maioria dos casos as manifestações eram de crítica à truculência e ao autoritarismo dos militares, e se repudiou a censura, a tortura, as mortes, e o desaparecimento daqueles que se opunham à ditadura.

Ditadura-Militar-PinochetIsso é positivo, e em grande medida é resultado dos esforços de familiares das vítimas dos militares e de organizações políticas que lutam pelo chamado “direito à memória e à verdade”. Ocorre que nos grandes meios de comunicação o sentido geral da discussão é sempre o de justificar a ditadura como resposta à “ameaça socialista”, de apresentá-la como algo do passado, e de exaltar o triunfo da “democracia”. Em oposição  a isso, algumas coisas devem ser ditas:

1) A não ser em algumas cabeças delirantes, não havia possibilidade de um “golpe” de esquerda no Brasil, e muitos menos de uma revolução socialista. Com os governos Jânio Quadros e João Goulart,images parcelas das elites perderam temporariamente o controle direto sobre o executivo federal, e houve a possibilidade de implementação de políticas que significariam um freio à concentração de renda e de propriedade. Além disso, pela orientação nacional-desenvolvimentista desses governos, o capital internacional e os imperialistas norte-americanos temiam que seus interesses fossem afetados.

Sendo as elites nacionais extremamente truculentas e vorazes, e conectadas ao capital internacional, o reformismo de esquerda foi suficiente para precipitar o golpe.

images (1)2) Nesse sentido, o golpe não foi nem meramente militar, e nem meramente nacional. Sem o aporte de grandes empresas nacionais e internacionais, sem a tutela norte-americana, e sem o apoio de parcelas da população, a ditadura não teria sido instaurada, e não duraria o tanto que durou.

3) Os grandes vencidos da ditadura permanecessem esquecidos: inúmeros militantes populares foram torturados, mortos e desaparecidos, por vezes massacrados junto com suas famílias. E mesmo quando seus familiares e amigos sobreviveram, eles não dispunham – e continuam sem dispor – de meios de denunciar e de investigar as mortes e as torturas. A história que é contada é a história dos vencedores, e de modo geral, apenas as parcelas dissidentes das elites e da classe média dispõem de recursos para lembrar de seus mortos.

Além disso, como de costume, as parcelas mais pobres da população,Cela-600x380 e particularmente os negros e os indígenas foram maciçamente atacadas. “Vadiagem”, “alcoolismo”, “pederastia”, “desobediência”, “distúrbio da ordem”, “furtos”, entre outras acusações foram motivo para prisões, torturas e assassinatos em massa. E quem escuta falar, por exemplo, nas cadeias e nos campos de concentração indígenas que se multiplicaram durante a ditadura? (ver, por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui).

4) Não houve qualquer acerto de contas com a longa tradição de ditaduras brasileiras. É por isso que sob a chamada “democracia” a tortura, os assassinatos e os desaparecimentos resultantes da atuação das forças repressivas do Estado se generalizaram, tendo images (2)como alvo principal as mesmas parcelas da população massacradas sob o regime militar. As vítimas contam-se aos milhares, sob governos encabeçados por antigos rivais dos militares, incluindo ex-guerrilheiros brutalmente torturados. Enfim, o Estado autoritário é tão poderoso que consegue  incorporar boa parte de seus opositores (e aqueles que não se vendem e não se submetem costumam ser aniquilados).

5) O poder dos grandes meios de comunicação, que constituíram um dos pilares do regime militar, é hoje tão grande e crescente que vigora na prática uma pesada censura. E os censores, que não deixam1010344_437475736388132_1027664314_n passar uma vírgula que não esteja de acordo com os interesses das elites, não são mais uma comissão de militares desmiolados, mas sim os próprios dirigentes dos grandes jornais e redes de televisão.

Quem luta sente tudo isso na pele, vendo ignorados seus gritos ou distorcidas as suas reivindicações; sofrendo com todo tipo de perseguição, discriminação e criminalização.

Enfim, as atrocidades da ditadura militar se reproduzem, aprimoradas e generalizadas, sob a “democracia”. A liberdade de 50 anos ditaduraexpressão, a liberdade de manifestação, a igualdade perante a lei, o direito de voto, tudo aquilo que é cinicamente louvado pelos políticos e pela mídia não passa de uma grande mentira, um véu que toscamente procura esconder uma enorme rede de opressões, de desigualdade, de exploração, contra a população trabalhadora.

A crítica à ditadura deve servir para iluminar e enriquecer a crítica à chamada “democracia”, fortalecendo as bases de uma prática emancipadora. Do contrário, ela joga um papel conservador que só reforça o autoritarismo e a violência próprios dessa sociedade doente em que vivemos. 

 

 

 

Vândalo é o Estado

Somos contra ou a favor dos Black Blocs?

Somos educados desde cedo a enxergar o mundo como algo chapado, achatado, como uma moeda. Tudo teria apenas dois lados: “bom ou ruim”, “bem e mal’, “a favor ou contra”. Longe de qualquer relativismo, em geral as coisas são bem mais complicadas que isso: elas possuem características diversas, e por vezes conflitantes; elas se situam em um dado contexto, elas emergem de algum lugar e num certo momento, elas mudam com o tempo e com as diferentes localidades, e assim por diante.

vandalo estadoCom a nova afirmação dos Black Bloc – que há anos tiveram um papel destacado nos movimentos antiglobalização -, e com a radicalização dos protestos de rua nas últimas semanas, surgiu uma nova onda de espanto e de respostas rápidas e fáceis: “são vândalos”, “são a vanguarda da revolução”; “fazem o jogo da direita”; “tem que quebrar tudo mesmo”.

A gente confessa que não conhece o modo como se organizam ou deixam de se organizar os Black Blocs. E sabemos que esse nome passou a rotular os mais diversos grupos, acabando com qualquer possibilidade de uma compreensão unitária. Podemos falar aqui apenas de questões táticas: com a multiplicação das manifestações de rua, e com a brutal repressão policial erumo a revolução1 midiática que se acirra desde junho em diversas cidades do país, surgiram táticas de enfrentamento, de autodefesa e de ataque às forças do Estado e aos símbolos do capital, como bancos e redes de TV. Táticas essas que se alimentam da revolta, sobretudo de jovens, contra as diversas formas de opressão e de exploração que movem o capitalismo.

Da nossa parte, na condição de um pequeno movimento popular autônomo, podemos simplesmente dizer que hoje essas táticas não nos servem. Tendo como objetivo o fortalecimento da classe trabalhadora contra esse sistema podre, que nos escraviza,post b1 nossos esforços se concentram na construção de experiências auto-organizativas duradouras, nos territórios onde agimos, e que passam pela luta direta, pela criação de laços de solidariedade de caráter classista, pelo combate ao clientelismo e ao populismo, pelo combate às hierarquias, ao individualismo, e assim por diante. Dessa perspectiva, o êxito e a radicalidade dessas tentativas se medem pela capacidade de multiplicar, desdobrar e aprofundar essas experiências.  Diferentemente do que acontece no centro da cidade, aqui o enfrentamento direto e imediato às forças policiais, por exemplo, nesse momento só nos enfraqueceria, pois as condições para isso não estão colocadas. Isso não quer dizer que num futuro próximo o conhecimento acumulado pelos Black Blocks e outros grupos não possa ser de grande importância em nossa caminhada.

Até mesmo porque o tempo está fechando, e se existem importantes potenciais na cultura de luta que tem se fortalecido nos últimos meses, também existe uma chance muito grande de tudo ir por água abaixo na base da porrada, da bala de borracha, das prisões, das perseguições, e do fortalecimento do terrorismo de Estado. Já são muitos os militantes presos, acusados de formação de quadrilha e coisa que o valha, somando-se aos milhares de outros presos políticos que lotam os presídios em preso politicotodo o país, já que o processo de encarceramento em massa, que só se acelera, além de um negócio lucrativo, é sim uma estratégia política deliberada de contenção da classe trabalhadora e de afirmação da propriedade privada. Desse modo, todo preso é um preso político.

De todo modo, e assim chegamos finalmente ao ponto: pensando as organizações populares como um todo, estamos em frangalhos, e sem um esforço tremendo em sentido contrário, corremos um sério risco de sermos esmagados. Esperamos que os Black Blocks, e que todos os que os apoiam, e todos os que são contrários a eles estejam encarando esse quadro com a seriedade necessária. Do contrário, estamos todos lascados…

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PERIFERIA LUTA CONTRA AS CATRACAS

LUTA 23 OUT

O que as Ocupações revelam sobre a gestão Haddad

Parte 2 – A gestão Haddad e os Movimentos Sociais

A cada nova gestão municipal a hegemonia das grandes empresas é aperfeiçoada. Já faz um tempo analisamos, junto com os companheiros e as companheiras do Pela Moradia, do Rio de Janeiro, a relação entre duas das principais facetas das administrações públicas de São Paulo e do Rio de Janeiro: a sua militarização e a sua consolidação como um balcão de negócios (leia em https://redeextremosul.wordpress.com/2011/10/17/conjuntura-6/ e https://redeextremosul.wordpress.com/2011/10/25/conjuntura-7/). Ao retomar essa discussão hoje, à luz da gestão Haddad, a novidade não estaria na capacidade da Prefeitura em transferir renda para as elites empresariais e garantir a elas cada vez maiores lucros e rendimentos, mas sim em garantir o apoio de forças que até pouco tempo se diziam contrárias a esse processo.

Vamos nos limitar aqui à discussão da habitação, para não alongar demais a prosa. Apesar de acenar com promessas de construção de moradias populares, denunciamos na primeira parte deste texto que os haddad e malufmétodos e os interesses da atual administração municipal são os mesmos que o da administração anterior, e que importantes “quadros” da gestão anterior mantiveram seus cargos na gestão atual. Haddad nem mesmo nomeou um secretário de habitação indicado pelos movimentos sociais, e sim pelo Paulo Maluf, que de grande inimigo do PT, se tornou um aliado fiel. Mudou ele, ou mudou o PT?

Questões existenciais à parte, em resumo, foram duas coisas que a gestão Haddad introduziu como novidade, em relação à administração anterior. Em primeiro lugar, foi a ideia de conciliação de classes, de que ricos e pobres compartilham dos mesmos objetivos, e que todos devemos dar as mãos e seguir juntos. Só não falam qual o rumo que tomaremos, pois este é um rumo trágico.

Por que essa ideia de conciliação de classes é uma farsa e uma tragédia? Pois a essência vital das elites é o dinheiro, o lucro. E qual é a fonte do lucro, cuja busca incansável emcmv... sem limites move esse sistema podre, que nos escraviza? A resposta, que é óbvia, mas é sempre mascarada, é uma só: a exploração do trabalho. É por isso que “quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro”, como diz a sabedoria popular. Assim, se a fonte do lucro é a exploração e a opressão que sofremos, então os interesses dos empresários e os nossos interesses estão em conflito.

Na questão da moradia isso fica muito evidente: para nós interessa uma casa espaçosa, feita com materiais de boa qualidade, que nos garanta privacidade e conforto. Além disso, queremos que no lugar onde moramos existam áreas de lazer, infraestrutura, um bom sistema de transporte e por aí vai. Para a empreiteira do “Minha Casa, Minha Vida” o que interessa é o oposto: ela quer ganhar dinheiro, e por isso interessa a ela jogar o maior número possível de pessoas no menor espaço possível, para economizar materiais e diminuir o tamanho do terreno necessário para fazer as moradias. Se isso não bastasse, interessa à empreiteira utilizar o material de pior qualidade, e pagar os salários mais baixos para seus funcionários, de modo a reduzir ainda mais seus custos.

Ou seja, para nós interessa uma moradia digna, num bairro bem estruturado, e para a empreiteira interessa fazer uma favela verticalizada. Os interesses das elites são opostos aos interesses do povo, e é por isso que a defesa da conciliação de classes é uma picaretagem: significa na palanque pro haddadprática privilegiar as elites, e distribuir algumas migalhas para a população humilde, dando um “cala a boca” na gente. Mas essas migalhas são resultados da nossa própria exploração, e portanto significam que estamos sendo sugados. E como seríamos desprezíveis se nos contentássemos com meras migalhas…

A outra coisa que a gestão Haddad introduziu, em relação à gestão Kassab, e que é fundamental para dar sustentação à mentira da conciliação de classes, foi uma grande capacidade de cooptação e de subordinação dos movimentos sociais. E não estamos falando apenas de cargos e salários: no interior do programa “Minha Casa, Minha Vida” existe uma parcela destinada às “entidades”, e apesar de ser uma fatia minúscula do “Minha Casa, Minha Vida”, ela significa o repasse de alguns milhões de reais a um conjunto de movimentos sociais ligados ao PT, na imensa maioria dos casos. É por esse motivo que aquilo que era abominado e combatido há poucos meses, durante a gestão Kassab, por esses movimentos, agora é aplaudido ou silenciado. Que passe de mágica tosco!

E como agem muitos desses “movimentos” em relação à população que necessita de moradia? Agem como uma mistura de burocracia do Estado e de imobiliárias: prometem moradia a milhares de pessoas; fazem imensassem ocupacoes listas de cadastros; passam a cobrar dinheiro das famílias, todo mês; e fazem negociatas junto ao governo para conseguir um punhado de unidades habitacionais, que muitas vezes são vendidas às famílias cadastradas. Além disso, trocam a participação das famílias em reuniões e em protestos por pontos. Ou seja, exploram o povo e colocam as pessoas no cabresto! Assim, estes “movimentos” lacaios das empreiteiras e dos governantes fazem da luta da moradia um grande negócio, e se transformam em mais um obstáculo para combatermos essa lógica mercantil e opressora, que só nos prejudica.

Não adianta aqui ficar lamentando o fato de que um partido político e um conjunto de organizações que em sua origem eram combativos, inclusive apoiando e organizando ocupações de terra, agora tentam criminalizar e reprimir duramente as ocupações do Grajaú. E nem adianta apelar para a boa vontade e para a consciência dos ex-companheiros e companheiras, que se tornaram burocratas e parasitas, insensíveis às necessidades da população trabalhadora. Ao contrário, cabe conhecer a fundo essa história, para tentar evitar velhos erros, e sobretudo, cabe a gente se organizar e ir para a luta, pois é no poder popular que reside a esperança de mudar essa situação. E esse poder não provém das urnas, e nem é construído de cima para baixo, mas sim de baixo para cima, como auto-organização. É NÓIS POR NÓIS, COM NÓIS, PARA NÓIS! As Ocupações do Grajaú Resistem! Todo Poder ao Povo!

viva as ocupações

O que as Ocupações revelam sobre a gestão Haddad

Parte 1 – A gestão Haddad e as Empreiteiras

Quem vive nas periferias sente na pele as trágicas consequências de um crescimento urbano movido pelo lucro das grandes empresas, que se sustenta por meio do suor e do sofrimento da população trabalhadora. De tempos em tempos somos despejados pela força da polícia ou do mercado (o aumento do preço das terras, dos aluguéis e do custo de vida), e temos que nos abrigar em locais mais distantes e precários.

semanca-fdca-grajac3ba-0071Há anos temos denunciado a maneira como a cidade de São Paulo tem sido construída e reconstruída aqui, nas bandas do Grajaú e arredores. Às vésperas das eleições, são feitos contratos com grandes empreiteiras, que não por coincidência são as principais financiadoras das campanhas político-partidárias. Sob o argumento mentiroso da preservação ambiental e da reurbanização de favelas, milhares de pessoas foram e continuam sendo despejadas, sem alternativa habitacional. Quando muito, recebem o auxílio-aluguel de 400 reais e uma promessa de moradia num pedaço de papel. Com esses despejos em massa, os preços dos aluguéis subiram às alturas, e se tornou impossível para uma família com muitos filhos encontrar uma casa aqui na região.

Por outro lado, na maioria das vezes as áreas despejadas permanecem abandonadas por anos, e nem os entulhos das casas destruídas são removidos, compondo um quadro de devastação e de risco para a vizinhança. Em alguns casos, a pq-cocaia-resisteempreiteira planta um tanto de grama e passa a chamar aquilo de parque ou de praça, que também ficam abandonados ou usados de maneira prejudicial à população do entorno. Um exemplo disso é o do Cantinho do Céu, e outro é a da Vila Brejinho: quando centenas de famílias foram removidas desses bairros, em 2010, prometia-se nesses locais a criação de um parque e de um sistema de esgoto, tanto que passaram a cobrar a água e o esgoto da população que não foi despejada. Porém, o entulho que não foi jogado na represa pela empresa responsável pela obra permanece no mesmo local em que a casa foi destruída, e até hoje o esgoto das demais residências é jogado na represa Billings sem tratamento! (Para mais informações, veja aqui, aqui e aqui)

Cada uma dessas obras tem um custo altíssimo, e um impacto social devastador. Até uns poucos meses atrás, a gestão Haddad insistiu nesse caminho de tirar as famílias humildes para criar os parques de mentira. Uma prova disso é que emdespejo 1 fevereiro, empregando os mesmos métodos da gestão anterior, a atual gestão tentou iniciar o despejo de cerca de 2 mil famílias no Parque Cocaia I, ação essa que foi barrada pela organização popular (ver aqui e aqui). E nos últimos meses vimos despejos no Jardim Prainha, no Alto da Alegria, no Jd. Eliana, e existem vários outros na iminência de acontecer.

Como temos repetido, as ocupações que se multiplicaram em nossa região são uma resposta popular a essa política de massacre. Num primeiro momento, a reação da gestão Haddad foi criminalizar as famílias em luta, chamando-as de oportunistas. Depois disso, passou a estimular e a realizar despejos, como o que ocorreu no dia 16 de setembro no Jd. da ???????????????????????????????União (no Itajaí), quando sem ordem judicial e sem aviso prévio a Prefeitura mobilizou a Tropa de Choque e outras forças policiais, que atacaram violentamente crianças, gestantes, idosos, pais e mães de família, e roubaram geladeiras, fogões, camas, instrumentos de trabalho (como maquitas, marretas, pontaletes etc.), celulares, uma filmadora, e diversos outros pertences.

Ao mesmo tempo, conseguiram uma façanha: a gestão Haddad alegava que o terreno do Itajaí seria destinado ao Parqueentulhos cantinho Linear Ribeirão Cocaia, e por esse motivo faria o despejo das famílias. Menos de uma semana depois, em reunião marcada após a ocupação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o Secretário de Habitação anunciou que o mesmo terreno abrigaria cerca de 5 mil moradias, e que o projeto (que como sempre não foi apresentado aos manifestantes) já estava em Brasília! A capacidade técnica da Prefeitura, que consegue fazer um projeto de 5 mil casas em poucos dias, só é superada pela sua irresponsabilidade política e social. Numa região tão carente de infraestrutura, de equipamentos de saúde, de creches, de transporte, de uma hora para outra a gestão Haddad propõem um adensamento habitacional superior ao da Cidade Tiradentes!!!

O que explica esses argumentos contraditórios, esse vai-e-vem, essa truculência, essa intransigência, esse desrespeito às necessidades da população? A resposta é uma só: vale tudo quando se trata de atender aos interesses econômicos das IMG_3803grandes empresas. Assim, o argumento ambiental é bom como motivo para despejar a população pobre, mas é logo posto de lado quando se trata de atender aos interesses das empreiteiras, os patrões do Haddad. E quem coloca qualquer obstáculo à busca desenfreada dessas empresas por lucros, mesmo com uma reivindicação legítima e de maneira organizada, é tido como inimigo mortal, que deve ser aniquilado.

Como afirmou com todas as letras o Secretário de Habitação, não existe qualquer possibilidade de discutir um projeto habitacional nos terrenos da Prefeitura, pois todos eles serão destinados às “empreiteiras da Prefeitura”. Isso é um lapso do secretário; não é a Prefeitura que possui empreiteiras, são asprot recanto centro_3939 empreiteiras que possuem a Prefeitura de São Paulo, e outras tantas prefeituras pelo país afora. Elas foram os principais financiadores da campanha do Haddad e dos vereadores do PT, e não é à toa que a administração Haddad manteve na coordenação do Programa Mananciais as mesmas pessoas que faziam parte da gestão Kassab, como o engenheiro Ricardo Sampaio, figura truculenta, arrogante e insensível. Afinal, como diz o ditado, “quem paga a banda escolhe a música”.

Não somos ingênuos, não esperamos de uma Prefeitura qualquer ação no sentido de combater esse sistema podre, que nos oprime. Mas esperávamos um mínimo de esforço por parte da gestão Haddad para evitar uma tragédia social ainda maior, mesmo que isso significasse um lucro um pouquinho menos exorbitante para as empreiteiras.

Da nossa parte, lutamos e nos esforçamos para fugir de duas armadilhas: pensamos a ocupação dos terrenos com a construção de moradias dignas, e não de caixas de concreto, itajaiSVMA_5244peqfavelas verticalizadas. Além disso, pensamos a ocupação do espaço com a criação de áreas coletivas, espaços culturais, creches, equipamentos de saúde, sistemas de transporte e áreas de lazer que preservem as poucas áreas verdes que ainda existem. É por isso que juntamos a luta por moradia com diversas outras lutas.

Diante disso, cabe refletir um pouco sobre como tem se dado a relação da administração Haddad com as lutas do povo e com os movimentos sociais, o que faremos na segunda parte desse texto.

Relatos da Trincheira – parte 4

Mais violência policial no despejo da Ocupação Jardim da União

Relato de mulheres e crianças sobre a truculência da Tropa de Choque: bombas de gás, cassetetes, balas de borracha, preconceito e roubo. Tudo isso por ordem expressa da Prefeitura de São Paulo.

O povo de luta do Grajaú não aceita desaforo de ninguém! Nossa força está na humildade, na solidariedade, na união e na organização popular: palavras que não existem no dicionário dos proprietários, da polícia e dos governantes. A violência não vai nos calar, nem fazer desistir de construir nossas comunidades.

Manifestação de hoje

Ocupações do Graja Resistem! 

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Hoje membros de cinco ocupações do Grajaú (Recanto da Vitória, Jd. da Luta, Jd. da União, Anchieta e Moraes Prado) e outros manifestantes se reuniram no campão da Bola Branca bem cedo e seguimos em marcha pela Av. Dona Belmira Marin. O protesto foi parando em vários pontos para passar o recado e mostrar as reivindicações à população do Grajaú. 

IMG_3847Manifestamos nosso repúdio ao despejo que ocorreu na última sexta-feira ,na ocupação Jd. da União, num terreno da Prefeitura de São Paulo (destinado à moradia social há muitos anos), localizada no Itajaí. Também protestamos contra os processos de reintegrações de posse da Ocupação Recanto da Vitória e do Anchieta, e para dizer que as declarações da Prefeitura de São Paulo sobre as ocupações não procedem. Não somos oportunistas, não queremos “furar a fila” dos cadastros nos programas habitacionais, até porque muitas das famíliasIMG_3803 ocupantes já estão cadastradas há mais de duas décadas nas imensas listas da Cohab e CDHU. Cabe repetir: nossa reivindicação é mais do que legítima, e a solução não virá com repressão, mas com investimentos que garantam as moradias às famílias ocupantes, nos terrenos ocupados.

IMG_3838Decidimos em assembleia parar a entrada do terminal Grajaú e depois seguir para a Subprefeitura, travando por um tempo a avenida Teotônio Vilela, na altura do Passa Rápido do Rio Bonito. Ao chegar na Subprefeitura, fomos recebidos com insultos e ameaças por parte de funcionários, e fomos intimidados por membros da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Depois de muita confusão, a Subprefeita ouviu as reivindicações, assim como as denúncias de abusos e agressões, tantos nas ocupações, quanto na chegada àIMG_3876 subprefeitura. Infelizmente não saímos com nenhuma resposta concreta, mas fizemos um ato bem bonito, e voltamos às ocupações com o compromisso de insistir na luta, que é o único caminho para conseguirmos nossas moradias, e muitas outras coisas que necessitamos.

Todo Poder ao Povo!

Ocupações e reintegrações de posse no Grajaú

A luta por moradia não é por migalhas nem promessas!

Nessa semana diversas ocupações do Grajaú completam um mês de resistência e muita luta, com exceção da ocupação do imenso recanto da vitóriaterreno no Moraes Prado – a primeira da região – que já ultrapassa os dois meses de existência. Mas na semana que passou começaram também as reintegrações de posse por parte da Prefeitura, que na última sexta-feira derrubou os barracos no terreno que pertence à Secretaria de Habitação, localizado no Jd. Itajaí, onde há mais de dez anos se fala da construção de moradias populares e de um tal parque linear.

 As declarações e as ações do chamado “poder público” têm criminalizado de diversas maneiras o movimento que nasceu de modo espontâneo, dizendo que os ocupantes estão sendo “oportunistas”, pois querem “furar a fila” do cadastro social. Ao contrário desses picaretas, todos nós sabemos que ESSE CADASTRO É UMA FARSA, e que bem mais de 1 milhão de pessoas estão nas listas de COHAB, CDHU e SEHAB há décadas, esperando atendimento habitacional.

As ocupações que se multiplicam pela nossa região e por outrasIMG_4911 (Large) regiões da cidade revelam que não existe política habitacional em São Paulo. Sob esse nome, o que existe na realidade são formas de favorecer empreiteiras, imobiliárias, bem como políticos e mesmo movimento sociais corruptos e estelionatários, que vivem de vender ilusões para o povo e comem dinheiro das famílias em troca de uma promessa de moradia que nunca se concretiza.

As milhares de pessoas que ocuparam os terrenos abandonados aqui no Extremo Sul não estão mendigando por bolsa-aluguel, e nem acreditam que a solução de seus problemas de moradia está em colocar o nome numa lista da Prefeitura. Depois de muito sofrimento e decepções, elas sabem que a conquista da moradia está no caminho da união, da organização e da luta. 

O Grajaú é de quem o construiu com suor e muito sacrifício! Todo Poder ao Povo!

Notícias sobre a Escola Estadual João da Silva

Uma aula de precariedade: educação “provisória” 

Na última quinta-feira, dia 11 de abril, alunos, funcionários e  professores da E.E. João da Silva foram transferidos provisoriamente para  as Escolas Estaduais Jardim Noronha V e Savério Fittipaldi, ambas na  região do Jd. Noronha (Grajaú). Depois das denúncias (veja aqui), a ação foi rápida, mas vale destacar que o governo estadual estava  ciente da situação há bastante tempo, tendo realizado vários laudos sobre  a situação precária do prédio. Os alunos tem transporte de ida e  volta para as novas escolas e todos estão a salvo do risco de desabamento, o  que era de extrema urgência, porém toda esta história está longe de ser  resolvida!

educaçâo a distanciaAinda que a transferência seja uma boa notícia, todo o processo para a  remoção ocorreu de forma conturbada. A começar pelo fato de os pais e responsáveis pelas crianças não terem participado na tomada de decisões,  já que muitas reuniões foram realizadas as portas fechadas, e a decisão  final foi apenas comunicada dias antes da transferência dos alunos. Além disso, no dia da transferência dos alunos para a nova escola a  situação foi caótica, segundo relato de alguns pais. Estava chovendo bastante e nem os pais nem as crianças tem um local adequado para  aguardar. Inclusive houve um pequeno acidente com um dos ônibus devido à  chuva e à estrada precária no percurso até as novas escolas, e por sorte  não houve feridos.

Outro fato estranho é que, aparentemente, houve uma invasão na escola Noronha V, que foi alvo de vandalismo, que curiosamente ocorreu apenas  no andar no qual seriam recebidos os alunos e professores da EE João da  Silva. Com isso, os mesmos foram recebidos num local inadequado para o uso,  por exemplo, haviam televisores quebrados, torneiras quebradas, materiais  jogados pelo chão, além disso, alguns materiais que foram transferidos da  escola João da Silva para a nova desapareceram. E a inadequação dos espaços se comprovou no cotidiano, em que alunos e professores estão fazendo atividades pedagógicas até nos corredores!  Quer dizer, saíram de uma escola de lata desabando e foram para outra situação precária, que não pode durar muito tempo.

sos educaçâoMas a questão fundamental e deveria ter sido alvo de planejamento coletivo  entre diretoria de ensino, pais, mães, alunos e direção escolar é: o  que será feito com o prédio interditado? Será derrubado para a construção  da nova escola? Será reformado? Quanto tempo vai demorar? Vai ficar abandonado, caindo aos pedaços, até desabar sozinho? Não sabemos! Pois nem a Diretoria de Ensino, nem a Secretaria Estadual de Educação e nem a diretoria da escola apresentaram o projeto da obra! 

Por isso não podemos ficar de braços cruzados, este é o momento de  familiares, alunos e a comunidade tomarem as  rédeas deste processo, para cobrar uma  ação concreta! Desde realizar a construção de uma nova escola e não  reformas de maquiagem, até dar boas condições de permanência e de  segurança no novo espaço em que alunos, professores e funcionários foram alocados!

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Convite do Encontro de Formação – é neste sábado, dia 16/03

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Facetas do massacre

Massacre dos dois lados do muro

Diante dos massacres que têm sido cometidos contra o povo, algumas ações de resistência estão sendo desenhadas. A guerra em curso é cruel, e como em muitos momentos do capitalismo em que foi necessário esmagar o povo para dar continuidade à exploração e ao acúmulo de capital, uma de suas facetas é a expropriação e o extermínio da população pobre, seja do centro ou das periferias.

Ontem diversas organizações realizaram mais um ato contra o genocídio da população preta, pobre e periférica, o modo mais visível e absurdo por meio da qual o conflito de classe está se desenrolando atualmente.

Outra faceta deste massacre é o encarceramento em massa, que altera profundamente a vida nos territórios periféricos. Se hoje há, no Brasil, mais de 550 mil presos e presas, há também 550 mil famílias que tem suas vidas completamente marcadas pela humilhação, pelo preconceito e pela punição a que são também submetidas. Isso porque a superlotação dos presídios é funcional, e assim como ocorre com outros serviços “públicos”, o Estado amplia e sucateia o sistema prisional para oprimir uma parcela da sociedade, e para justificar a privatização e o lucro de alguns poucos. E os “de cima” sabem que destruir por dentro os vínculos entre os presos e presas e a comunidade é uma arma contra a  organização dos “de baixo”.

Em relação a esse quadro, em audiência realizada ontem pela Defensoria Pública foi analisada as condições dos presídios, e denunciado, por exemplo, que muitas penitenciárias de São Paulo não gastam nem 10 reais por ano com os materiais de primeira necessidade para cada preso/a!!! Ou seja, apesar de o Estado declarar gastos enormes com seus presídios, a situação é uma calamidade e apenas confirma o que vivemos nas quebradas: o fato de que muitas famílias são forçadas a gastar boa parte de sua renda com o familiar que está atrás das grades, pois do contrário ele não terá sabonete, pasta de dente, papel higiênico, cobertor, roupas etc.

Transcrevemos abaixo um texto lido ontem na audiência pelo Não Te Cales: Periferia contra o Encarceramento:

Nós, membros do Não te Cales, um grupo de familiares de presos e presas criado no interior da Rede de Comunidades do Extremo Sul, gostaríamos de reforçar as denúncias sobre as terríveis condições de encarceramento que predominam no Estado de São Paulo.

É função do Estado zelar pela integridade física e psicológica dos presos e presas, e garantir que o tempo de encarceramento sirva para a formação e para a ressocialização dos detentos, de modo que estes possam retomar suas vidas sob melhores condições, ao saírem do cárcere. No entanto, a realidade das prisões é bem diferente: as condições de salubridade são péssimas, assim como as condições de alimentação, de vestuário, de atendimento médico e odontológico etc. E esse quadro está se agravando rapidamente, em função do processo de encarceramento em massa em curso, referendado e conduzido por todas as esferas de governo, e envolvendo os poderes executivo, legislativo e judiciário.

Assim, enquanto se divulga que o Estado gasta rios de dinheiro com cada pessoa encarcerada, e se vende a ideia de que essas pessoas são privilegiadas, e que ao invés de punidas elas são recompensadas pelos crimes que cometeram, à custa do conjunto da sociedade, na verdade os presídios são espaços de tortura física e mental. Se o preso ou a presa não possui família para lhe fornecer roupas, itens de higiene pessoal e de limpeza, certos alimentos e outros produtos essenciais à sua sobrevivência, essa pessoa irá definhar no cárcere.

Diante dessa situação, um grande número de famílias de presos e presas são forçadas a comprometer boa parte de sua renda mensal fornecendo – pessoalmente ou via sedex – esses produtos de primeira necessidade aos seus parentes encarcerados. E nesse sentido a situação piorou com as restrições ao uso do selo social, que agora é condicionado à participação em certos programas governamentais de assistência social.

Esses enormes gastos, somados à toda a discriminação e a humilhação que sofremos, faz com que sejamos punidos duramente, junto com nosso parente preso.

Portanto, percebemos que o sistema prisional e o encarceramento em massa serve como fonte de lucros para alguns, e como fonte de votos para outros, já que é uma resposta fácil ao problema da segurança pública, e que conta com o apoio de uma grande parte da sociedade. No entanto, é uma resposta falsa, e só agrava o problema que deveria resolver. É por isso que se faz urgente uma mudança profunda no sistema penal e prisional, o que inclui acabar imediatamente com a barbaridade a que estão submetidos os presos, as presas, e suas famílias.

Criminalizar os incendiários? Não, os incendiados!

Mais uma sujeira contra o povo

A tal CPI dos Incêndios, que deveria investigar os incêndios criminosos que se multiplicam na cidade de São Paulo, até uns dias atrás não tinha feito porcaria nenhuma.

Acontece que os ilustríssimos vereadores  finalmente se reuniram, e mostraram a que vieram, e de quem eles são lacaios. Ao invés de investigar a verdadeira causa dos incêndios, ou seja, a sede por dinheiro de imobiliárias e empreiteiras, por meio da especulação imobiliária (ver aqui e aqui), os vereadores descartaram isso, e irão investigar os próprios moradores, que supostamente colocariam fogo onde vivem para conseguir o tal bolsa-aluguel de 300 a 400 reais por mês, o cheque-despejo disfarçado (ver aqui).

Essa decisão dos ilustríssimos vereadores não pode causar espanto a ninguém, afinal, eles tiveram suas campanhas financiadas pelas grandes construtoras e empreiteiras, além de receberem “doações” de associações ligadas ao setor imobiliário. Ou seja, os investigadores são pagos por aqueles que deveriam investigar (mais informações aqui).

Isso só mostra, mais uma vez, o obvio: que não podemos esperar nada que valha a pena destes representantes do poder econômico. 

Mais de 100 mil pessoas no bolsa-aluguel

Burrice ou malandragem?

Na semana passada alguns jornais divulgaram a notícia de que atualmente na cidade de São Paulo são mais de 27 mil famílias recebendo o tal auxílio-aluguel (ou seja, mais de 100 mil pessoas), num valor mensal que varia de R$ 300 a R$ 500. Se tomarmos o valor de R$ 400 como média, por ano se gasta aproximadamente R$ 130.000.000,00 (130 milhões de reais) em auxílio-aluguel.

Mas vamos pensar uma coisa: uma parte importante das famílias despejadas, por exemplo, foi vítima do Programa Mananciais. Acontece que esse programa foi concebido há 20 anos. Quer dizer, 20 anos não foi tempo suficiente para se construir as moradias ANTES de despejar as famílias? Isso pouparia a essas famílias muito sofrimento e insegurança, e pouparia muito dinheiro, que está sendo jogado fora com o pagamento dos auxílios-aluguel e de toda uma enorme estrutura empregada nos despejos. Se esse dinheiro fosse empregado numa verdadeira política habitacional, a situação seria bem diferente, mas não é esse o interesse do Estado e dos endinheirados.

Por outro lado, na cidade de São Paulo já existem uma infinidade de pessoas sem-teto ou vivendo em condições inadequadas (o tal déficit habitacional), e com a onda de despejos em massa em curso isso está se agravando. E mais uma vez perguntamos onde estão sendo construídas as milhares de moradias para essas pessoas todas?

A resposta a essas perguntas revela o descaso do “poder público” com relação à população pobre, e o compromisso do Estado com a especulação imobiliária.