Arquivo da categoria: Jd. Tangará

Vídeo sobre o Jd. Tangará

Vídeo com depoimentos e imagens do Jd. Tangará

Seguimos nossa saga de apresentar em sons e imagens um pouco da realidade das comunidades onde estamos atuando. Este vídeo é sobre o Jd. Tangará, com depoimentos que contam a história de construção de outra comunidade no distrito do Grajaú, e também da luta cotidiana e da resistência contra ameaças de despejo. Processos como esse, de discussão, registro, projeção, divulgação, fazem parte de um esforço para refletirmos e construirmos uma memória coletiva sobre a nossa realidade e a nossa história, de onde devemos tirar ensinamentos e força para as batalhas futuras.

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Demorô, mas chegou aqui também!

No dia 23 de fevereiro de 2010 algumas famílias que residem na Travessa Quilaraiba (Tangará) receberam uma notificação da EMAE – Empresa Metropolitana de Águas e Energia – SA.

Segundo um morador da comunidade “Vieram três representantes da EMAE e notificaram os moradores dando um prazo de 10 dias para retornar às casas que foram notificadas”. Na data do vencimento da notificação, dia 5 de março de 2010, um dos moradores entrou em contato com a EMAE afim de obter maiores esclarecimentos sobre o processo de remoções das casas.

A pessoa que o atendeu disse que a EMAE não retornaria no dia estipulado na visita anterior (23/02/10),  orém, informou que do dia 15/03 ao 20/03 estariam retornando à comunidade para fotografar as casas que foram notificadas.

A dúvida que permeia as cabeças das pessoas que receberam as notificações é: “como seremos indenizados?” algo que não foi esclarecido pelos representantes da EMAE.

Sarau do Jardim Tangará

Imagens do Sarau do Jd. Tangará

Neste último domingo, dia 07 de março, rolou o Sarau do Jd. Tangará. Um evento simples e humilde, mas onde vários artistas locais tiveram espaço para demonstrar seus talentos artísticos. Teve roda de B. Boys, música com o pessoal do Razallfaya, exibição de filmes, apresentação de palhaço com a Trupe da Lona Preta, além de rimas, batidas e poesias no microfone aberto.

A iniciativa foi também uma oportunidade de divulgar o surgimento da Rede  Extremo Sul e chamar a atenção para alguns dos problemas que aflingem os moradores da região,  ressaltando sempre o caráter comum da situação  pela qual passam as diversas comunidades da região.

Que outros eventos deste tipo se espalhem pela região.


Saíram os cheques e os contratos das famílias da Vila Brejinho

Finalmente saíram os cheques e os contratos das famílias da Vila Brejinho

O contrato

Desde o início de dezembro com casas inundadas e em risco, e depois de muita luta, as famílias da Vila Brejinho assinaram esta semana um contrato que lhes garante um auxílio-aluguel até que lhes seja entregue uma alternativa habitacional definitiva. Apesar de estar longe do ideal, essa proposta da prefeitura foi aceita devido à situação emergencial que as famílias se encontravam há tanto tempo, e agora vamos continuar lutando para que essa solução seja dada aos demais moradores do Pq Cocaia I que também estão em risco.

O que acaba de ocorrer na Vila Brejinho nos ensina muitas coisas importantes: primeiro, que só com luta e organização da própria comunidade é que é possível conquistar nossas reivindicações, porque antes da comunidade se mexer a única coisa que os moradores encontraram foram notificações de despejo, ameaças e portas fechadas.

Outra lição é que é mentira que moradores que estão em áreas supostamente privadas não têm direito a nada ou que a Prefeitura não pode fazer nada por eles (a não ser despejar), pois o terreno da Vila Brejinho, segundo os juízes, pertence à EMAE, uma empresa privada.

Por último, essa luta mostra a importância e a possibilidade de que tudo o que seja discutido ou prometido pela prefeitura seja colocado no papel, na forma de um contrato assinado pela prefeitura e por cada morador, que tem o direito a uma cópia. Só depois de pronto esse contrato é que os moradores devem assinar o que quer que seja, pois esse documento é a garantia de que amanhã ou depois a conversa não vai mudar.

Blog em Construção

Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP

Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP

Pelo direito à dignidade para o povo que vive em áreas de mananciais e arredores, no extremo sul de São Paulo

Estamos vivendo uma situação de verdadeira calamidade! Devido ao descaso do “poder público” e à ambição das elites dessa cidade, em nossas comunidades (Pq. Cocaia I/Jd. Toca, Jd. Lucélia/V. Nascente, Recanto Cocaia/Jd. Tangará, Jd. Prainha, entre outras), localizadas no extremo sul de São Paulo, ocorrem diariamente tragédias: enchentes, deslizamentos de terra e desabamento de casas. As perdas são incalculáveis; são muitas pessoas perdendo móveis, eletrodomésticos, alimentos, roupas, perdendo seus empregos, já que não é possível sair para o trabalho sabendo que qualquer chuva pode causar uma desgraça em nossa casa. São muitas as crianças doentes, infectadas por uma água imunda, pegando sarna, leptospirose, e várias outras enfermidades. Estamos todos traumatizados pelo desespero de vermos nossa vida e a vida de nossos familiares em risco, a cada chuva. Uma situação que não é possível traduzir em palavras…

E isso tudo numa região muito carente de infra-estrutura e serviços públicos. Em várias comunidades, como é o caso do Jd. Prainha e do Recanto Cocaia, por exemplo, padecemos com a falta de asfaltamento, de saneamento básico, de atendimento médico, de creches, de escolas próximas, e por aí vai.

Como se isso não bastasse, dezenas de comunidades que se localizam próximas à Represa Billings estão sendo despejadas, e outras tantas estão sob ameaça de despejo, por conta do “Programa Mananciais”, da “Operação Defesa das Águas” e de outros processos que visam atender aos interesses da especulação imobiliária. Todos sabemos que a região dos mananciais abrange uma área enorme, que inclui o Autódromo de Interlagos, regiões habitadas por ricos, grandes casas noturnas, que, é óbvio, permanecerão intocadas. As áreas ameaçadas são apenas a de comunidades pobres, compostas por milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que não tiveram opção, a não ser comprar seu pedaço de chão em loteamentos precários, resultado de uma articulação entre grandes proprietários, políticos, burocratas, imobiliárias e membros do aparelho judiciário. Esta história não se vê nas telas da TV, que mostram apenas uma versão distorcida e mentirosa da nossa realidade, alimentando preconceitos dos quais somos vítimas no dia-a-dia, repetidos por nossos patrões que muitas vezes nem imaginam que o funcionário ali ao seu lado vive naquela comunidade atingida pelas enchentes, ou ameaçada de despejo.

A necessidade de preservação do meio ambiente – com o que estamos de pleno acordo – pode e deve ser feita respeitando os direitos da população pobre. Portanto, nós, moradores de comunidades carentes, ameaçadas de despejo e vítimas das enchentes, exigimos do poder público a garantia de nosso direito à moradia digna e aos serviços públicos fundamentais.

Quando muito, diante da nossa atual tragédia, a resposta do Estado tem sido os albergues, as passagens para o “Norte”, os cheques-despejos (cada hora num valor, mas sempre muito baixos) disfarçados de “auxílio-aluguel”. Ao contrário, exigimos a construção de um projeto participativo e popular de reurbanização de nossas comunidades que una a preservação ambiental à garantia de moradia e de outros direitos sociais assegurados a nós, pelo menos na teoria, pela Constituição. E, de imediato, exigimos uma SOLUÇÃO EMERGENCIAL às tantas famílias que têm perdido tudo o que construíram com tanto esforço, e cuja própria vida está ameaçada, em função da segregação social, da falta de planejamento urbano e da ganância dos que se dizem “poderosos”.

Apelamos à solidariedade de todos os que apóiam a luta do povo da periferia. Porém, aproveitamos para lembrar que temos convicção sobre os nossos objetivos, que não estamos pedindo favor, mas lutando pelo que é direito nosso, e que não cairemos no canto da sereia de oportunistas que quiserem tirar proveito de nossa tragédia. Alertamos também que a maneira como os políticos e o “poder público”, em todos os níveis de governo, se posicionarem frente à nossa situação será lembrada – e cobrada – pela via eleitoral, e principalmente por meio de nossa organização cotidiana.

São Paulo, fevereiro de 2010

Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP

redeextremosul@gmail.com