Às Empreiteiras, Tudo! Ao Povo em Luta, Nada…

Há mais de um ano, quando sentamos pelas primeiras vezes com membros da Prefeitura para discutir a situação de algumas ocupações do Grajaú, ficávamos surpresos quando ouvíamos a Subprefeita Cleide Pandolfi falar com tranquilidade que os terrenos municipais estavam reservados “às nossas empreiteiras”. Sabíamos que existiam fortes vínculos entre as grandes construtoras e os governos, mas pensávamos que a coisa não era tão escancarada.

Achávamos que com a multiplicação das ocupações e das lutas por moradia esse quadro poderia mudar, mas ele só piorou. Repete-se incessantemente que o “poder público” não pode direcionar recursos para o atendimento de uma demanda específica, apresentada por um movimento popular, por exemplo, pois isso “furaria” a “fila de espera”. Mas permitiu-se que as empreiteiras firmem acordos com os “movimentos sociais” para que essa demanda seja direcionada. Ou seja, os governos não podem avaliar a legitimidade e a necessidade de atendimento de uma demanda específica, por meio de critérios rigorosos e francamente debatidos, mas as empreiteiras podem fazer isso, sem nenhum tipo de discussão.

Fora isso, não se apresenta as tais listas de espera, e nem se discute seu verdadeiro caráter. Totalmente desacreditadas, objeto de comércio e de barganha político-eleitoral, essas tais listas existem justamente porque a questão habitacional e urbana é gravíssima, e não existe perspectiva de resolução dela por parte do Estado. Trata-se de um “engana trouxa” e de uma forma de naturalizar e legitimar a falta ou a precariedade da situação de moradia de milhões de pessoas. É um absurdo, que vira argumento para criminalizar quem luta para combater esse quadro. O “Programa Minha Casa, Minha Vida”, que se tornou praticamente a única política habitacional do país, é dominado por uma dúzia de grandes empreiteiras – tradicionalmente, as principais financiadoras de campanha -, que recebe a garantia do governo de lucros extraordinários, sem risco, muitas vezes em troca de obras mal localizadas e de péssima qualidade, que submete os seus empregados a condições degradantes de trabalho etc.

Uma pequena fração desse assalto bilionário (cerca de 1% do orçamento total do programa), seria usada para atender à demanda de movimentos sociais, por meio de “entidades”, e quando isso ocorre, cerca de 2% do valor total dessas obras vai para o caixa desses movimentos, o que muitas vezes compra a sua subserviência e acaba com qualquer compromisso com a luta contra a desigualdade, a exploração, e pela construção de relações sociais de cunho solidário e emancipador. No interior desse grande “pacto” envolvendo Estado, grandes grupos econômicos e movimentos sociais, até a pequena brecha para a realização de obras autogeridas é fechada, e tudo fica entregue à podre aristocracia imobiliária, cujas maracutaias atingem uma dimensão tão ampla e estrutural que não dá mais para esconder, como a grande mídia tem noticiado em relação à tal “Operação Lava Jato”.

Num contexto brutal como esse, que acorrenta definitivamente a questão habitacional e os governos aos interesses vorazes e destrutivos do capital imobiliário, e converte os movimentos de moradia em lobistas, que seguem rigorosamente as regras desse jogo podre, e se limitam a brigar por migalhas desse “bolo”, torna-se utopia questionar coisas fundamentais, sem as quais nada muda: a propriedade privada, o império do lucro, a necessidade de pensar o espaço urbano como um todo, sem apartar a questão da moradia das demais dimensões essenciais da vida, como o deslocamento, a produção da cultura e da comunicação, a saúde, e assim por diante. Enquanto não sairmos dessa inércia e do pragmatismo, encarando sem jogo de cena os verdadeiros embates, continuaremos escondendo nossa impotência por detrás de falsas conquistas. Além de uma meia dúzia de burocratas, quem lucra com isso são os nossos inimigos. E nós continuamos acumulando derrotas, e perdendo a capacidade de reação e de construção de outros caminhos.

A Luta das Ocupações do Extremo Sul e a Especulação Imobiliária

Especulação Imobiliária e Construção de Moradias no Extremo Sul

Sobretudo na última década nossa região foi alvo de despejos em massa,  em meio a um processo brutal de especulação imobiliária, que levou às  alturas o custo da terra e dos aluguéis, e agravou um já terrível  problema habitacional. As ocupações em nossa região foram uma resposta  popular a esse quadro, porém a situação permanece crítica. Apesar de  terras imensas estarem abandonadas há décadas, assim que ocorreram as  ocupações apareceram donos, liminares de reintegração de posse e  projetos habitacionais. E acabamos por abrir uma caixa preta…
mapa_zeisUma região em que boa parte das terras é grilada, endividada, cheia de  entraves judiciais, e que é ambientalmente frágil, concentra a imensa  maioria das áreas de ZEIS 4 da cidade, destinada à construção de  habitação popular. Isso ocorre porque as terras aqui eram  relativamente baratas, o que tornaria os empreendimentos habitacionais  mais lucrativos, com base nas regras do Programa Minha Casa, Minha  Vida. Nesse programa, as construtoras recebem um volume de dinheiro  fixo por unidade habitacional, e esse montante deve servir tanto para  executar a obra, quanto para comprar o terreno. Assim, quanto mais  barato o terreno (ou seja, mais distante das áreas centrais, com  infraestrutura mais precária etc.), melhor para a construtora.
Por meio da legislação de ZEIS, as empreiteiras, valendo-se da  
Prefeitura, buscaram criar aqui uma reserva de mercado, e um banco de  terras baratas. Ainda assim, a produção de moradias não deslancha por  aqui, e ao invés de rebaixar o preço da terra, o quereprsesa ocorreu na  prática foi uma supervalorização. Para se ter uma ideia, em um  loteamento em frente à Ocupação Jardim da União, no Varginha, o  terreno de 5 X 25 metros custa cerca de 150 mil reais. E uma área  próxima a Avenida Teotônio Vilela foi leiloado por 300 mil reais há  uns quatro anos; no ano passado o terreno foi colocado à venda por 7  milhões, e este ano esse valor aumentou para 18 milhões de reais. Mas  para o grande capital imobiliário, uma alternativa já havia sido  construída: o governo municipal está desapropriando quase todas as  áreas viáveis para a construção de moradias, para entregá-las  gratuitamente às grandes empreiteiras, por meio do tal Fundo de  Arrendamento Residencial (FAR). Assim, quando os governantes dizem aos  movimentos para apresentar uma área viável para a construção de  moradias, trata-se de uma hipocrisia, já que as terras propriedadejá estão  previamente comprometidas ou são caras demais para comprar com recursos do programa. Ou os governantes garantem áreas para  atender à demanda de moradia do povo em luta, ou novas ocupações  ocorrerão, a construção de moradias continuará inviabilizada, e o  problema só irá se agravar.

Apresentação do Grupo de Capoeira do Jardim da União

Registro da Apresentação do Grupo de Capoeira do Jd da União

O vídeo a seguir registra um pouco da apresentação do grupo de capoeira do Jd. da União na última festa. Todo Poder ao Povo!

Registro da Passeata da Saúde

Passeata da Saúde da Ocupação Jardim da União

A negação de atendimento às famílias do Jardim da União revela como o Estado trata a população que luta, e que não é trouxa de acreditar em promessa de eleição, de tirar comida do prato para pagar um aluguel que não para de subir, de achar normal que terras enormes fiquem abandonadas, enquanto o povo vive em situação precária. Como se não fossem gente, as famílias da ocupação encontravam as portas dos postos de saúde fechadas, independente da gravidade de sua doença.
Mas essa situação não se repetirá. Não aceitaremos discriminação!
Todo Poder ao Povo!

AGORA: Jd. da União Luta pela Saúde

AGORA: PROTESTO PELO ATENDIMENTO DE SAÚDE DOS MORADORES DA OCUPAÇÃO JD. DA UNIÃO

Um conjunto de moradores do Jardim da União realizam neste momento uma marcha silenciosa até a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Chácara do Conde, cobrando explicações sobre a negação de atendimento às famílias da Ocupação.
Gestantes, idosos, recém-nascidos, pessoas com doenças graves e em tratamento com remédios controlados, e qualquer um que busque atendimento nos postos de saúde da região encontra portas fechadas no momento em que os funcionários descobrem que o paciente reside na Ocupação.
Qualquer pessoa que depende do sistema público de saúde sabe que o atendimento nas UBSs é a base para qualquer outro atendimento especializado, incluindo o fornecimento de remédios, o agendamento de exames e cirurgias etc. Nesse sentido, a discriminação contra os moradores do Jardim da União é uma violência sem tamanho, praticamente uma condenação à morte das pessoas com alguma doença grave.
Segundo o gerente da UBS Chácara do Conde a ordem para a negação do atendimento partiu da Subprefeita da Capela do Socorro, Cleide Pandolfi. E o argumento mobilizado pelos atendentes dos postos de saúde é a ausência de um endereço. Ocorre que a Ocupação Jardim da União existe há mais de 1 ano, e possui endereço, ruas amplas, as casas possuem números, o acesso é fácil, o espaço é organizado.
Não existe assim qualquer razão verdadeira para essa terrível negligência, apenas o preconceito e o sadismo por parte dos gestores das UBSs e da Subprefeitura, muito mais preocupados com cifras do que com as necessidades da população.
Caso esse quadro não mude imediatamente, as famílias do Jardim da União iniciarão uma jornada de lutas para combater a discriminação e garantir o atendimento nas UBSs.
(Segue aí o link de um vídeo no qual algumas moradoras relatam a falta de atendimento: https://vimeo.com/110124528).
Contatos:
Sandra: 981598698
Valéria: 966987071
Sônia: 961317816

Denúncia Jardim da União

Subprefeitura nega atendimento de saúde às famílias do Jardim da União

O vídeo abaixo mostra o depoimento de algumas mulheres do Jardim da União que tiveram atendimento negado em postos de saúde, para si próprias ou para seus bebês. Algumas delas foram conversar com o gerente de um dos postos, e foram informadas que se trata de uma ordem da Subprefeitura da Capela do Socorro, Cleide Pandolfi, que já cometeu inúmeras violências contra as famílias do Jardim da União. Além dos despejos, da violência policial, do cinismo, das mentiras, os moradores do Jardim da União são brutalmente discriminados, como se não fossem pessoas, e são impedidos de marcar exames, cirurgias, consultas médicas, de pegar remédios, de fazer pré-natal etc.

Junta-se uma “administradora” psicopata, lacaia das grandes empresas, com um sistema de saúde extremamente precário e dominado por empresas que colocam os lucros acima das necessidades das pessoas, e é isso que dá. Mas esse quadro irá mudar, e as famílias do Jardim da União sabem bem como realizar essa mudança… Todo poder ao povo!

Viva a Creche “Filhos da Luta”

Registro da Inauguração da Creche “Filhos da Luta”

O vídeo mostra alguns momentos da inauguração da creche “Filhos da Luta”, do Jardim da União, incluindo a homenagem prestada pelo grupo de espanhol da ocupação. São pequenas iniciativas e experiências feitas por nós e para nós, produzindo respostas às nossas necessidades cotidianas, ao mesmo tempo em que buscamos assumir o controle das nossas próprias vidas e romper com as hierarquias, a passividade, o assistencialismo, a dependência em relação aos endinheirados e aos politiqueiros, e por aí vai.

Todo Poder ao Povo!

Convite para a FESTA DA UNIÃO! Venham comemorar a luta! Todo poder ao povo!

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Sobre a Luta de Ontem

Sobre a Luta de Ontem

10622950_707435945992743_2011495102212601728_nFizemos ontem mais uma luta no centro de São Paulo. Como relatamos nas postagens anteriores, apesar das tantas lutas e tantas negociações com o governo municipal e estadual, e dos compromissos assumidos, pouco se avançou na solução definitiva para as famílias do Jardim da União e do Jardim da Luta. Diante disso e de todas as conversas que foram feitas, apresentamos nós mesmos uma proposta, há cerca de 15 dias, e fomos às ruas para exigir uma resposta a ela.

Planejamos uma série de ações simultâneas, começando pela10653721_707435929326078_1102820563834086720_n ocupação da CDHU e da Secretaria Estadual de Habitação, levando para lá nossos colchões, fogões, alimentos, com a disposição de passarmos ali vários dias. Bloqueamos a Rua Boa Vista, e iniciamos uma panfletagem pelo centro, para que as pessoas que circulam na região soubessem dos motivos do nosso protesto, a falta de solução para a demanda por moradia das famílias do Jardim da União e do Jardim da Luta, e a ameaça de despejo de centenas de famílias.

acorrentadosPoucos minutos depois da primeira ação, parte de nós fizemos um acorrentamento na Secretaria Municipal de Habitação e um protesto na Rua São Bento. Em menos de 20 minutos fomos convidados para uma reunião com os Secretários Municipal e Estadual de Habitação, a Secretária Municipal de Planejamento, e alguns de seus assessores.

Nessa reunião, que foi bastante objetiva, foi indicado um terreno10686596_707436055992732_15091362715300450_n viável para a realização de um projeto habitacional gerido por nós, com o apoio financeiro do governo municipal, estadual e federal; e se realizará um estudo de outros terrenos desse tipo, cujo resultado será apresentado em nova reunião, no dia 17 deste mês.

Esse encaminhamento pareceu bom, já que até então em todas as boa vistaáreas que discutíamos havia um impedimento, um projeto em desenvolvimento, um compromisso previamente assumido com as empreiteiras etc. Além disso, a secretaria municipal de habitação se dispôs a ajudar a resolver alguns empecilhos técnicos para a viabilização de um projeto habitacional no terreno do Jardim da Luta.

Essa luta ainda está longe do fim, mas parece que a primeira etapa, a do acesso à terra, começa a ser superada, graças à nossa persistência e à nossa organização. Todo Poder ao Povo!

Jornada de Lutas

Ocupação da CDHU e Acorrentamento no SEHAB

 

Como os compromissos firmados com o Jardim da União envolveram governo estadual e municipal, além de ocupar a CDHU e bloquear a rua Boa Vista, iniciamos um acorrentamento na SEHAB. E a jornada está apenas começando!

Jornada de Lutas

Nova Ocupação da CDHU

 

Mais um dia de protesto contra o império das empreiteiras e pela conquista de um projeto habitacional que atenda à população em luta.

Desde que ocorreu a onda de ocupações no Extremo Sul de São Paulo, há mais de um ano, temos feito inúmeras lutas e reuniões com membros do poder público no sentido de garantir o atendimento habitacional a centenas de famílias do Extremo Sul de São Paulo, vítimas dos despejos e da especulação imobiliária que fez o custo da terra e dos aluguéis explodir em nossa região.

Nesse período, foram firmados diversos compromissos, repetidamente descumpridos ora pelo governo municipal, ora pelo estadual.

No início de junho, diante de um despejo iminente, os membros da Ocupação Jardim da União fizeram um protesto na CDHU, onde conquistamos a suspensão do processo de reintegração de posse por seis meses, para que se tivesse tempo para se encontrar uma solução à demanda da ocupação. Nessa ocasião, ocorreu uma reunião com os Secretários Municipais de Planejamento e de Habitação, e com o Secretário Estadual de Habitação, em que foram agendadas duas reuniões técnicas (envolvendo SEHAB, COHAB, CDHU e CETESB) e uma reunião final (no dia 29/08) para formalização de uma proposta definitiva.

Com atrasos, essas reuniões ocorreram, mas não houve proposta. Assim, o tempo está passando, o prazo de suspensão do processo está se esgotando, e não há sinal de solução. Diante disso, e das informações levantadas nas tantas reuniões que tivemos com técnicos e com os Secretários de Habitação do Estado e do Município, com o Presidente da CDHU, com a Secretária Municipal de Planejamento, com o Prefeito, entre outros, há cerca de 15 dias nós apresentamos aos últimos uma proposta, que segue anexada, e não obtivemos resposta.

É para cobrar um posicionamento efetivo e definitivo à nossa proposta que mais uma vez saímos às ruas, dando início a uma nova jornada de lutas.

Não deixaremos que nossa comunidade seja destruída e que tantas famílias sejam jogadas à sarjeta. TODO PODER AO POVO!

 

Contatos:

Sandra: 981598698

Renan: 953449271

Ari: 949341187

Seu Luís: 959645843

Biblioteca do Jardim da União

Inauguração da Biblioteca “La Lucha”

Pequeno registro da inauguração da Biblioteca “La Lucha”, do Jardim da União. Mais um espaço de organização feito por nós, para nós. Todo Poder ao Povo!

7o Relato da Trincheira – Jd. da União

7o Relato da Trincheira – Cooperativa de Costura

 Eis aí um pequeno vídeo da Cooperativa de Costura do Jardim da União. Foi a primeira tentativa de construção de um processo de produção auto-organizado na Ocupação, com companheiros e companheiras planejando, criando e executando juntos o trabalho. Além de um espaço de referência política do Ocupação, trata-se de um pequeno exercício de combate a algumas formas de opressão capitalista, com suas hierarquias, a separação entre quem pensa e executa as tarefas, o autoritarismo, a desqualificação de certas atividades em favor de outras, e assim por diante.

E a Cooperativa de Costura produz diversos ensinamentos que serão de grande valor para os outros espaços auto-organizados que estamos tentando construir, como a Cooperativa de Reciclagem, a Cooperativa de Educação Infantil, e a Cooperativa de Construção Civil.

Como disse um companheiro nosso, “a autogestão da luta nos prepara para a autogestão da sociedade”. Todo Poder ao Povo!

Vídeo: Encontro de guerreiros e guerreiras

Encontro das Ocupações e companheir@s

As Ocupações Jardim da Luta e Jardim da União caminham juntas desde o início das ocupações no extremo sul. Este vídeo é de um encontro na Ocupação Jardim da Luta com companheiros do Jd. da União, do bairro e do Cursinho Popular Raiz: capoeira, futebol, companheirismo, humildade, diversão entre lutadores, lutadoras e crianças e jovens crescendo na luta.  

Logo estaremos juntos de novo, só que dessa vez nas ruas de SP. A luta continua! Força pra nóis e todo poder ao povo!

 

Um Hino Nacional de verdade

O Verdadeiro Hino Nacional, com a Trupe da Lona Preta

Trecho da apresentação do “Perrengue da Lona Preta”, no barracão da Educação da Ocupação Jardim da União, durante a Copa do Mundo. Vale a pena ver agora, durante as eleições.