2 de Outubro: presente na memória e na luta

 Carandiru Nunca Mais

O Massacre do dia 2 de Outubro de 1992 no Carandiru foi relembrado nesta terça feira com um ato organizado pela Rede 2 de Outubro, saudando os 111 mortos computados, os outros tantos ocultados e seus companheiros sobreviventes. O ato inter-religioso deu início à manifestação que não só relembrava o massacre ocorrido, mas que também discutia os massacres atuais que fazem vítimas nas prisões e nas periferias, matando aos montes ou aos poucos, criminalizando os familiares e aprisionando cada vez mais.

Foi com falas, poesias e músicas que se reafirmou o dia 2 de Outubro como o Dia pelo fim dos massacres. O ato continuou com uma passeata até o Tribunal de Justiça e de lá seguiu para a Secretaria de Segurança Pública, onde se acenderam velas em homenagem à todas as vítimas do massacre do Carandiru e à todos os que continuam, cotidianamente, sofrendo com a  violência do estado em todas as suas formas.

A indignação continua presente, os 111 e seus companheiros e familiares continuam presentes. A luta permanece e estará sempre presente onde houver memória.

A Caminhada contra os Massacres, que ocorreria neste sábado, no Parque da Juventude, foi adiada. Quando for definida a nova data, divulgaremos. 

 

 

 

 

POEMA PARA UM 2 DE OUTUBRO

 Elvio Fernandes Gonçalves Junior

Cento e onze enterrados no chão.
Cento e onze de sangue quente,
derramado no frio da prisão.
Cento e onze no chão e a maioria, indiferente…
Cento e onze, carne crua, crueza!
Cento e onze e nenhuma certeza
pois as palavras de Ubiratan
valem por uma de satã…

Quem pagava com tempo
acabou pagando com a vida.
O fuzil na mão
contra a mão desnutrida,
O fuzil e a rajada
contra a mão desarmada,
O fuzil sem perdão
disparado pela mão desalmada.
Cento e onze no chão
e nenhuma pessoa envolvida foi condenada.

Derramado sem compaixão
abafado pelo judiciário da carniça
o sangue escorre ainda pelo vão
da memória, pela mão da injustiça.

Sessenta e oito envolvidos
não tornaram-se detentos,
– Porra! Filhos da puta! –
Os cento e onze já tinham se rendido!
Será que o ouvido
ainda escuta o grito? o gemido?
o choro? o medo? a dor?
O som da matilha
abafa o choro da família

Triste, triste essa história.
Cento e onze na memória.
Cento e onze e a súplica
que não devemos esquecer nunca
lancinante como um tiro na nuca
O choro da família ecoa ainda.
Cento e onze e um sofrimento.
Cento e onze e um desalento.
Cento e onze e a dor não finda.
Cento e onze, eu repito!

Cento e onze vítimas da violência,
cento e onze vítimas da brutalidade,
cento e onze vítimas da realidade
maldita do sistema carcerário,
do sistema da justiça brasileira!

Essa é mais uma nódoa de sangue na memória
rubro viscoso no verde da bandeira!
mácula forte manchando a história brasileira
feita do sangue de quem morreu injustiçado
e da gargalhada de quem se esconde acomodado.

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