Arquivo do mês: maio 2012

Saúde no Extremo Sul

Respostas às reivindicações sobre a UBS Eliana

No dia 7 de maio fizemos um pequeno protesto em frente à UBS do Jardim Eliana, e apresentamos à Coordenadoria e à Supervisão Técnica de Saúde uma série de denúncias e de reivindicações, sobre os problemas de estrutura, a falta de médicos, a dificuldade na realização de consultas e exames, entre várias outras. Nessa ocasião foi acertado que no dia 24 seria apresentado um plano de ação para resolver esses problemas.
Diferente do que costuma acontecer quando se trata de dar uma resposta à população, dessa vez o que foi combinado foi cumprido, numa reunião que contou com a participação de membros desses órgãos, de membros do conselho gestor, de referências comunitárias etc. E os membros da Coordenadoria e da Supervisão foram atenciosos, e ao invés de tentarem nos enrolar, estipularam até o dia da reunião como prazo máximo para implementar as mudanças.
Clicando no documento abaixo, é possível ver um resumo do que foi apresentado. Dessas respostas, a gente pode destacar: o fim das filas de madrugada e das senhas, a criação de um consultório no andar térreo para atender pessoas com necessidades especiais, a reforma do banheiro, a compra de materiais e remédios que estavam em falta, o atendimento obrigatório de todos os usuários que procuram o posto por um(a) enfermeiro(a), a presença permanente de um agente de saúde para orientar e informar os usuários, entre outras.
Mas tem duas coisas muito importantes: para que essas mudanças aconteçam na prática e sejam boas, a população usuária precisa ficar atenta, e assumir sua responsabilidade no controle do funcionamento da UBS. Além disso, sobre a questão da reforma e da ampliação da UBS, bem como da construção de outras UBSs e outras unidades de saúde (de saúde mental, Pronto-Socorro, Hospital), que é algo fundamental para resolver o caos do sistema de saúde no Grajaú, não existe nada concreto (só uma previsão no tal do “Plano Plurianual”, que vai até 2013).
Ou seja, a luta está apenas começando!!!

A luta do transporte

Sobre a greve dos Metroviários

Muito se falou, anteontem, sobre o caos na cidade de São Paulo, com a paralisação parcial dos trabalhadores do metrô. A reação mais comum do governo, da grande mídia, e mesmo dos usuários que foram prejudicados pela paralisação foi a de condenar os manifestantes, chamando-os de irresponsáveis, de privilegiados etc.

Isso é errado, pois tanto o Estado quanto as empresas procuram sempre precarizar a situação do emprego e rebaixar os salários, em benefício próprio. Então, até para se manter no mesmo nível, ou seja, para não ver seu ganho diminuindo e seu trabalho piorando, os trabalhadores e trabalhadoras precisam se organizar e lutar, quer queiram, quer não .

Porém, é também obrigação daqueles e daquelas que lutam pensarem sempre sobre quais as melhores formas de se lutar, e em como integrar suas lutas. Não sabemos a situação do sindicato dos metroviários, nem a disposição da sua “base”, e sabemos que na atual conjuntura a repressão poderia ser violenta; além disso, não queremos e nem estamos em condições de fazer julgamentos, mas ao invés de paralisar os serviços, parece que muito melhor teria sido abrir as catracas. O sindicato disse que propôs isso ao governo, que não autorizou. Mas desde quando é preciso pedir autorização para lutar? Por um acaso o governo e as empresas autorizaram a greve? É evidente que não.

É fundamental não permitir a burocratização da luta direta, que é uma das poucas armas que dispomos contra os patrões e os burocratas do Estado.

O tal “caos” no trânsito de São Paulo mostra o poder que os trabalhadores e trabalhadoras do sistema de transporte público têm em suas mãos, mas esse poder precisa ser usado em favor do conjunto da população trabalhadora. Para realmente ter força, é preciso converter as  reivindicações de uma categoria em uma luta que é do povo. É essa a lição que tiramos da paralisação de quarta-feira. E que a luta não pare por aí, mas que se desdobre numa luta por melhores condições de transporte e por sua gratuidade.

Fim de semana na quebrada

Registro do teatro no Parque Cocaia I

Deixamos aqui um breve registro da atividade cultural no último final de semana no Pq Cocaia, e também um salve aos companheiros do Coletivo Partida Teatral, que com a peça “Se um existe o outro some” trataram de questões que vivemos em nosso dia-a-dia, como a da exploração do trabalho, a dos despejos, e a da resistência do povo. 


Ato-panfletagem

A saúde pública está morrendo…e o povo se organizando

Para protestar contra a precariedade da saúde pública no extremo sul, para discutir como nosso sofrimento, mais uma vez, tem servido como fonte de lucro para uns poucos, e também para aproximar mais gente da luta que temos tentado travar, em torno da questão da saúde, hoje à noite o terminal Grajaú e seus arredores foram “invadidos” por manifestantes, panfletos, vídeos-denúncias, batucada, marchinhas, intervenção teatral etc.

É mais um pequeno passo nessa tentativa de juntar a nossa revolta, e transformar ela em organização, sem oportunismo e sem conversa mole, para mudar nossas condições de vida. E para que o nosso sangue deixe de ser sugado por esse maldito sistema. 

E pra quem não conseguiu chegar, segue aí a marchinha que cantamos hoje:

O vampiro da saúde suga tudo e vai embora…………………………………. i agora, i agora
O Kassab privatiza e a saúde só piora…………………………………….. i agora, i agora
É promessa e mais promessa e o prefeito só enrola………………………….i agora, i agora
As OS pega a grana e a saúde não melhora……………………………………….i agora, i agora

Saúde no Extremo Sul

Ato-Panfletagem Hoje

6 anos dos Crimes de Maio

Os Crimes de Maio e a organização popular

No mês de maio, há seis anos, em poucos dias as polícias do Estado de São Paulo assassinaram várias centenas de moradores da periferia, em geral jovens e negros – para elas o perfil do suspeito, do inimigo.

Em inúmeras quebradas foram instituídos toques de recolher, e o pânico se instaurou entre a população pobre, pois todos sabíamos que a polícia queria sangue, e ninguém estava a salvo. Pessoas envolvidas ou não com o crime organizado tiveram sua sentença de morte decretada, pois seus bairros e suas rotinas lhes condenaram a estar “na hora errada, no lugar errado”. Voltar para a casa depois de um dia inteiro de trabalho e/ou de estudo foi o crime cometido por muitos, que lhes custou a própria vida. E assim, tantas famílias foram destruídas, sem possibilidade de reconstrução.

Esse Massacre contra a população pobre não foi o primeiro, e nem inaugurou a pena de morte neste país – que só não existe na lei, mas sim na prática, que é o que importa. Ele é cotidiano, como mostra a multiplicação dos “autos-de-resistência seguida de morte”, o fato de o Brasil ser o país em que mais se cometem homicídios, o encarceramento em massa etc.

Os Crimes de Maio de 2006 cometidos pelo Estado, por meio de suas polícias e grupos de extermínio, tiveram uma amplitude e uma brutalidade descomunal, pois deveriam servir como exemplo. Mas talvez ninguém mais falasse sobre esse episódio terrível, não fosse a dedicação e a coragem de um conjunto de familiares de vítimas, que desde então luta para não deixá-lo cair no esquecimento, e para combater os massacres cotidianos.

A iniciativa das Mâes de Maio, assim como outros grupos que se organizam para combater a violência de Estado, como a Rede de Comunidades contra a Violência (RJ), apontam para uma situação em que os massacres deixem de ser considerados normais e legítimos. E demonstram que ao invés de nos fecharmos em nossas tragédias pessoais, caindo no isolamento e sucumbindo ao desespero, precisamos encontrar nelas a força para nos organizarmos, para nos unirmos a outros tantos na mesma situação, e para irmos à luta, de modo que nosso sofrimento não seja em vão, e para que nossas vidas adquiram valor e significado. Do contrário, os governantes, as elites, os juízes, os políticos, as polícias vão continuar nos reduzindo a nada, a nos assassinar, a nos explorar, e a nos descartar quando bem entenderem.

Teatro no Pq Cocaia I

Especulação imobiliária e corrupção

Os milagres dos governantes

No mesmo dia, a grande imprensa publica duas notícias que se complementam. A primeira é que, segundo um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, 62% dos habitantes de São Paulo não tem condições de comprar uma casa, e que 33% das famílias brasileiras são sem teto ou não tem moradia adequada (veja aqui), o que segundo o último levantamento do IBGE é ainda pior (43% das habitações brasileiras seriam inadequadas).

A outra notícia é que um Diretor da gestão Kassab, que entre 2005 e 2012 foi responsável por aprovar obras imobiliárias na cidade de São Paulo, adquiriu nesse período mais de 100 imóveis, no valor de mais de R$ 50 milhões. E isso declarando no imposto de renda uma renda mensal de R$ 20 mil! (veja aqui).

Eis aí o milagre da “multiplicação dos imóveis”, junto ao repetido milagre de enriquecer ainda mais os endinheirados, e de jogar a população em condições terríveis de existência.

Mas a questão que fica é: deixaremos esses desgraçados continuar a realizar o milagre de conter nossa revolta?

Despejo da Ocupação Eliana Silva

Novo massacre em Belo Horizonte 

Já escrevemos sobre as ameaças de despejo à Ocupação Dandara, e outras ocupações de Belo Horizonte (aqui, aqui e aqui), onde existe uma enorme quantidade de pessoas sem-teto, ou sofrendo com o aluguel. Nessa cidade o povo tem se organizado e lutado duramente contra essa situação, sempre enfrentando com coragem a truculência por parte dos governantes, dos juízes, das polícias e dos endinheirados.

Nesse sentido, um conjunto de famílias realizou há pouco tempo uma nova ocupação, a Ocupação Eliana Silva, que neste final de semana foi palco de um novo massacre contra aqueles que lutam. Apesar da dura resistência, cerca de 300 famílias foram despejadas sem nenhuma alternativa, com o emprego de enorme violência por parte da PM.

Trata-se do mesmo tipo de ataque que foi feito à ocupação do Pinheirinho, e a tantas outras, e o seu significado e importância são os mesmos, independente do tempo de ocupação e do número de pessoas que nela moravam: uma vitória do Estado e das empresas contra o povo organizado, que revela bem quais as forças em disputa, e desmente os discursos de conciliação de classes.

Diante disso, não há saída se não aprofundar, multiplicar e fortalecer o exemplo da Ocupação Eliana Silva!

Toda solidariedade às suas famílias, nesse momento tão difícil!

Recomendamos a leitura do texto sobre a Ocupação Eliana Silva e o despejo de seus moradores aqui, e alguns vídeos aqui.

Cine-Comunidade e Circo da Lona Preta

Saúde no Extremo Sul

Vídeo do Protesto no Jd. Eliana

Saúde Pública no Extremo Sul

Agora, o protesto é no Jd. Eliana

Revoltados com a situação caótica da saúde pública na região, moradores do Jd. Eliana e de outros bairros do Grajaú realizaram hoje um protesto na UBS do Jd. Eliana, denunciando a situação e exigindo mudanças.

Independente das promessas que certamente serão feitas, não iremos recuar até que esse quadro realmente mude em favor da população da região.

Saúde Pública no Extremo Sul

Vídeo sobre a Saúde no Pq Cocaia

Neste vídeo, algumas moradoras do Parque Cocaia contam como é o atendimento de saúde na região, principalmente na UBS do Eliana, onde são obrigadas a passar, já que não existe uma UBS no Cocainha.

E a pilha de denúncias só vai aumentando, junto com a revolta e a necessidade de lutarmos para mudar essa situação.