Massacre do Carandiru

O Massacre de cada dia

Ao mesmo tempo em que acontecia o ato no Parque da Juventude, lembrando o Massacre do Carandiru, nós, aqui no Extremo, fazíamos eco. Lembrando e discutindo o Massacre no nosso sarau, não como uma peça de museu, uma história morta, mas como um episódio muito revelador do caráter sanguinário das elites, que diretamente ou por meio do Estado, e com o apoio da grande mídia, promovem cotidianamente o massacre, na guerra de classes em que vivemos. As centenas de mortos no dia 2 de outubro de 2002, com o pretexto de uma rebelião, as centenas de mortos em 2006, com o pretexto de outra rebelião, os genocídios anuais, sobre o velho pretexto da ordem, o encarceramento em massa, a perseguição e os atentados contra militantes que não aceitam essa situação. Eis o nosso maravilhoso progresso, o progresso do deus dinheiro.

É preciso reagir!

Segue abaixo um poema do camarada Elvio, recitado no sarau, com o tema do Massacre do Carandiru.

2 DE OUTUBRO

Cento e onze enterrados no chão.
cento e onze de sangue quente,
derramado no frio da prisão.
Cento e onze no chão
e a maioria, indiferente…
Cento e onze, carne crua, crueza!
cento e onze e nenhuma certeza
pois a palavra de Ubiratan
vale por uma de satã…

 

Quem pagava com tempo
acabou pagando com a vida.
O fuzil na mão
contra a mão desnutrida,
O fuzil e a barulhada
de tiro contra a mão desarmada,
O fuzil sem perdão
disparado pela mão desalmada.
Cento e onze no chão
e nenhuma pessoa envolvida foi condenada.

 

Derramado com injustiça
pela nossa conhecida justiça,
o sangue escorre da vida
de cento e onze na mira
do maldito esquecimento;
cento e onze viveram o sofrimento!

 

Sessenta e oito envolvidos
não tornaram-se detentos,
porra! Filhos da puta!
Os cento e onze
já tinham se rendido!
Será que o ouvido ainda escuta
o grito? o gemido?
o choro? o medo? a dor?
Escuta, maldito, e lembra!
Os cento e onze também sentiam amor!

 

Triste, triste essa história.
Cento e onze na memória.
O choro da família ecoa ainda.
Cento e onze e um sofrimento
Cento e onze e um desalento.
Cento e onze e a dor não finda.

 

Cento e onze, eu repito!
Cento e onze vítimas da violência,
cento e onze vítimas da brutalidade,
cento e onze vítimas da realidade
maldita do sistema carcerário,
do sistema da justiça brasileira!

 

Essa é mais uma nódoa de sangue na bandeira!
Dentre as outras existentes,
há o sangue destes mortos injustamente.
Existem cento e onze na memória,
pois é triste, é triste essa história,
relembrada hoje, neste dia,
através de uma fraca e simples poesia.

 

Elvio Gonçalves Fernandes

Anúncios

Uma resposta para “Massacre do Carandiru

  1. Deixa estar jacaré, a lagoa há de secar.
    Se segura malandro, pra fazer a cabeça tem hora.
    Zumbi, comandante guerreiro.
    Trate a teu próximo como queres que te trate.
    Amor, amor, amor é primeira lição.
    O povo unido jamais será vencido.
    Não são palavras de ordem, são palavras de homem.
    e por agora…
    …Paz na Terra aos homens de boa vontade e aos homens de má vontade também.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s