Arquivo do mês: março 2011

Despejo violento na Vila Natal

Truculência do Estado na Vila Natal

Com uma ordem de despejo nas mãos, funcionários da Prefeitura e a polícia despejaram ontem treze famílias na Guanabara, Vila Natal. A reintegração de posse foi pedida pela CPTM, “dona” do terreno onde se encontra essa comunidade com cerca de 1200 famílias. Ainda não temos informações precisas, mas existe risco desse despejo continuar e atingir várias outras casas.

Às famílias despejadas não foi dada nenhuma alternativa habitacional, e nem mesmo o bolsa-aluguel. Ontem elas ocuparam um galpão para se abrigar, mas também foram despejadas de lá. Para completar essa situação terrível, a Subprefeitura da Capela do Socorro se comprometeu a fornecer cestas básicas e colchões às famílias, mas eles foram entregues às famílias erradas!!! E depois, percebendo o erro, ainda quiseram pegar de volta…

Os governantes e as elites mais uma vez declaram que estão em guerra contra a população da periferia. Precisamos encarar esse fato e nos organizarmos para reagir, rapidamente. Do contrário, essas barbaridades vão continuar a se multiplicar.

Polícia Militar em área de risco

Criminalização da pobreza

A prefeitura de São Paulo declarou que vai ampliar mais uma operação de criminalização da pobreza. Ontem foi noticiado nos jornais que a operação Delegada, que já atua contra o comércio ambulante em diversos bairros, vai se ampliar para as periferias e incluirá também a fiscalização de áreas de risco, para combater ocupações. A Polícia Militar será contratada, em seus períodos de folga, para reprimir ocupações “irregulares” e atividades comerciais. Com isso, o Estado pretende tomar os meios de vida do povo da periferia.

A contratação será feita pelas Subprefeituras e a parceira com o governo do estado conta com o recurso de 100 milhões de reais, para colocar 3.500 homens trabalhando. Além da Secretaria Municipal de Habitação declarar explicitamente que contrata jagunços para ameaçar população que está sendo despejada, e da grande maioria das Subprefeituras serem comandadas por coronéis (22, das 31 que existem em SP), ainda querem colocar a polícia nessas regiões. Quer dizer, quando o Estado aparece, é apenas para criminalizar a pobreza e destruir as formas que o povo construiu.

Isso é uma ameaça ao povo, e mais uma arma que será usada para a realização ainda mais violenta dos despejos em massa que estão em curso. Não podemos permitir que mais instrumentos contra o povo se instalem em nossas trincheiras!

Prefeitura joga entulhos no Córrego

Até onde chega a irresponsabilidade da Prefeitura

Se não bastasse o despejo absurdo dos moradores da Vila Joaniza que haviam sido coagidos a sair de suas casas, antes que a comunidade se organizasse, a Prefeitura consegue ir além. Com um forte aparato da Guarda Ambiental e da Guarda Civil Metropolitana, as casas dessas pessoas têm sido demolidas, e os entulhos produzidos têm sido simplesmente despejados no córrego!!! Eis aí a grande preocupação da Prefeitura com a segurança dos moradores, a prevenção das enchentes e com a preservação ambiental.

A luta das ocupações de Belo Horizonte

O lucro acima da vida

Novamente, as ocupações Dandara, Irmã Dorothy e Camilo Torres, localizadas em Belo Horizonte, Minas Gerais, denunciam a ameaça de despejo iminente de mais de 1200 famílias. Em meio a uma luta sem fim, buscando construir modos distintos de se viver, de se respeitar, de compartilhar, milhares de pessoas declaram que a terra não deve servir ao lucro e à especulação, mas sim ao atendimento das necessidades de moradia, de produção; enfim, às pessoas, e não ao dinheiro. Mas, como sabemos, os governantes, a polícia, a “justiça”, os endinheirados, todos os que se dizem “poderosos”, são surdos às reivindicações da população pobre. Daí a importância do exemplo das ocupações de Belo Horizonte, onde as pessoas decidiram tomar a iniciativa e transformar sua realidade com suas próprias mãos, à força, e sem pedir autorização a ninguém.

Um salve à resistência das mulheres e homens das ocupações de Belo Horizonte, que, mesmo distantes, mesmo sem os conhecermos, são nossos companheiros e companheiras de luta e de sonho. Estamos juntos nessa caminhada para que um dia sejamos mais fortes que nossos inimigos de classe, quando nossos iguais atentarem para o poder que temos nas mãos, caso nos juntemos e formos à luta.

Para mais informações, assista ao video aqui.

Vídeo da luta da Vila Joaniza

Vila Joaniza na luta contra os despejos

O vídeo abaixo relato a luta que a comunidade da Vila Joaniza realizou no dia 23 de março de 2011: uma marcha até a subprefeitura regional. Apesar de termos sido recebidos pelo subprefeito da Cidade Ademar,  não obtivemos nenhuma resposta concreta, e, por isso, nos manteremos mobilizados.

Que fique claro:  Para nós,

Bolsa-Aluguel não é política habitacional.

Moradores da Favela Esperança, na Vila Joaniza, se mobilizam para exigir o fim dos despejos e a canalização do Zavuvus em prol da comunidade

Canalização, Sim! Despejos, Não!

Cerca de 200 moradores da Favela Esperança, na Vila Joaniza, seguem mobilizados reivindicando a interrupção imediata das centenas de despejos que começaram a ocorrer de forma totalmente abusiva em sua comunidade. Eles exigem também que a canalização do córrego Zavuvus – uma bandeira antiga do bairro – seja feita sem a remoção dos moradores históricos da região. Desta maneira, no início desta quarta-feira, eles decidiram caminhar em marcha rumo à subprefeitura da Cidade Ademar para fazer tais reivindicações diretamente ao subprefeito, Carlos Roberto Albertim, e seu corpo de burocratas.

Depois de uma longa caminhada pela Avenida Yervant Kissajikian, o conjunto dos moradores foi recebido pelo subprefeito e seus assessores em um auditório improvisado. A negociação, no entanto, não avançou em nada, sobretudo pela intransigência dos gestores, os quais inclusive se recusaram a assinar sequer uma ata da reunião – reconhecendo que seguirão fazendo os despejos da mesma maneira, oferecendo os mesmos R$ 400,00 de bolsa-aluguel (vulgo “cheque-despejo”), sem qualquer outra garantia palpável de solução definitiva para as famílias.Revoltados com a postura do subprefeito e seus assessores, que segundo muitos moradores foram bastante desrespeitosos ao longo da “reunião”, e sem qualquer alternativa digna para o futuro de suas famílias, ao sair da subprefeitura os manifestantes resolveram voltar em marcha para a favela, não sem antes travar por alguns minutos a Avenida Yervant para chamar a atenção da sociedade sobre o tipo de tratamento que a população pobre vem recebendo do tal “poder público”


História da região

A Vila Joaniza é um bairro antigo do extremo sudeste de São Paulo, na região da Cidade Ademar. Um bairro grande e desigual, que inclui tanto áreas um pouco mais endinheiradas, quanto algumas regiões bem pobres, porém todas ocupadas há muito tempo. A Favela Esperança, que fica na Joaniza, também tem mais de 40 anos de existência, quando os primeiros moradores da comunidade começaram a se estabelecer por ali. De lá pra cá, foram décadas e décadas de muita luta cotidiana, fora do horário de serviço e nos finais de semana, para transformar os primeiros barracos em casinhas melhor estruturadas (com encanamento, de alvenaria, com várias lajes…); para ir aprimorando a infra-estrutura do bairro (asfaltamento de ruas, água e esgoto, creche, posto de saúde, transporte etc); e assim fortalecendo os laços comunitários. Tudo conquistado sempre com muita luta de cada família, e da comunidade como um todo.

Nas últimas semanas, por conta do famigerado “Programa Mananciais” e da aceleração dos interesses imobiliários e especulativos nos arredores da favela, centenas de moradores antigos da comunidade estão sendo ameaçados e forçados a deixarem suas casas a toque de caixa, abrindo mão de direitos conquistados ao longo de tanto tempo. O argumento utilizado pelos gestores e pelos funcionários das construtoras tem sido, mais uma vez, a “urgência” da canalização do córrego Zavuvus – uma reivindicação histórica da própria comunidade – que estaria colocando em risco os moradores e seu meio ambiente. Assim, utilizam os velhos argumentos do “risco”, da “defesa do meio ambiente” e da “necessidade de melhorar a infra-estrutura do bairro”, além da própria comoção gerada pelo afogamento de duas crianças no início do ano, para justificar a urgência que eles têm por seus lucros empresariais e especulativos. Ao invés de atender de maneira decente a histórica reivindicação pela canalização do córrego Zavuvus em prol da comunidade, estão tentando fazer acreditar que a favela é o obstáculo no meio do caminho, ameaçando-a, e assim tentando justificar a expulsão de centenas de famílias para vá-lá-saber aonde. Um pouco desta história foi registrada neste vídeo aqui .

Resistência na Comunidade

Frente a todos esses absurdos, a comunidade da Favela Esperança está consciente de seus direitos e disposta a resistir! Mesmo depois de uma série de ameaças e intimidações por parte das assistentes sociais e de outros funcionários da Prefeitura, reafirmam que a proposta que lhes está sendo apresentada, o auxílio-aluguel de 400 reais, não é uma alternativa aceitável. Ao contrário, exigem que seja feita a canalização do Córrego Zavuvus sem a remoção dos moradores, muitos dos quais residem na comunidade há 30 ou mesmo 40 anos. Por isso decidiram fazer esta primeira marcha até a subprefeitura da Cidade Ademar, protestando contra os despejos que estão ocorrendo na comunidade.

Para os moradores da Favela está claro que não é possível tolerar tantos absurdos assim, afinal é sabido ser possível interromper os despejos e fazer a canalização mantendo as famílias na mesma região que elas cresceram e ajudaram a construir com muita luta, tendo direito a usufruir de todas suas melhorias. Aliás, como já foi feito em outras áreas próximas do mesmo córrego, justamente onde ele tem uma vizinhança mais endinheirada. Por que será que a favela e o povo mais pobre tem que sempre ser tratado da pior maneira possível?

A comunidade garante que permanecerá mobilizada e não tolerará mais este tipo de absurdo. Segue fortalecendo sua organização autônoma e gritando para aqueles que se consideram “poderosos”:

A FAVELA ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE!

CANALIZAÇÃO SIM, DESPEJOS NÃO!

VILA JOANIZA LUTA!


VEJA ABAIXO AS REIVINDICAÇÕES DOS MORADORES:

São Paulo, 23 de março de 2011

Ao Subprefeito da Cidade Ademar,

Nós, moradores da Favela Esperança, na Vila Joaniza, declaramos que auxílio-aluguel de 400 reais não é política habitacional, e reivindicamos: 1) Paralisação imediata dos despejos que estão em curso em nossa comunidade. Basta de assédios, ameaças e outras formas de violência contra os moradores e as moradoras da Favela Esperança; 2)  Que seja feita a canalização do Córrego Zavuvus sem a remoção das famílias que residem próximas a ele, como ocorreu perto do Colégio 24 de março e de outros lugares de nossa região.Só aceitaremos remoções pontuais caso seja apresentada às famílias em questão uma real alternativa habitacional – ou seja, caso a família deixe sua casa já com a chave de sua nova casa própria -, e caso essas famílias estejam de acordo. Fora isso, admitiremos apenas remoções temporárias, combinadas contratualmente, durante o tempo de realização das obras.

Solicitamos que estas reivindicações sejam encaminhadas aos demais órgãos competentes, como a Secretaria Municipal de Habitação e o Programa Mananciais, e que nos seja apresentada a resposta sobre o segundo ponto da reivindicação em nova reunião a ser realizada num prazo de 15 dias.

Moradores e Moradoras da Favela Esperança, Vila Joaniza


Moradores da Favela Esperança se mobilizam para exigir o fim dos despejos e a canalização do Zavuvus em prol da comunidade

Canalização Sim! Despejos Não!

A Vila Joaniza é um bairro histórico do extremo sudeste de São Paulo, na região da Cidade Ademar. Um bairro grande e desigual, que inclui tanto áreas um pouco mais endinheiradas, quanto algumas regiões bem pobres, porém todas ocupadas há muito tempo. A Favela Esperança, que fica na Joaniza, também tem mais de 40 anos de existência, quando os primeiros moradores da comunidade começaram a se estabelecer por ali. De lá pra cá, foram décadas e décadas de muita luta cotidiana, fora do horário de serviço e nos finais de semana, para transformar os primeiros barracos em casinhas melhor estruturadas (com encanamento, de alvenaria, com várias lajes…); para ir aprimorando a infra-estrutura do bairro (asfaltamento de ruas, água e esgoto, creche, posto de saúde, transporte etc); e assim fortalecendo os laços comunitários. Tudo conquistado sempre com muita luta de cada família, e da comunidade como um todo.

Nas últimas semanas, por conta do famigerado “Programa Mananciais” e da aceleração dos interesses imobiliários e especulativos nos arredores da favela, centenas de moradores antigos da comunidade estão sendo ameaçados e forçados a deixarem suas casas a toque de caixa, abrindo mão de direitos conquistados ao longo de tanto tempo. O argumento utilizado pelos gestores e pelos funcionários das construtoras tem sido, mais uma vez, a “urgência” da canalização do córrego Zavuvus – uma reivindicação histórica da própria comunidade – que estaria colocando em risco os moradores e seu meio ambiente. Assim, utilizam os velhos argumentos do “risco”, da “defesa do meio ambiente” e da “necessidade de melhorar a infra-estrutura do bairro”, além da própria comoção gerada pelo afogamento de duas crianças no início do ano, para justificar a urgência que eles têm por seus lucros empresariais e especulativos. Ao invés de atender de maneira decente a histórica reivindicação pela canalização do córrego Zavuvus em prol da comunidade, estão tentando fazer acreditar que a favela é o obstáculo no meio do caminho, ameaçando-a, e assim tentando justificar a expulsão de centenas de famílias para vá-lá-saber aonde. Um pouco desta história foi registrada neste vídeo aqui .

Frente a todos esses absurdos, a comunidade da Favela Esperança está consciente de seus direitos e disposta a resistir! Por isso os moradores da Favela decidiram fazer uma marcha até a subprefeitura da Cidade Ademar nesta quarta-feira de manhã (23/03), protestando contra os despejos que estão ocorrendo na comunidade. Eles denunciam uma série de ameaças e intimidações por parte das assistentes sociais e de outros funcionários da Prefeitura, e afirmam que as propostas que lhes estão sendo apresentadas, o auxílio-aluguel de 400 reais não é uma alternativa aceitável. Ao contrário, exigem que seja feita a canalização do Córrego Zavuvus sem a remoção dos moradores, muitos dos quais residem na comunidade há 30 ou mesmo 40 anos.

Para os moradores está claro que não é possível tolerar tantos absurdos assim, afinal é sabido ser possível interromper os despejos e fazer a canalização mantendo as famílias na mesma região que elas cresceram e ajudaram a construir com muita luta, tendo direito a usufruir de todas suas melhorias. Aliás, como já foi feito em outras áreas próximas do mesmo córrego, justamente onde ele tem uma vizinhança mais endinheirada. Por que será que a favela e o povo mais pobre tem que sempre ser tratado da pior maneira possível?

Para mais informações sobre a manifestação de hoje, entrar em contato com:

Edmilson (6886-8718); Adriana (8189-9709); Edilson (6667-0570); Edna (6269-4343)

FAVELA ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE!
CANALIZAÇÃO SIM, DESPEJOS NÃO!
VILA JOANIZA LUTA!

Informativo sobre a Moradia

Luta Contra os Despejos nas Periferias

Em nossa última reunião, decidimos elaborar um boletim informativo sobre a questão da moradia e dos despejos. Infelizmente neste tempo de atividade, acumulamos alguma experiência sobre as formas de realização de despejos, disfarçadas de remoções e benefícios, bem como sobre algumas maneiras das comunidades se fortalecerem, resistindo e lutando.  Esperamos que esse material possa contribuir para a discussão e organização popular contra este tipo de ofensiva do Estado e do Capital.

Mais uma atividade da rádio

Rádio no Cantinho do Céu

Neste final-de-semana, a rádio vai rolar na Casinha das Mães: Cultura e Resistência Popular, lá no Cantinho do Céu. Bora aê fortalecer essas importantes trincheiras da luta popular, a da comunicação e da cultura!


Catástrofe na Vila Madeirite

A Tragédia Se Repete

Nas últimas semanas, o nível da Represa Billings tem subido bastante, e com isso, novamente os moradores da Vila Madeirite, no Parque Cocaia I, sofrem terrivelmente com as enchentes. 

Diversas casas já estão tomadas por uma água suja, fedorenta, e cheia de bichos, que atingiu inclusive os encanamentos. Certamente, como ocorreu ano passado, as águas poluídas do rio Pinheiros estão sendo bombeadas para a Represa Billings, isso apesar de toda a propaganda mentirosa sobre a defesa dos mananciais…

No ano passado, depois de muita insistência e de uma marcha até a Subprefeitura, foi firmado um acordo com o Coordenador do Programa Mananciais, Ricardo Sampaio, que prometeu aos moradores da Vila Madeirite o auxílio-aluguel atrelado ao atendimento habitacional definitivo, como mostra a ata de uma reunião ocorrida em março do ano passado (!!!), que publicamos abaixo. Mais uma vez, as promessas não foram cumpridas, e com isso a situação da comunidade é hoje pior do que era no ano passado, já que, confiando na palavra da Prefeitura, os moradores deixaram de investir nas melhorias de suas casas, e muitas delas se encontram hoje a ponto de desabar.

Não é possível aceitar esse tipo de situação. Precisamos reagir, ou esse tipo de tragédia irá se repetir sempre! É hora dos moradores da Vila Madeirite e do Parque Cocaia I mostrarem novamente a sua força!

Luta do Transporte na M’Boi: Carta Aberta

Carta aberta aos Moradores e Moradoras da Região da M’Boi Mirim

Na sexta-feira, dia 11 de março de 2011, uma comissão de moradores da região da M’Boi Mirim teve uma reunião com o Secretário de Transportes Metropolitanos, o Secretário Municipal de Transportes, o Presidente do Metrô, e vários outros membros da administração pública municipal e estadual.

Nesta reunião, algumas de nossas reivindicações foram aceitas: a extensão da linha 5 do Metrô até o Jardim Ângela, além do monotrilho que já tinha sido prometido; a ampliação do Terminal Jardim Ângela; a criação de um novo Terminal Jardim Ângela; a construção de uma passarela em frente ao Hospital M’Boi Mirim, a criação de um corredor de ônibus entre o Capão Redondo e a Vila Sônia; a melhoria na sinalização na Estrada do M’Boi, a mudança no funcionamento dos semáforos; a proibição do estacionamento de carros na M’Boi; a melhoria no asfalto; entre outras coisas. Também foi prometido que todos esses projetos serão discutidos com a população em reuniões periódicas. Tudo isso foi escrito e assinado pelos Secretários.

No entanto, outras reivindicações não foram atendidas, como a reativação das linhas de ônibus que foram recentemente eliminadas, e a instalação de escadas rolantes no Terminal Santo Amaro. Além disso, sabemos que promessas podem ser descumpridas, e mesmo que isso não aconteça, boa parte dos compromissos firmados levará anos para sair do papel.

Deixar a situação do trânsito em nossa região chegar ao ponto em que chegou foi mais um crime dos governantes contra a população da periferia. E a solução que buscamos é para ontem!

Se houve avanços, não foi pela boa vontade dos governantes. Foi um resultado da luta da população da região da M’Boi Mirim, cansada de tanto sofrimento e humilhação. E devemos lembrar que essa luta não começou agora: só no ano passado foram feitas três manifestações, a última delas no dia 13 de dezembro. Como as reivindicações não foram atendidas, organizamos uma caminhada no dia 4 de março de 2011, quando o conjunto da população aderiu ao protesto.

Agora que aprendemos essa lição, não podemos nos acomodar, e sim nos mantermos unidos para avançar, já que são muitos os problemas em nossas comunidades que exigem uma solução urgente.

Se cruzarmos os braços, cairemos novamente no esquecimento. Participe dessa luta! O povo unido jamais será vencido!!

 

 

 

 

 

Comissão de Moradores da Região da M’Boi Mirim

Contato: lutadamboi@gmail.com



Casas derrubadas na Joaniza

Casas estão sendo derrubadas na Favela Esperança, Vila Joaniza.

Assim como aconteceu no Jd. Toca há dois anos, e em várias outras comunidades da periferia, antes e depois disso, na Favela Esperança alguns moradores intimidados pelas assistentes sociais da Prefeitura e por outros funcionários acabaram deixando suas casas. Hoje chegou na comunidade um caminhão com trabalhadores da Prefeitura, que estão derrubando as casas vazias a marretadas.

Mas a comunidade está se unindo, e não deixará essa injustiça continuar!!!

Despejo na Favela Esperança

Favela Esperança, na Vila Joaniza, está sendo despejada!!!

Como já virou rotina, uma grande quantidade de casas na Favela Esperança foram marcadas pela Prefeitura, e seus moradores foram obrigados a assinar autos de interdição. Aos poucos, a Prefeitura tem visitado as famílias, e imposto prazos bem curtos para elas deixarem suas casas, sob todo tipo de ameaças e intimidações, e a troco do famoso bolsa-aluguel de 400 reais por mês. Casas inclusive foram arrombadas sem a presença de seus moradores!

O argumento da Prefeitura é que essas casas se encontram em área de risco, por estarem próximas ao Córrego Zavuvus, que frequentemente transborda. No entanto, noutros lugares, próximo à Subprefeitura da Cidade Ademar, ou atrás do Colégio 24 de Março, por exemplo, o Córrego foi canalizado, e nenhuma casa foi removida. É isso que estão reivindicando os moradores da Favela Esperança, que moram lá há décadas.

Assista ao vídeo “Canalização, sim. Despejos, não!”, que conta essa história.

A luta por transporte na M’Boi Mirim

Resultados da reunião

Vejam abaixo a ata digitalizada que foi feita na reunião, da qual fomos convidados a participar, entre moradores da região da M’Boi Mirim, que têm travado a luta por melhorias no transporte da região, e representantes de vários órgãos do governo (como o secretário de Transportes Metropolitanos, o secretário Municipal de Transportes, o presidente do Metrô, entre vários outros).

Como se pode ver, essa reunião revela alguns importantes avanços, como a promessa de extensão da linha 5 do Metrô até o Jd. Ângela. Mas é bom lembrar duas coisas: primeiro, o problema do transporte está longe de ser resolvido; além disso, o que se conseguiu avançar foi resultado da luta do povo, que se uniu, protestou, e com isso se fez ouvir. Com certeza os guerreiros e guerreiras que estão nessa caminhada sabem disso, e não deixarão a peteca cair!!!


Continuação da série sobre conjuntura

Classe e Periferia

A discussão é bastante difícil, mas é possível dizer que, historicamente, a esquerda teve como espaços primordiais de atuação os sindicatos e os partidos políticos. Segundo algumas análises clássicas, essas organizações podiam exercer um papel complementar: os sindicatos e movimentos sociais estariam incumbidos de travar a luta econômica, geralmente específica, e com certa dosagem de corporativismo. Já os partidos unificariam essas lutas e a politizariam – superando o âmbito da luta meramente econômica e setorial – de modo a concentrar as condições para a disputa do próprio Estado, e para desencadear os processos revolucionários. Desse ponto de vista mais tradicional, geralmente a periferia e a população que nela reside foi deixada em segundo plano, ou foi tida como uma força conservadora, sendo rotulada “lúmpen-proletariado” (algo como “proletariado-esfarrapado”, ou a “raspa do tacho” da classe trabalhadora).

Nesse momento talvez seja saudável e mesmo necessário rever tais posicionamentos e estratégias. Em primeiro lugar, é preciso pensar a classe, e isso não pode ser feito de maneira simplista e dogmática; a classe revolucionária não é algo dado, fixo, mas algo que se constitui, e essa constituição envolve o espaço que ela ocupa na produção, mas também dimensões simbólicas, culturais, e sua prática política real. Uma dimensão essencial da classe revolucionária é a consciência revolucionária, relacionada à compreensão de como funciona a acumulação capitalista, à compreensão dos mecanismos de exploração e dominação, à compreensão do caráter alienante dessa sociedade, e à necessidade de estratégias para combatê-la, com base na conjuntura do momento. Portanto a classe revolucionária não é, ela se forma – ou deixa de se formar – a cada instante, assumindo diferentes características de acordo com o contexto; o mesmo se pode dizer das organizações da classe.

A tendência do capital é sempre promover a exploração sem peias, e sob certas condições ele consegue eliminar os limites impostos pela legislação, aumentando a jornada de trabalho, acabando com direitos trabalhistas, com a estabilidade de emprego, etc. Tais mudanças têm importantes impactos na constituição da própria subjetividade dos trabalhadores, e evidentemente para a sua organização enquanto classe, mas nem por isso faz com que eles deixem de ser trabalhadores (na ativa de modo cada vez mais diverso ou constituindo o exército industrial de reserva), e nem faz desaparecer qualquer possibilidade de organização e de formação de consciência de classe.

Enquanto o espaço da produção mantém sua importância como espaço de organização da classe, a importância da dimensão territorial aumenta, e se faz notar o dinamismo político potencial que reside nas periferias das grandes cidades. Não é possível estabelecer aqui nenhuma idealização: nas periferias o espaço está segmentado por uma série de forças conservadoras e regressivas; nas periferias atuam e incidem todas as pressões que levam ao embrutecimento, ao isolamento, ao individualismo; nas periferias também são cultivadas as idéias burguesas de defesa da propriedade, do consumismo, do sonho por ascensão social; nas periferias a população super-explorada é estimulada o tempo todo – pela novela, pela propaganda, pelo programa de rádio, pelos políticos, pelas igrejas -, a acreditar em falsos messias, a acreditar que a felicidade é a capacidade de comprar o celular mais moderno, ou a se conformar, a se resignar. No entanto, nas periferias também existem elementos que, sob certas circunstâncias, podem dar origem à solidariedade, à ajuda mútua, à revolta, que são base para processos qualificados de organização e de luta.

A história de muitos dos moradores da periferia é uma história de luta e de resistência; freqüentemente as condições materiais exigem que as pessoas se ajudem, e as precariedades e violências a que estão submetidas as empurram para processos de organização popular. Além disso, o rebaixamento das condições de subsistência atinge tal grau que as pessoas, trabalhando de maneira esporádica, conseguem garantir a sobrevivência e ainda ter tempo para participar de reuniões, de lutas, de processos formativos, etc.

A construção organizativa de base territorial necessita o desenvolvimento de processos orgânicos no interior das comunidades, embasados na dinâmica e nas especificidades de cada lugar, e levando em consideração o cotidiano, as trajetórias pessoais e coletivas, o imaginário, os laços de identidade de seus moradores. É lidando com a rotina, as carências, os medos, os anseios das pessoas e as características do lugar que se pode fomentar lutas e outras rupturas que se fazem necessárias para quebrar com a inércia conformista que impera por todo o lado, e para converter os laços territoriais em identidade e consciência de classe. O caráter orgânico desse processo faz com que a dimensão da formação política seja estratégica, de modo a fazer com que os processos de luta e de organização sejam levados adiante pelas próprias referências das comunidades. Em nosso caso, a maioria das referências são mulheres adultas, mas a tarefa também é encampada por pessoas de todas as idades, independentemente do gênero, bem como grupos e coletivos locais.

Uma atuação dessa natureza não pode assumir caráter “corporativo”, e ainda que se concentre em algumas estratégias e táticas básicas de intervenção, deve possibilitar a criação de respostas (e mesmo distintas respostas) a diversos tipos de reivindicação econômica, que, por estarem coladas a processos formativos, devem ser sempre e cada vez mais politizadas.

A luta da Rede de Comunidades do Extremo Sul se faz na construção de uma organização popular autônoma e combativa, que fortaleça a luta da classe revolucionária nos territórios periféricos.