Relato do ELAOPA

Lutas em comum no encontro de organizações populares autônomas

No penúltimo final de semana (dias 22, 23 e 24 de janeiro) aconteceu o IX Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA), na cidade de Jarinú – SP, no Centro de Formação Agroecológica do MST.

Alguns membros da Rede Extremo Sul e do RadioAtivo estiveram presentes, tendo a possibilidade de conhecer e trocar experiências com grupos e movimentos organizados de diversos estados brasileiros e da América Latina. No geral, todas as organizações presentes compartilhavam alguns princípios básicos da atividade política: a autonomia em relação a Estado, partidos políticos, ONGs e coisas do tipo. Divididos em comissões tais como trabalho comunitário; cultura e comunicação; educação; estudantil; gênero, raça e etnia; muralismo; questão agrária e ecologia e sindical, os militantes puderam relatar suas atuações, dificuldades, perspectivas de luta e resistência e traçar possíveis linhas de ação conjunta.

Na edicão deste ano, o ELAOPA procurou desenvolver as discussões tendo por base a questão do plano de intencão para a Integracão da Infraestrutura Regional Sulamericana, o plano IIRSA. Trata-se de um projeto  assinado em 2000, encabecado por governos e instituicões financeiras, que prevê grandiosas intervenções nas áreas de transporte, energia e comunicacões. Obviamente que na mira destes grandes investimentos, e constando apenas como obstáculos, estão inúmeras comunidades dos doze países da América Latina que assinaram o acordo. Apesar de quase não se ter muita notícia desta iniciativa, estamos falando de um conjunto obras, remoções, inundações que já estão em curso e que, à margem do que pensam as milhares de pessoas que já estão sendo diretamente afetadas, visam assegurar o livre fluxo de mercadorias. Para se ter uma idéia do impacto do IIRSA, basta mencionar que as obras do Plano de Acelaracão do Crescimento (PAC) e para a Copa do Mundo devem ser apenas uma faceta do enorme desafio que temos pela frente.

Seria impossível relatarmos, aqui, cada uma das organizações com quem trocamos  impressões e contatos. Mas é possível dizer que são muitos os grupos e coletivos que, espalhados pelos estados do Brasil e países da América Latina, tocam experiências de organizacão popular muito importantes, ainda que pequenas. São diversas as iniciativas de luta que se pautam por alguns princípios parecidos com aqueles que procuramos seguir, ou seja, a autonomia e a prioridade do trabalho de base na construção da luta. E isto nos deixa animados.

É claro que, em se tratando de grupos autônomos, as dificuldades também existem e são tremendas. Mas para isso é que servem os encontros, para que se apreenda com os erros dos outros e compartilhe-se táticas e estratégias de lutas com sucesso.  Também sob este aspecto, o encontro foi bastante frutífero.

Saudações a todas as organizações e pessoas que participaram do encontro.

Arriba los que lucham!

 

Fotos de Lucas Duarte de Souza.

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