Solidariedade aos moradores das favelas cariocas

Solidariedade aos moradores das favelas cariocas

Guerra contra o crime”; “luta do bem contra o mal”; “mega-operação de pacificação das favelas cariocas”; “a sociedade unida contra a violência”… Quantas vezes essas e outras patacoadas foram repetidas sem parar pela grande mídia, por “especialistas” e por burocratas do Estado, nos últimos dias, entre as imagens de perseguições, prisões, tiroteios, ônibus queimando?

Em meio a toda essa hipocrisia, queríamos expressar nossa solidariedade aos moradores que vivem nas favelas cariocas,  que se encontram ainda mais expostos à discriminação, a ameaças, ao espancamento, a roubos, a execuções sumárias, a estupros, e a toda uma série de mecanismos de opressão, mobilizados pelas ditas “forças de segurança” – o aparato repressivo do Estado, com ocupação das forças armadas em seus territórios (usando o conhecimento acumulado no Haiti, onde as tropas brasileiras há anos cometem todo tipo de atrocidade, e atuam intensamente no sentido de reprimir e evitar processos de organização popular).

São muitas as coisas que esse tipo de fachada midiática busca esconder, mas queríamos falar de apenas uma delas. O tráfico de drogas e o contrabando de armas estão entre as atividades mais importantes do comércio internacional, movimentando e gerando enormes fortunas. Por serem atividades “ilegais”, elas possuem características próprias, mas nem por isso são aberrações, nem desvios em relação ao normal. Ao contrário, são mercados capitalistas que envolvem grandes empresários, chefes de Estado, políticos, juízes, polícia, e no caso do mercado de varejo carioca, envolvem também facções criminosas e as milícias.

As lutas que se travam em torno desses mercados são lutas inter-capitalistas, em disputa pelo controle e pela organização deles, de modo a torná-los mais lucrativos e menos danosos para os grupos dominantes da vez. Além disso, esses mercados se alimentam das desigualdades e da pobreza, e se misturam com as estratégias de contenção da população pobre,  o que se dá por meio da da repressão, do terrorismo de Estado e pela espetacularização midiática que criminaliza a pobreza.

Sim, a corda estoura no lado mais fraco; é por isso que geralmente quem sai perdendo nesse jogo – pagando, por vezes, com a própria vida – são as populações pobres que habitam os morros.

Ao que tudo indica, este processo, simbolizado pela instalação das UPP, deve inaugurar um novo modelo de contenção das insatisfações sociais no cotidiano dos morros cariocas, e talvez no de todas as periferias do Brasil. E será preciso tempo e persistência para poder interpretar e aprender a atuar neste outro cenário que se desenha. Por isso, esperamos que seja possível a organização popular desses moradores, que se aproveite as brechas que surgirem nessa reestruturação do “crime” no Rio de Janeiro, para que um dia o lado mais fraco não seja o nosso. Só assim colocaremos fim à verdadeira guerra; não à “guerra ao terror”, ou a “guerra ao crime organizado”, jargões mentirosos, mas a guerra de classes, em que nos encontramos mergulhados.

[Recomendamos a leitura e o acompanhamento da situação através do sítio dos companheiros e companheiras da Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência do Rio de Janeiro:

“Repúdio ao revide violento das forças de segurança pública no Rio de Janeiro, e às violações aos direitos humanos que vêm sendo cometidas” – http://www.redecontraviolencia.org/Documentos/764.html

Sítio da Rede Contra Violência (RJ) – http://www.redecontraviolencia.org]

TODA SOLIDARIEDADE AOS MORADORES DAS FAVELAS CARIOCAS!

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2 Respostas para “Solidariedade aos moradores das favelas cariocas

  1. Pingback: Invasão da Rocinha | REDE EXTREMO SUL

  2. Pingback: 19 NOVEMBRO 2011 (BR-SP) Rede Extremo Sul: Pacificação ou militarização? : Passa Palavra

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