Audiência Pública sobre as creches, na Câmara Municipal

E o problema da falta de creches continua…

Na quarta-feira, dia 22 de setembro, às 13h30, haverá uma audiência pública com o Secretário Municipal de Educação, Alexandre Schneider, sobre a questão da falta de creches no Grajaú. Essa audiência acontecerá na Câmara Municipal, e nela um conjunto de mães cujos filhos perderam suas vagas em creches que foram fechadas no início do ano, ou cujos filhos estão na gigantesca “lista de espera”,  irão manifestar sua indignação diante desse descaso e reivindicar uma solução emergencial para o problema.


Essa audiência pública foi uma espécie de resposta à pressão de algumas mães que resolveram descruzar os braços e lutar por seus direitos. Outra resposta foi dar aos seus filhos uma vaga em outra creche (no CEU Três Corações), desde que elas se responsabilizassem pelo transporte de seus filhos.

No entanto, queremos dizer que a resposta que buscamos não é audiência pública, nem palanque, nem falação, e que tampouco basta resolver o problema de apenas um punhado de pessoas, deixando outras tantas sem solução.

Nesse sentido, segue abaixo um texto que será lido na audiência pública, e entregue ao Secretário de Educação.

São Paulo, 22 de setembro de 2010

Nós que aqui estamos nesta audiência pública, somos mulheres, mães, trabalhadoras que vivemos no distrito do Grajaú, periferia de São Paulo, nas comunidades do Parque Residencial Cocaia, Jardim Cipramar, Cantinho de Céu, Jardim Eliana, Jardim Gavoitas, Jardim Sete de Setembro, Jardim Mirna, entre outras. Estamos aqui reivindicando um direito fundamental de nossas crianças, o direito à creche, tão pouco respeitado em nossa região. Fala-se que no Grajaú existem mais de 5 mil crianças na lista de espera para conseguir atendimento educacional; na verdade, esse número é pequeno quando comparado ao número de crianças que estão fora de creches, já que muitas de nós desistem de buscar esse direito, tamanha a dificuldade em conquistá-lo.


Essa situação piorou bastante, com o fechamento de 7 creches públicas no distrito do Grajaú, no início deste ano. Centenas e centenas de crianças perderam suas vagas. Além do prejuízo ao seus processos educacionais e da perda da convivência com outras crianças, muitas mães perderam seus empregos, dos quais dependiam para garantir boas condições de sustento às suas famílias. Fora isso, mais de 200 funcionárias dessas creches ficaram sem receber seus últimos salários e seus direitos trabalhistas.


Em texto escrito no dia 18 de agosto deste ano, o Secretário Municipal de Educação, Sr. Alexandre Schneider, disse que mais de 1000 crianças foram realocadas. Isso não corresponde à realidade, segundo dados da própria Diretoria Regional de Ensino da Capela do Socorro, e segundo nosso próprio conhecimento. Crianças de algumas creches foram sim realocadas, mas se trata de uma minoria. E mesmo nos casos em que isso ocorreu existe um sério problema: muitas crianças foram encaminhadas para outros bairros, sem garantia de transporte. Sem condições para pagar por um serviço de transporte particular, muitas mães não puderam colocar seus filhos nessas creches, e, assim, o problemas foi apenas escondido, e não solucionado.


No caso das crianças residentes nos Bairros Sete de Setembro, Jd. Mirna e arredores, a transferência de crianças foi realizada em número muito
reduzido. Nas últimas semanas, depois de terem feito alguns protestos contra a falta de creches, algumas mães tiveram seus filhos realocados, em mais uma tentativa do poder público de varrer o problema para debaixo do tapete. A realocação foi para vagas do CEU Três Lagos, que fica distante destes bairros, e para assegurar as vagas, as mães tiveram que assinar um documento se responsabilizando pelo transporte escolar, sendo excluídas, assim, do Transporte Especial Gratuito (TEG), que teriam direito neste caso.


Não temos qualquer interesse em discutir todas as questões burocráticas, legislativas e jurídicas que se encontram por trás do fechamento das
creches no Grajaú, questões essas que já nos foram passadas muitas e muitas vezes, como se fossem justificativas. Essa discussão toda cabe ao
poder público, que não podia ter deixado o problema acontecer, e que já teve muito tempo para resolvê-lo.


Queremos, isso sim, denunciar a violência que foi cometida contra nós e contra nossas crianças, e reivindicar, por um lado, medidas emergenciais e eficazes para que todas as crianças que freqüentavam as creches que foram fechadas tenham suas vagas garantidas, incluindo aqui o transporte gratuito, caso suas novas creches sejam distantes do seu lugar de moradia. Além disso, que o poder público se esforce, pelos meios cabíveis, para que os direitos trabalhistas das funcionárias que trabalhavam nas creches fechadas sejam respeitados. Por outro lado, queremos reivindicar uma política pública para a educação infantil em nossa região, de modo a garantir creches públicas e de boa qualidades às

milhares de crianças e de mães que delas necessitam.

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Uma resposta para “Audiência Pública sobre as creches, na Câmara Municipal

  1. Que creche do Ceu Três Lagos?
    A que está quase desabando?
    Não resolveu em nada o problema, tira as crianças da creche, deixa quase o ano todo sem creche, e quando consegue alguma coisa, é um prédio totalmente precario! Vergonha!

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