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A Luta da Cooperativa da Granja Julieta

De luta em luta

“A luta é como um círculo. Pode começar em qualquer ponto, mas nunca termina”

O cenário era de despejo iminente. Casas sendo derrubadas, boatos, ameaças, risco de vida, comunidade dividida. Foi nesse terreno aparentemente sem esperanças que algumas mulheres decidiram ir à luta, e foi na luta que tivemos a felicidade de conhecê-las.

Mas vendo mais de perto – e como é regra para aqueles que não nasceram em berço de ouro – essa foi apenas mais uma de muitas batalhas travadas ao longo de suas vidas. Esse vídeo mostra um pouquinho de outra luta protagonizada por algumas dessas companheiras, junto com outras pessoas para quem a vida não foi um mar de rosas. São mulheres e homens, alguns ex-moradores de rua, outros ex-presidiários; tem também quem foi vítima de violência doméstica, quem foi escravo da droga…

Em torno do esforço da arranjar um meio de vida, e a duras penas, sofrendo muita repressão e boicotes, esses camaradas estão vivendo uma experiência de controle da produção, sem patrão, decidindo as coisas juntos, transformando suas próprias vidas, fortalecendo sua consciência política, e se formando como membros da classe.

Vida longa à Cooperativa da Granja Julieta!

A luta da COOPERPAC

Depois de muita luta, a COOPERPAC está a todo vapor

O vídeo abaixo retrata um pouco da caminhada de companheiras e companheiros em sua batalha para criar uma nova Cooperativa de Catadores, a COOPERPAC, localizada no Jd. Lucélia, Grajaú. Com iniciativas como essa, muitas questões importantes são colocadas, como a forma de se organizar e produzir sem patrão e sem diferença de rendimentos, ou sobre a questão do meio ambiente como uma trincheira da luta da população da periferia, que muitas vezes é discriminada e apontada como culpada pela poluição das represas e dos córregos. O discurso da defesa do meio ambiente tem sido inclusive usado contra as comunidades da periferia, para realizar despejos violentos.

Ninguém tem mais interesse em preservar o ambiente do que as próprias comunidades, mas os “governantes” não garantem nem mesmo um sistema de coleta de lixo e de saneamento adequados. Por outro lado, enquanto os governantes e os meios de comunicação mentem dizendo que o povo da periferia é o responsável pelos problemas ambientais, ninguém fala dos verdadeiros culpados: as grandes empresas que sugam todos os recursos naturais e produzem montanhas de lixo; o consumismo doentio e sem limites das elites, que só pensam em ostentar; as grandes obras mal-feitas, como o Rodoanel, que acabam com quilômetros de vegetação nativa, sujam a represa, etc. Ou seja, os pobres não são os grandes poluidores das represas, dos córregos, e do ar, mas sim os endinheirados, que colocam os lucros acima de tudo.

Ao contrário desse discurso mentiroso, portanto, sabemos que existe todo um sistema de produção e de consumo em que só vale a ostentação e o lucro, e que são terrivelmente destrutivos. É esse sistema que precisamos combater, e é assim que nosso caminho se cruza com o caminho das Cooperativas de Catadores.

Vida longa à COOPERPAC!