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O trem e a revolta da periferia!

Todo vagão tem um pouco de navio negreiro

cptm14marQuase todos os finais de semana, a CPTM funciona pior ainda do que nos dias de semana. As vezes, o desrespeito ultrapassa os limites e nem há avisos aos usuários. Mas volta e meia ficamos sabendo que temos que fazer parte do trajeto de ônibus ou que andaremos em velocidade reduzida por conta das tais obras de modernização… Pra que tanta modernização, se além de passarmos raiva e de chegarmos atrasados, nunca notamos qualquer melhoria? Se isso não bastasse, agora e trem e as obras de modernização ainda estão causando acidentes, como pequenos incêndios e choques nos vagões e nas vias! (veja aqui e aqui).

Não é a toa que na TV do trem fica mostrando a punição prevista na leilotado pra quem perde a cabeça e se revolta. Mas, se todo vagão tem um pouco de navio negreiro, e se ali sofremos juntos, nós, trabalhadores da periferia, há também de ser ali que a revolta irá se propagar pra mudar essa situação…     Tá na hora de perder a paciência!

Mais uma conversa mole da prefeitura…

Repressão na EMEF João da Silva

Apesar de hastear em todo canto a bandeira do diálogo sobre os temas gerais da cidade, a prefeitura parece não se importar com os problemas concretos da educação que ela mesma promove. A EMEF João da Silva continua numa situação lamentável e as denúncias de desvios, autoritarismo, assédio moral, etc. cometidos pelo diretor Alexandre continuam a rondar a comunidade. 

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Funcionários, mães e pais de alunos encontram-se numa situação absurda: uns são impedidos de falar em reuniões, são perseguidos, e sofrem intimidações de todo tipo no cotidiano da escola. Outros fingem não ver nada para não ter que se dar ao trabalho de se organizar, ou simplesmente são enganados pelas pequenas migalhas oferecidas à população, como por exemplo o fato de terem sido iniciados os atendimentos médicos para a comunidade nas salas de aula (por falta de Unidade Básica de Saúde também neste bairro! o famoso “jeitinho” que já conhecemos...). 

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E quanto aos alunos do primeiro ao nono ano? Estes nem falar mais podem, pois sofrem todo tipo de ameaça dentro da escola por participarem das atividades políticas. Enquanto isso a Diretoria Regional da Capela do Socorro simplesmente diz que nada pode fazer… Após o protesto do dia 25/04, em mais uma reunião com a comissão de supervisoras que está apurando o caso, foi reafirmado o descompromisso do poder público com a educação.  Figura1MafaldaDesde novembro do ano passado, quando foi encaminhado um dossiê com denúncias e provas da negligência da diretoria da escola, foram várias as tentativas de resolver o problema conjuntamente e, numa reunião antes do carnaval, a Diretoria Regional se comprometeu a trabalhar rapidamente e contribuir para acabar com o clima de guerra que está na escola. Este clima só tem chance de acabar com a saída do diretor, que infelizmente, personifica o cinismo, o autoritarismo a corrupção estatal, aumentando ainda mais a crise que toda escola pública sofre hoje. Apesar de já terem sido comprovadas irregularidades graves (segundo as próprias supervisoras), nada de prático foi encaminhado para dar uma solução. E por isso, semana passada, entregamos um novo dossiê à DRE e fomos dar uma forcinha para o bota fora do diretor em frente à escola.

Chega de repressão!

Não é essa a educação que precisamos!

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EMEF João da Silva luta novamente!

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Notícias sobre a Escola Estadual João da Silva

Uma aula de precariedade: educação “provisória” 

Na última quinta-feira, dia 11 de abril, alunos, funcionários e  professores da E.E. João da Silva foram transferidos provisoriamente para  as Escolas Estaduais Jardim Noronha V e Savério Fittipaldi, ambas na  região do Jd. Noronha (Grajaú). Depois das denúncias (veja aqui), a ação foi rápida, mas vale destacar que o governo estadual estava  ciente da situação há bastante tempo, tendo realizado vários laudos sobre  a situação precária do prédio. Os alunos tem transporte de ida e  volta para as novas escolas e todos estão a salvo do risco de desabamento, o  que era de extrema urgência, porém toda esta história está longe de ser  resolvida!

educaçâo a distanciaAinda que a transferência seja uma boa notícia, todo o processo para a  remoção ocorreu de forma conturbada. A começar pelo fato de os pais e responsáveis pelas crianças não terem participado na tomada de decisões,  já que muitas reuniões foram realizadas as portas fechadas, e a decisão  final foi apenas comunicada dias antes da transferência dos alunos. Além disso, no dia da transferência dos alunos para a nova escola a  situação foi caótica, segundo relato de alguns pais. Estava chovendo bastante e nem os pais nem as crianças tem um local adequado para  aguardar. Inclusive houve um pequeno acidente com um dos ônibus devido à  chuva e à estrada precária no percurso até as novas escolas, e por sorte  não houve feridos.

Outro fato estranho é que, aparentemente, houve uma invasão na escola Noronha V, que foi alvo de vandalismo, que curiosamente ocorreu apenas  no andar no qual seriam recebidos os alunos e professores da EE João da  Silva. Com isso, os mesmos foram recebidos num local inadequado para o uso,  por exemplo, haviam televisores quebrados, torneiras quebradas, materiais  jogados pelo chão, além disso, alguns materiais que foram transferidos da  escola João da Silva para a nova desapareceram. E a inadequação dos espaços se comprovou no cotidiano, em que alunos e professores estão fazendo atividades pedagógicas até nos corredores!  Quer dizer, saíram de uma escola de lata desabando e foram para outra situação precária, que não pode durar muito tempo.

sos educaçâoMas a questão fundamental e deveria ter sido alvo de planejamento coletivo  entre diretoria de ensino, pais, mães, alunos e direção escolar é: o  que será feito com o prédio interditado? Será derrubado para a construção  da nova escola? Será reformado? Quanto tempo vai demorar? Vai ficar abandonado, caindo aos pedaços, até desabar sozinho? Não sabemos! Pois nem a Diretoria de Ensino, nem a Secretaria Estadual de Educação e nem a diretoria da escola apresentaram o projeto da obra! 

Por isso não podemos ficar de braços cruzados, este é o momento de  familiares, alunos e a comunidade tomarem as  rédeas deste processo, para cobrar uma  ação concreta! Desde realizar a construção de uma nova escola e não  reformas de maquiagem, até dar boas condições de permanência e de  segurança no novo espaço em que alunos, professores e funcionários foram alocados!

Manifesto de 3 Anos da Rede Extremo Sul

Manifesto de 3 Anos da Rede Extremo Sul

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Convite do Encontro de Formação – é neste sábado, dia 16/03

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Encontro: Violência do Estado/Luta da Periferia

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A Memória da Luta

3 anos de Rede Extremo Sul

Há 3 anos a Rede Extremo Sul começou a fazer um movimento nas comunidades do Grajaú. Depois de algumas lutas contra os despejos, de processos de organização do povo atingido pelas enchentes, e de uma análise da conjuntura que concluía pela necessidade de criar formas de lutas nas quebradas, sem depender de favor e nem de autorização de ninguém, foi iniciada uma troca entre algumas comunidades do extremo sul e foi feito um convite à união. Em algumas postagens, vamos retomar alguns momentos deste período inicial pra fomentar a reflexão sobre a luta da periferia. Um dos vídeos que marcou o começo deste processo foi o Periferia Luta.

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UBS Popular do Cantinho do Céu

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Informe da luta na EMEF João da Silva

Como os prazos de apuração das denúncias se excederam ao tempo previsto, e como os absurdos cometidos pela diretoria da escola continua (ver aqui como foiImagem o começo de ano na escola), a comunidade teve ontem (dia 31 de janeiro de 2013) outra reunião com a comissão da Diretoria de Educação, que está apurando o caso, em conjunto com o novo dirigente regional de educação da capela do socorro. Disseram que o relatório preliminar ficará pronto antes do carnaval, que sua análise será feita nos dias seguintes e que o resultado será encaminhado a outros órgãos ligados à Secretaria de Educação.

Para se ter ainda outro exemplo do destempero e do autoritarismo do diretor da escola, ainda nesta semana ele telefonou para a família de um aluno que participou do protesto do final do ano, fez uma série de ofensas e ameaças, retirou o nome do aluno da lista de matrícula, e depois coagiu o pai do aluno a assinar a transferência dele para outra escola, caso este que foi encaminhado pela família ao Conselho Tutelar.

ImagemComo foi dito na reunião, a gravidade das ações da diretoria da EMEF João da Silva é tanta, que é preciso uma resolução urgente para o caso. E se isso não ocorrer por meio dos inquéritos e dos procedimentos burocráticos, será feito por meio da luta da comunidade, que não dará nenhum passo atrás.

Comunidade da Escola João da Silva permanece mobilizada

Comunidade da EMEF João da Silva luta!

A comunidade da EMEF João da Silva permanece mobilizada para garantir uma mudança na gestão e no aprendizado dos alunos. Neste vídeo se reúnem depoimentos que contam a história de luta da escola, mas também de mães de alunos que denunciam a situação que ela está hoje, com a atual direção: sem espaços para resolver problemas de ensino e de violência, que desrespeita pais e alunos, que é ausente, negligente, autoritária. Além de tudo isso, as mães também dizem o que pensam sobre o uso privado da escola. 

Como ainda não saiu o resultado da apuração que a Diretoria de ensino da Capela do Socorro começou a fazer em primeiro de dezembro de 2012 (e cujo prazo que ela mesma estipulou já venceu), nós mesmos vamos publicando a avaliação que a comunidade faz da escola. Além de todas as denúncias apresentadas no ano passado, este ano também começou mal. É por isso que a comunidade exige urgentemente uma resposta, já que não querem que o ano letivo comece sem nenhuma mudança no quadro lamentável em que se encontra a EMEF João da Silva.

Enchente no Jd. Pery

Um Filme que se Repete pela Cidade

Começa a época de chuvas, e com ela o desespero de muitas famílias que sofrem ano após ano com as enchentes. Sabemos que não é a “natureza” ou “São Pedro” os culpados pelo suplício dos tantos e tantas de nós castigados pela seca e pelas enchentes. 

Aqui em São Paulo, o orçamento para prevenção de enchentes é irrisório, e ainda assim ano após ano a prefeitura não gasta nem metade dele. Afinal, quem nos governos se importa com a população pobre? Além disso, as enchentes viraram uma arma da especulação imobiliária para despejar as famílias que são consideradas obstáculos às obras e às tramóias tão lucrativas para imobiliárias, construturas, incorporadoras, políticos, juízes etc. E para piorar, muitas das enchentes são causadas ou pelo menos agravadas por obras malfeitas.

Divulgamos aqui um vídeo feito por um companheiro da Zona Norte, logo depois de uma enchente que aconteceu há alguns dias, na Favela do Flamingo. Infelizmente, trata-se de um filme já conhecido por nós do extremo sul. E se todos os extremos da cidade não se unirem para mudar essa situação, continuaremos a presenciar e a viver esse tipo de tragédia. 

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Conselho POPULAR da Escola João da Silva

Hip Hop Resistência Negra

Novembro terminando e mais um Hip Hop Resistência no Grajaú

O domingo no Cantinho do Céu foi de chuva e troca de ideia, tudo juntando Consciência à Resistência e dizendo que somos todos pretos sim; conscientes e resistentes ao genocídio e as outras formas de violência na periferia.
 
Muito grafite decorando a Casinha, muito break com os adultos e a molecada, silk, muito som e até poesia. E, pra não perder o costume, um pessoal bem firmeza somando no rolê.
 
A Luta, a Consciência e a Resistência continuam  nesse fim de ano e poder contar com nossos companheiros fortalece bastante a caminhada.
União, Organização e Luta!
 

Facetas do massacre

Massacre dos dois lados do muro

Diante dos massacres que têm sido cometidos contra o povo, algumas ações de resistência estão sendo desenhadas. A guerra em curso é cruel, e como em muitos momentos do capitalismo em que foi necessário esmagar o povo para dar continuidade à exploração e ao acúmulo de capital, uma de suas facetas é a expropriação e o extermínio da população pobre, seja do centro ou das periferias.

Ontem diversas organizações realizaram mais um ato contra o genocídio da população preta, pobre e periférica, o modo mais visível e absurdo por meio da qual o conflito de classe está se desenrolando atualmente.

Outra faceta deste massacre é o encarceramento em massa, que altera profundamente a vida nos territórios periféricos. Se hoje há, no Brasil, mais de 550 mil presos e presas, há também 550 mil famílias que tem suas vidas completamente marcadas pela humilhação, pelo preconceito e pela punição a que são também submetidas. Isso porque a superlotação dos presídios é funcional, e assim como ocorre com outros serviços “públicos”, o Estado amplia e sucateia o sistema prisional para oprimir uma parcela da sociedade, e para justificar a privatização e o lucro de alguns poucos. E os “de cima” sabem que destruir por dentro os vínculos entre os presos e presas e a comunidade é uma arma contra a  organização dos “de baixo”.

Em relação a esse quadro, em audiência realizada ontem pela Defensoria Pública foi analisada as condições dos presídios, e denunciado, por exemplo, que muitas penitenciárias de São Paulo não gastam nem 10 reais por ano com os materiais de primeira necessidade para cada preso/a!!! Ou seja, apesar de o Estado declarar gastos enormes com seus presídios, a situação é uma calamidade e apenas confirma o que vivemos nas quebradas: o fato de que muitas famílias são forçadas a gastar boa parte de sua renda com o familiar que está atrás das grades, pois do contrário ele não terá sabonete, pasta de dente, papel higiênico, cobertor, roupas etc.

Transcrevemos abaixo um texto lido ontem na audiência pelo Não Te Cales: Periferia contra o Encarceramento:

Nós, membros do Não te Cales, um grupo de familiares de presos e presas criado no interior da Rede de Comunidades do Extremo Sul, gostaríamos de reforçar as denúncias sobre as terríveis condições de encarceramento que predominam no Estado de São Paulo.

É função do Estado zelar pela integridade física e psicológica dos presos e presas, e garantir que o tempo de encarceramento sirva para a formação e para a ressocialização dos detentos, de modo que estes possam retomar suas vidas sob melhores condições, ao saírem do cárcere. No entanto, a realidade das prisões é bem diferente: as condições de salubridade são péssimas, assim como as condições de alimentação, de vestuário, de atendimento médico e odontológico etc. E esse quadro está se agravando rapidamente, em função do processo de encarceramento em massa em curso, referendado e conduzido por todas as esferas de governo, e envolvendo os poderes executivo, legislativo e judiciário.

Assim, enquanto se divulga que o Estado gasta rios de dinheiro com cada pessoa encarcerada, e se vende a ideia de que essas pessoas são privilegiadas, e que ao invés de punidas elas são recompensadas pelos crimes que cometeram, à custa do conjunto da sociedade, na verdade os presídios são espaços de tortura física e mental. Se o preso ou a presa não possui família para lhe fornecer roupas, itens de higiene pessoal e de limpeza, certos alimentos e outros produtos essenciais à sua sobrevivência, essa pessoa irá definhar no cárcere.

Diante dessa situação, um grande número de famílias de presos e presas são forçadas a comprometer boa parte de sua renda mensal fornecendo – pessoalmente ou via sedex – esses produtos de primeira necessidade aos seus parentes encarcerados. E nesse sentido a situação piorou com as restrições ao uso do selo social, que agora é condicionado à participação em certos programas governamentais de assistência social.

Esses enormes gastos, somados à toda a discriminação e a humilhação que sofremos, faz com que sejamos punidos duramente, junto com nosso parente preso.

Portanto, percebemos que o sistema prisional e o encarceramento em massa serve como fonte de lucros para alguns, e como fonte de votos para outros, já que é uma resposta fácil ao problema da segurança pública, e que conta com o apoio de uma grande parte da sociedade. No entanto, é uma resposta falsa, e só agrava o problema que deveria resolver. É por isso que se faz urgente uma mudança profunda no sistema penal e prisional, o que inclui acabar imediatamente com a barbaridade a que estão submetidos os presos, as presas, e suas famílias.