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Nada de prevenir, nem de remediar

E a novela se repete

Alguns meios de comunicação noticiaram hoje que a gestão Gilberto Kassab gastou este ano apenas 1/3 do orçamento destinado às emergências, como as que logo vão começar a se multiplicar , com a chegada das chuvas. 

Para que prevenir, ou mesmo remediar, se as catástrofes afetam sobretudo as populações pobres, e servem ainda para legitimar e facilitar os despejos? Enquanto não conseguirmos reagir a essas tragédias que nos afetam com a força que é necessária, entra ano e sai ano e as enchentes e os deslizamentos vão continuar ocorrendo.

Negligência criminosa

“Catástrofe natural”?

Foi divulgado recentemente (veja aqui e aqui) que o governo estadual de São Paulo cortou por três anos seguidos as verbas para a limpeza da calha do Rio Tietê. No entanto, o caso foi em grande medida abafado, já que, quando não são as mesmas pessoas, as elites, o Estado, e a grande mídia partilham os mesmos interesses. Enquanto isso, em quantas comunidades da periferia, como a Vila Madeirite, e o Jd. Pantanal, famílias continuam vivendo um verdadeiro pesadelo com as enchentes?

Catástrofe na Vila Madeirite

A Tragédia Se Repete

Nas últimas semanas, o nível da Represa Billings tem subido bastante, e com isso, novamente os moradores da Vila Madeirite, no Parque Cocaia I, sofrem terrivelmente com as enchentes. 

Diversas casas já estão tomadas por uma água suja, fedorenta, e cheia de bichos, que atingiu inclusive os encanamentos. Certamente, como ocorreu ano passado, as águas poluídas do rio Pinheiros estão sendo bombeadas para a Represa Billings, isso apesar de toda a propaganda mentirosa sobre a defesa dos mananciais…

No ano passado, depois de muita insistência e de uma marcha até a Subprefeitura, foi firmado um acordo com o Coordenador do Programa Mananciais, Ricardo Sampaio, que prometeu aos moradores da Vila Madeirite o auxílio-aluguel atrelado ao atendimento habitacional definitivo, como mostra a ata de uma reunião ocorrida em março do ano passado (!!!), que publicamos abaixo. Mais uma vez, as promessas não foram cumpridas, e com isso a situação da comunidade é hoje pior do que era no ano passado, já que, confiando na palavra da Prefeitura, os moradores deixaram de investir nas melhorias de suas casas, e muitas delas se encontram hoje a ponto de desabar.

Não é possível aceitar esse tipo de situação. Precisamos reagir, ou esse tipo de tragédia irá se repetir sempre! É hora dos moradores da Vila Madeirite e do Parque Cocaia I mostrarem novamente a sua força!

Operação Córrego Limpo? E quem trabalha é o povo!

Moradores são obrigados a limpar o córrego

Diante do risco de novas enchentes, moradores do Jardim Lucélia se viram obrigados a se juntar para limpar o córrego, realizando o que a Prefeitura se comprometeu a fazer e não faz. Sem os equipamentos necessários, e nalguns casos até sem botas e luvas, os moradores desceram no leito do córrego e retiraram dele grandes quantidades de lixo, e principalmente de entulhos, boa parte deles resultado da obra de canalização do córrego que a Prefeitura começou a fazer, mas  não concluiu.

Temendo a repetição da destruição que ocorreu no ano passado, os moradores abriram mão de seu domingo e se expuseram assim a todo tipo de doenças.

Sonhamos com o dia em que não dependeremos de ninguém, e faremos juntos e por nós mesmos aquilo que necessitamos.

No entanto, enquanto esse horizonte é ainda tão distante, não é possível aceitar que o “poder público” nem mesmo realize a limpeza dos córregos que cruzam nossas comunidades. É realmente lamentável, e não podemos deixar que essa situação prossiga.



Novas enchentes no Jd Pantanal

Novas enchentes no Jd. Pantanal

Infelizmente, não é mais possível a surpresa diante de calamidades que se abatem sobre a população pobre; elas são a regra, como fica evidente na nova inundação das diversas comunidades do Jardim Pantanal. Enquanto a grande mídia corre atrás das desgraças e as transformam num grande espetáculo – “a culpa é de São Pedro, e das populações invasoras, criminosas e irresponsáveis, que se colocam em risco e que jogam lixo na rua” -, o principal é escondido. As violências e as opressões históricas, sempre renovadas, contra a população pobre, hoje mais uma vez traumatizada, desalojada, exposta a todo tipo de doenças e sofrimentos, e sem perspectivas.

Com o fim dos tempos chuvosos, em poucos dias todos os desastres ficam esquecidos. As famílias em áreas de risco têm suas casas removidas, obrigadas a trocar sua moradia pela incerteza do auxílio aluguel que virou a única política habitacional que têm acesso. Processos de desejos de áreas inteiras são acelerados e, com isso, todo ritmo de crescimento da cidade, da valorização dos terrenos e especulação imobiliária continua intacto. Bairros param, cidades param, vidas acabam, mas nada interrompe o fluxo incessante de acumulação.

Enquanto isso, a única força capaz de parar o tempo em vistas da solidariedade, da necessidade de sobreviver ao caos e continuar de cabeça erguida é a organização e manifestação da indignação do povo, contra a violência, contra a ação criminosa que as deixa submersas, contra o fim das comunidades. No Jd. Pantanal há um exemplo de tentativa de organização contra o jugo do poder do capital e de seus representantes no poder político, que em nada se moveram para evitar que se repetisse o que ocorreu na mesma época no ano passado. Em meio às barbaridades, temos aqui a denúncia da situação vivida nas comunidades dessa região da zona leste de São Paulo, que vive as mazelas da chuva em proporção alarmante, mas que se assemelha, na história e na luta cotidiana, de tantas outras comunidades das periferias de São Paulo.


Solidariedade aos moradores do Jardim Pantanal

Diante de tantos desalojados, e de tantos que perderam tudo o que possuíam nos vários bairros do Jd. Pantanal, alimentos, roupas e outros itens de primeiro necessidade estão sendo recolhidos na portaria do Instituto Alana, em frente à sede do MULP (Movimento de Urbanização e Legalização do Jd. Pantanal), na Rua Erva do Sereno, 548.

Para realizar doações, entrar em contato com Thaís: 9755-2474; ou Vagner: 7379-8860 e 2584-6138.

 

Lembrando as enchentes

Lembrando as enchentes do verão passado

A temporada de chuvas está se abrindo, e com ela o temor de novas tragédias em comunidades periféricas, como as enchentes e deslizamentos que aconteceram no verão passado. Para relembrar esse período tão difícil, publicamos aqui o vídeo Jd. Lucélia Luta. Que sirva para ficarmos atentos e para reagirmos com ainda mais força caso situações desse tipo se repitam.