Cidade Limpa de Pobres?
Catadoras e catadores de três cooperativas de reciclagem realizam neste momento um protesto em frente à Secretaria Municipal de Serviços, na Libero Badaró (região central). O propósito da manifestação é lembrar aos burocratas da Administração Municipal sobre os compromissos que eles assumiram com as cooperativas, e denunciar as condições de trabalho. Além de faltar infra-estrutura e espaço adequados, equipamentos de segurança, sistema de abastecimento eficiente, e de trabalhar muitas vezes sem licença em função da terrível burocracia estatal; as cooperativas sofrem freqüentemente ameaças de despejos.
Na semana passada, a Cooperativa Sempre Verde foi assediada por um funcionário da prefeitura, que exigia a assinatura de uma notificação de despejo. Há dois meses o prefeito Kassab e a Câmara dos Vereadores decretaram a venda do terreno original da Cooperativa da Granja Julieta, de onde os trabalhadores e trabalhadoras foram expulsos violentamente após um incêndio criminoso.
Esses ataques revelam que para as elites e os ditos “poderosos” o discurso ambiental só vale quando dá lucro.
Os despejos em massa, a perseguição aos ambulantes, a violência contra moradores de rua, às agressões contra catadoras e catadores, o desprezo ao trabalho de reciclagem, essa violência contra milhares de pessoas são partes de um mesmo processo: a guerra de classes que hoje se desenvolve com a criminalização da pobreza, a higienização, a militarização da gestão, as afrontas aos movimentos populares. A mensagem é uma só: não há mais lugar nessa cidade para quem a construiu, com seu trabalho.
Se tentam tirar nossas fontes de trabalho, se tentam tirar nossas moradias, se tentam nos reduzir a nada e apagar nossas histórias, só nos resta o caminho da luta. Essa é a nossa mensagem!
Gostar disso:
Seja o primeiro a gostar disso post.