Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP
A Rede de Comunidades do Extremo Sul é um movimento popular recém-criado na zona sul de São Paulo, que tem como proposta a organização autônoma do povo da periferia, sem depender de politiqueiros, nem de patrões, nem da migalha de quem quer que seja. Propomos a união das quebradas e a luta direta como meio de melhorarmos a nossa condição de vida, e combatermos as formas de opressão e de exploração que sofremos todos os dias. Junto com tant@s lutador@s, que ao longo da história se rebelaram, sabemos que nossas conquistas e nossa liberdade serão frutos de nossos próprios esforços! É por isso que caminhamos.
E-mail: redeextremosul@gmail.com
Veja abaixo os nossos manifestos
Primeiro Manifesto
Pelo direito à dignidade para o povo que vive em áreas de mananciais e arredores, no extremo sul de São Paulo
Estamos vivendo uma situação de verdadeira calamidade! Devido ao descaso do “poder público” e à ambição das elites dessa cidade, em nossas comunidades (Pq. Cocaia I/Jd. Toca, Jd. Lucélia/V. Nascente, Recanto Cocaia/Jd. Tangará, Jd. Prainha, entre outras), localizadas no extremo sul de São Paulo, ocorrem diariamente tragédias: enchentes, deslizamentos de terra e desabamento de casas. As perdas são incalculáveis; são muitas pessoas perdendo móveis, eletrodomésticos, alimentos, roupas, perdendo seus empregos, já que não é possível sair para o trabalho sabendo que qualquer chuva pode causar uma desgraça em nossa casa. São muitas as crianças doentes, infectadas por uma água imunda, pegando sarna, leptospirose, e várias outras enfermidades. Estamos todos traumatizados pelo desespero de vermos nossa vida e a vida de nossos familiares em risco, a cada chuva. Uma situação que não é possível traduzir em palavras…
E isso tudo numa região muito carente de infra-estrutura e serviços públicos. Em várias comunidades, como é o caso do Jd. Prainha e do Recanto Cocaia, por exemplo, padecemos com a falta de asfaltamento, de saneamento básico, de atendimento médico, de creches, de escolas próximas, e por aí vai.
Como se isso não bastasse, dezenas de comunidades que se localizam próximas à Represa Billings estão sendo despejadas, e outras tantas estão sob ameaça de despejo, por conta do “Programa Mananciais”, da “Operação Defesa das Águas” e de outros processos que visam atender aos interesses da especulação imobiliária. Todos sabemos que a região dos mananciais abrange uma área enorme, que inclui o Autódromo de Interlagos, regiões habitadas por ricos, grandes casas noturnas, que, é óbvio, permanecerão intocadas. As áreas ameaçadas são apenas a de comunidades pobres, compostas por milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que não tiveram opção, a não ser comprar seu pedaço de chão em loteamentos precários, resultado de uma articulação entre grandes proprietários, políticos, burocratas, imobiliárias e membros do aparelho judiciário. Esta história não se vê nas telas da TV, que mostram apenas uma versão distorcida e mentirosa da nossa realidade, alimentando preconceitos dos quais somos vítimas no dia-a-dia, repetidos por nossos patrões que muitas vezes nem imaginam que o funcionário ali ao seu lado vive naquela comunidade atingida pelas enchentes, ou ameaçada de despejo.
A necessidade de preservação do meio ambiente – com o que estamos de pleno acordo – pode e deve ser feita respeitando os direitos da população pobre. Portanto, nós, moradores de comunidades carentes, ameaçadas de despejo e vítimas das enchentes, exigimos do poder público a garantia de nosso direito à moradia digna e aos serviços públicos fundamentais.
Quando muito, diante da nossa atual tragédia, a resposta do Estado tem sido os albergues, as passagens para o “Norte”, os cheques-despejos (cada hora num valor, mas sempre muito baixos) disfarçados de “auxílio-aluguel”. Ao contrário, exigimos a construção de um projeto participativo e popular de reurbanização de nossas comunidades que una a preservação ambiental à garantia de moradia e de outros direitos sociais assegurados a nós, pelo menos na teoria, pela Constituição. E, de imediato, exigimos uma SOLUÇÃO EMERGENCIAL às tantas famílias que têm perdido tudo o que construíram com tanto esforço, e cuja própria vida está ameaçada, em função da segregação social, da falta de planejamento urbano e da ganância dos que se dizem “poderosos”.
Apelamos à solidariedade de todos os que apóiam a luta do povo da periferia. Porém, aproveitamos para lembrar que temos convicção sobre os nossos objetivos, que não estamos pedindo favor, mas lutando pelo que é direito nosso, e que não cairemos no canto da sereia de oportunistas que quiserem tirar proveito de nossa tragédia. Alertamos também que a maneira como os políticos e o “poder público”, em todos os níveis de governo, se posicionarem frente à nossa situação será lembrada – e cobrada – pela via eleitoral, e principalmente por meio de nossa organização cotidiana.
São Paulo, fevereiro de 2010
Rede de Comunidades do Extremo Sul de São Paulo-SP
Manifesto de um ano da Rede de Comunidades do Extremo Sul
O povo de nossa região, assim como o povo de toda a periferia, sempre lutou por suas necessidades: cada escola, cada posto de saúde, cada linha de ônibus, cada rua asfaltada, até o acesso à água e à luz, foram resultados de várias batalhas no
passado, feitas por muitas pessoas que sabiam onde o calo apertava, e acreditavam que a vida podia ser melhor. Essa consciência, essa união, e essa organização popular que trouxe uma série de conquistas, já fizeram tremer os “poderosos”, e poderão fazer novamente.
Foi com esse espírito que, em fevereiro passado, criamos a Rede de Comunidades do Extremo Sul, buscando fortalecer essa cultura de luta, de resistência e de solidariedade de classe, num momento em que reina o individualismo, a acomodação, e a arrogância de querer ser melhor do que o vizinho, e portanto de não se importar com suas dores e suas alegrias.
Na época de surgimento da Rede Extremo Sul, sofríamos não apenas com os
despejos que se tornaram comuns em nossa região e em várias outras regiões de São Paulo, mas também com a calamidade das enchentes que atingiram algumas comunidades. Diante dessa situação, travamos pistas, marchamos, protestamos e até nos dispusemos a negociar com nossos inimigos, os donos do poder. Perdemos algumas batalhas e conseguimos resistir a outras ofensivas; vimos como é grande a força da estratégia usada pelo Estado e das construtoras para nos dividir, fragmentar nossas lutas, aliando a entrega de migalhas – que compram algumas lideranças e silenciam muitos dos
que estão sendo removidos -, a uma repressão crescente, tratando os problemas sociais como crimes da população pobre contra o Estado, e mobilizando a polícia para não permitir qualquer manifestação do povo indignado com as injustiças que sofre.
Diante dos cheques-despejos disfarçados de bolsa-aluguel, e da falta de uma alternativa habitacional real, percebemos a mentira do discurso “humanitário” dos governantes, que dizem estar fazendo isso para nosso próprio bem. Outro discurso que se revelou mentiroso é o da defesa do meio ambiente: por que não se faz nada com as grandes empresas e as grandes mansões que também se
encontram em áreas de mananciais? Por que não se cria infra-estrutura nas nossas comunidades, como redes de esgoto e sistemas eficientes de coleta de lixo? Por que não se dá alternativa aos que são removidos, obrigando-os assim a ocupar uma nova área à beira da represa ou de um córrego? Logo descobrimos a resposta destas e de outras perguntas: que se danem as nossas vidas ou o meio ambiente, quando se trata de encher de dinheiro os bolsos dos “poderosos”. E é isso que estão fazendo as grandes empresas – construtoras, incorporadoras, imobiliárias – e muitos políticos, que aliás têm suas campanhas financiadas por essas empresas.
Por mais duros que tenham sido esses ensinamentos, eles serviram para nos
fortalecer, de tal forma que, ao completar um ano de existência, temos sim o que comemorar. Nesse período, passamos a nos reunir periodicamente para discutir os problemas de cada comunidade, tirar nossas pautas, decidir coletivamente nossas próximas batalhas. Outras comunidades se juntaram à Rede, sendo elas também vítimas da violência dos despejos e colocadas em situação de risco por obras que têm em vista o lucro e poder de alguns, mas não a melhoria das condições de vida da periferia. Lutamos pela moradia, mas também lutamos com as mães e reconquistamos juntos com essas mulheres guerreiras o direito à creche, que foi
violado pela privatização do sistema de educação infantil; estamos juntos com estudantes, professores e comunidades que lutam pelo fim da opressão e autoritarismo no interior das escolas e pela qualidade da educação; e também com lideranças que lutam pela melhoria do transporte e da saúde de nossa região. Junto aos grupos de cultura, nos fortalecemos ocupando espaços e ruas, becos e vielas de nossas comunidades, criando autonomia paranossas manifestações que aliam uma arte e uma comunicação produzidas por nós mesmos com a luta cotidiana. E tivemos a satisfação de travar contato com outras lutas, como a iniciativa combativa e transformadora de cooperativas de catadores de papel, com quem temos todo o interesse em caminhar juntos.
Comemoramos também porque aprendemos com as derrotas e sabemos que nossos desafios são imensos, e que estão na ordem do dia de toda a periferia. Os próximos tempos serão sombrios, pois com o lucrativo projeto de transformar a
imagem da cidade para os mega-eventos, como a Copa do mundo e as Olimpíadas, os ataques contra as populações pobres de São Paulo irão aumentar. No entanto, a cada dia tomamos mais consciência de nossa classe, reanimando a solidariedade entre nós, e percebemos que “nós” somos milhões. Estamos no extremo sul da cidade, mas também nas imensas periferias mundo afora.
Sabemos que as lutas que travamos são muito pequenas, insuficientes, localizadas. Mas temos ousadia de lutar, e de seguir um caminho honesto e autônomo, sem ficar debaixo da asa de políticos, de ONGs, de empresas, e sem nos subordinarmos ao Estado. Seguiremos dedicados à nossa organização de luta da periferia, por uma sociedade sem classes.
As tarefas do nosso tempo nos desafiam a estarmos sempre nos renovando, mudando de estratégias, propondo novas formas de nos organizarmos, diversificando nossas bandeiras. Hoje acreditamos ser importante articular e unificar algumas experiências organizativas que estão sendo desenvolvidas em nossa região, mas também em outras. Se buscamos combater com nossa prática a fragmentação das lutas, a divisão entre líderes e liderados, entre os que pensam e os que executam, entre os que mandam e os que obedecem; se somos contra a profissionalização da prática política, e a aplicação de modelos e fórmulas prontas, que não respeitam as realidades de cada lugar, pensamos também que não podemos cair no isolamento. Nos próximos meses, junto com outros companheiros e companheiras de caminhada, nos dedicaremos à criação de uma ferramenta organizativa que garanta ao mesmo tempo a autonomia das iniciativas em andamento, mas que as unifique em torno de bandeiras e estratégias comuns.
A periferia está em luta!
Rede de Comunidades do Extremo Sul, fevereiro de 2011.






10/6/2010
Ola compas
Todas as formas de lutas são bem vindas. Mas temos que nos aglutinar para o momento final. Onde a classe operaria irá tomar o poder. Pois, o poder ermana do povo e deve ser exercido pela classe operaria rural e urbana.
Saudações revolucionarias.
Valdemar Oliveira
Galera, prazer meu nome é Léia, moro em Parelheiros. Gostaria muito do contato de vocês para eu poder trocar umas ideias, enfim……..
Não conhecia a rede e eu quero conhecer muito mesmo. Quem poder me responder no mail ficaria agradecida heim.
Abarços
Léia
meu nome e cosme vitor moro em são josé dos campos vale do paraiba sp
faço parte de uma associação de favelas que luta contra a remoção de familias pobres da áreas central da cidade gostaria de manter um contatos para nos ajudar a divulgar a nossa luta e junto formarmos um luta só
espero um retorno obrigado
cosme vitor tel 012 97097730
Eu me chamo Márcio, estudante de História, e gostaria de realizar um trabalho de pesquisa sobre familias que vivem em situação de risco no lado Sul de São Paulo. Gostaria de saber onde posso localizar alguém responsável pela rede, para esclarecimento de dúvidas e uma entrevista.
Muito Obrigado.
Gosto muito do trabalho de vocês.
Olá, meu nome e Juliana sou Educadora Social, moro no Parque América gostaria muito de participar das ações como as que aconteceram no inicio do mês no calçadão do Carlos Ayres,e de outras ações tbm!!!
Boa tarde sou morador do Jardim Prainha há 12 anos vi pouquissimas melhorias nesta comunidade praticamente insignificante, essa luta por melhorias e fundamental para as comunidades pobre que são esquecidas pelo poder publico e menosprezado pela sociedade com melhor poder aquisitivo.
Moramos nestas condições não porque queremos, mas sim por não ter condições de ter algo melhor no momento, sendo a maioria de familias pobres, e sem orientação necessaria para poder reclamar por nossos direitos, e importante a divulgação desta rede de comunidades para que essa luta creça e apareça e seja melhorada as condições de moradia tendo infra estrutura adequada nestas comunidades já que não temos para onde ir vamos lutar para melhoras oque e nosso sem luta não a vitoria conte comigo um grande abraço.
Olá Pessoal! sou moradora do Jd. Prainha e não conhecia o trabalho de vocês, fiquei curiosa e gostariade saber como faço para fazer parte da rede, sou educadora e quero mim envolver em projetos como esse. Abraço. Lucicleide
Olá,
Há anos atuo no movimento ambientalista em defesa dos mananciais. Gostaria de manter contato para trocarmos informações, pois entendemos que as ações de despejo que estão sendo desencadeadas não resolvem e até mesmo agravam o problema. Além disso, ninguém mora de maneira irregular porque gosta. Se isso ocorre é porque não há alternativa digna de moradia.
Meu contato: mauroscarpi@hotmail.com fone 11 9603 8689
Mauro
Ola companheiros, fico muito satisfeito em ver que, ha pessoas comprometidas em lutar junto com a comunidade pobre e principalmente as que estão sendo criminalizada pelo poder publico, que a “toque de caixa”, esta dizimando-as, em nome de “preservar” os mananciais e o meio ambiente.
Acompanho através do Jornal A Nova Democracia, como eles estão fazendo no Rio de Janeiro, para “limpar” a vista dos gringos e “mostrar” as maravilhas do Rio e preparar-se para a Copa de 2014. Aqui em São Paulo, também, pois no entorno do “ITAQUERÃO”, estão com 12 comunidades para remover e os políticos, que sobrevivem do caixa dois das empreiteiras, estão vibrando com isso, por isso acho justo a forma que expressaram no ultimo parágrafo e gostaria que vcs enviassem mais dados, para irmos divulgando. Viva a resistência popular ! A rebelião se justifica!
Olá
Meu nome é Nadeje, sou moradora da Vila Joaniza. Gostaria de conhecer o trabalho de vcs. Sou do Núcleo Consulta Popular e desenvolvemos algumas atividades na região. Como podemos fazer para nos conhecer?
oi companheiros fiquei feliz em saber que existe um grupo que se interessa por esta exclusão social que acontece em nossas comunidades.temos mais lutas pela frente como na região da cidade ademar,no bairro da cidade julia,na rua maria tereza onde familias estão sendo tiradas de suas casas que serão demolidas sem garantia do amanhã.é mais um caso exclusão de direitos e dignidade!.
Infelismente nossos governantes acham que auxilio alugeuel vai resolver o nosso problema.
Nós do Parque bristol, Vila Livieiro e Jardim São Saverio tambem estamos passando por esses tormentos, aonde coronéis gerenciam as sub prefeituras, e violentam nossas moradias com pichações, intimidações e etc.
Estamos tambem na Luta por moradias digna, e contra o cheque despejo.
Companheir@s,
Gostaria de apresentar e discutir com vocês a CONFERENCIA PERMANENTE DE DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE vejam em: http://www.conferenciadedireitos.org.br/dcasp
Podemos desenvolver sinergia em várias práticas de interesse comum.
Saudações Fraternas
Silva
ola meu nome é Daniel eu faço parte da comunidade do jardim shangri-la ,e tive a oportunidade de conhecer o trabalho de voçes através da carol na reunião do forum dos transportes essa semana .quero parabeniza-los por este trabalho maravilhoso que vem de encontro eu diria a maior das nossas nescessidades como comunidades que é a informação o sistema dominante nos mantém escravos através do boicote de informações educativas e evolutivas e massifica as nossas mentes com informações alienatórias que nos leva ao consumismo .por isso quero mais uma vez aqui manifesta meu interesse por este trabalho e me por á disposição para disceminar ideais de comunicação livres e organizarmos esta resistênçia atraves de projetos que incluam as crianças nestes trabalhos de edição de videos e questionamento de seus direitos precisamos agilizar isto urgentemente eu gostaria de citar aqui a previsão de um grande personagem brasileira a respeito das proximas revoluções que e o nosso grande MILTON SANTOS falando da revolução da midia digital e ja vimos o poder de mobilização que podemos ter pelo exemplo da queda das ditaduras que esmagavam os povos do oriente a séculos e caiu assim tambem podemos derrubar esse sistema
Vamos nos unir, com organização e muito amor no coração pois quem sabe faz a hora e não espera acontecer.
Sempre alerta rapaziada e moçada porque o ” Grande Irmão ” tá de olho grande na gente.
Cuidado na rede social digital e vamos começar uma rede orgânica de fato.
Olho no olho, com precisão de ação, com os pés no chão e a cabeça no mesmo lugar aonde tiver os pés.
O Capetalismo se finge de morto, pra depois dar um bote maior e com mais força.
E como parlou Yaohushua: … é mais fácil passar um camelo por um buraco de uma agulha do que entrar um rico no céu. Reflitamos.
O parlamento dele era na rua, junto com o povo.
Firma povo! todos nóis! Juntos e organizados.
Viva La Madre Tierra Libre!
Viva Lo Pueblo Libre!
Paz, Amor e Justiça Social
Ermano