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Solidariedade ao Pinheirinho

Campanha de Doações na Zona Sul

A Subsede Santo Amaro da Apeoesp, junto com outras organizações, está realizando uma campanha de arrecadação de mantimentos às famílias do Pinheirinho, que foram despejadas de modo covarde e violento, e hoje se encontram numa situação bastante precária.

Fomos informados que essas famílias estão precisando, sobretudo, de materiais de limpeza e de higiene pessoal.

Logo serão organizados outros pontos de arrecadação, mas por hora as doações podem ser entregues nos seguintes locais: 

Apeoesp – Subsede Sto Amaro.  Rua Cerqueira Cesar, 480. Santo Amaro.

Colégio Giulio David Leone, Rua Ribeira do Vouga, 91. 

1° Andar Estúdio. Av. do Rio Bonito, 2247 – sobreloja (1° Andar).

Além disso, a CSP-Conlutas está realizando uma campanha de arrecadação de dinheiro, recebendo doações na Conta Corrente 8908-7, Agência 4223-4 do Banco do Brasil.

Uma semana do Massacre do Pinheirinho

Pinheirinho: Arquitetura da destruição…                                E da re-construção.

Apesar de haver ainda moradores do Pinheirinho desaparecidos, uma semana após o Massacre da ocupação Pinheirinho, muita água rolou. Com muita mobilização de movimentos populares e outros setores da esquerda, com inúmeras manifestações de solidariedade enviadas de todo canto do Brasil e de fora do país, além de denúncias de violação dos direitos humanos, fortaleceu-se uma contraposição a esse regime repressor e violento, que criminaliza o povo organizado.

Com isso, o governo estadual e do município de São José, os mesmos que arquitetaram a destruição do Pinheirinho, ofereceram o bolsa-aluguel e se comprometeram a entregar apartamentos do CDHU às famílias despejadas. Os mesmos que tiveram 8 anos para regularizar a situação do Pinheirinho e para negociar com os moradores uma moradia digna, mas que optaram pelo despejo e pela repressão brutal, em menos de uma semana apresentam alternativas habitacionais. O intuito é silenciar os protestos, e botar uma pedra sobre a questão, apagando a barbaridade que cometeram. Por outro lado, eles vão tentar fazer aqui o mesmo que fazem com tantas comunidades que eles despejam todos os anos: enrolar, desarticular, para depois esquecer a promessa. Pura ilusão desses facínoras. O crime que eles cometeram não será esquecido, e eles não conseguir enrolar quem passou tanto tempo lutando por construir a comunidade do Pinheirinho.

Os que se ocupam da tarefa de fazer moradias populares fazem parte da mesma elite sanguinária, preconceituosa e mentirosa que os governantes, e certamente estão atentos às coisas que acontecem. No final do ano, o Alckmin inaugurou uns prédios do CDHU, que já vieram cheio de goteiras, infiltrações, rachaduras, vazamentos, as portas e as janelas, se abriam, não fechavam, e se fechavam, não abriam. Porém, ao invés de reconhecer a incompetência da empreiteira e de sua própria gestão, e de investigar o que aconteceu, o presidente da CDHU decidiu culpar os próprios moradores, por serem “favelados”. Nas palavras dele: “A gente conhece o nível de educação [dos moradores]… O pessoal veio da favela. Não está acostumado a viver em casa”.

Em nome do poder econômico se destrói e se constrói moradias, beneficiando os proprietários e as construtoras; a população pobre, ao contrário, nos raros casos em que é “contemplada” por num programa habitacional depois de perder suas moradias construídas com tanto esforço, acaba ganhando em troca de uma dívida, que ela provavelmente não vai conseguir pagar.

Todo povo da periferia sabe e sofre com os impactos da ligação entre a especulação imobiliária que comanda ações de despejos, os projetos de construções nas cidades loteadas, e o jogo eleitoral, financiando campanhas de políticos de todos os partidos. Ou seja, eles ganham destruindo e construindo – não apenas muito dinheiro, mas também poder de mover as peças do jogo como desejam. Infelizmente, vivemos num sistema em que este poder está muito acima da vida, e num momento histórico que nem as leis burguesas são respeitadas e não temos a garantia de qualquer direito. Por isso, os ataques contra o povo continuarão, a não ser que a gente se organize e adquira força para virar o jogo.

Mas é certo que não são apenas os interesses econômicos movem uma ação como essa. Ao destruir uma comunidade inteira auto-construída e organizada por seus ocupantes – aqueles que como a grande maioria das grandes cidades nunca tiveram outra maneira de viver – os poderosos querem barganhar a dignidade dos lutadores e lutadoras, oferecendo uma moradia como presente que vem de cima.  Com isso, eles também tentam destruir a dignidade e o poder popular que só se constrói em lutas diretas. Mas isso não conseguirão fazer.

A comunidade do Pinheirinho continua organizada e nesta quinta-feira, dia 2 de fevereiro, haverá mais uma grande manifestação nacional que será realizada em São José dos Campos. Para mais informações, clique aqui.

Todo poder ao povo!

Segue poema de morador despejado:

“OUTRO PAÍS NO BRASIL”
Antônio Silva
(morador do Pinheirinho desalojado violentamente no dia 21 de janeiro)
 
Uma ninhada de tucano
de uma noite para o dia
veio do mundo afora
pondo o povo em perigo
Em pleno final de semana
enquanto o povo dormia
invadiram o acampamento
numa maior covardia

Todo mundo acordou
chamando seu companheiro
pois já haviam tomado
o acampamento inteiro.

Homem, mulher e criança 
gritavam desesperados, 
dizendo um para o outro:
“o Pinheirinho está tomado!”.

Era o batalhão de choque
veio a cavalaria
para expulsar o povo
numa maior covardia

Jogavam gás de pimenta
sufocando todo mundo
tratando os trabalhadores
como sendo vagabundos.

A juíza e o prefeito
de longe nos assistindo
A comunidade chorando
enquanto os dois estavam rindo.

Depois de nos jogar na rua
segue a perseguição.
Não sei se eles são de pedra
ou gente sem coração.

Parece mais uma guerra
onde isso já se viu?
Ou será que nós somos
outro país no Brasil?”

Extremo Sul é Pinheirinho

Pinheirinho no Grajaú 

Diante da ação truculenta da PM e do governo para despejar o povo da ocupação Pinheirinho em São José dos Campos, temos poucas maneiras de expressar nossa revolta e nossa solidariedade. Estamos de luto. E junto com o coro de camaradas lutador@s, somos todos Pinheirinho.

Faixas produzidas no Sarau de hoje, no Jd. Lucélia


Cultura na comunidade

Imagens do último Sarau do Recanto

Mais um sarau com muita poesia de luta, indignação, amor e ódio (e as odes sanguinárias). Os temas sempre presentes são da nossa vida presente: o despejo, a violência policial, a organização, etc. E cada vez tem mais gente produzindo, compartilhando e pensando junto.

Como sempre, houve a presença forte dos parceiros rimadores, grafiteiros, bboys, e mc’s. Mas desta vez o samba também entrou na roda, com seu canto de dor e alegria, pra pensar sobre a favela.

E o próximo vai ser noutra comunidade – no Parque Cocaia I – na tarde do dia 13 de novembro. 

Protestos dos Camelôs

A Resistência dos Camelôs do Pari

Ao longo da última semana, os camelôs da região do Pari resistiram bravamente contra as investidas da Prefeitura, que mobilizou a PM para expulsar milhares de trabalhadores da Feira da Madrugada. Foram dias de protestos, passeatas, bloqueios de avenidas e confrontos com a polícia, em defesa de seu meio de sustento.

Esse mesmo sistema que nos reduz à condição de escravos do dinheiro, priva um sem-número de pessoas das condições de subsistência. E quanto as pessoas se viram para conseguir o ganha-pão, são tratadas como caso de polícia.

Força aos camelôs, na resistência contra mais um episódio de criminalização da pobreza!

Desinforme-se você também

Desinformemo-nos e revolucionemos

Vejam aqui um texto e um vídeo nossos traduzidos para o espanhol, pel@s companheir@s do Desinformémonos, neste mês de seu segundo aniversário. Vida longa aos combatentes da contra-informação. 

Promotor de justiça recomenda assassinato

A pena de morte no Brasil

“Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno. Fica aqui o conselho para Marcos Antônio: melhore sua mira…”.

A frase não é de um apresentador de programa sensacionalista. Não, é de outro tipo de parasita que se alimenta da desgraça generalizada: trata-se de um “promotor de justiça” (que ironia mais tosca), o ilustríssimo Rogério Leão Zagallo, do 5° Tribunal do Júri de São Paulo. E ele não disse isso numa conversa de bar, mas escreveu num processo em que pediu o arquivamento de uma investigação que poderia levar um policial a responder por homicídio, em função do assassinato de um homem que teria tentado roubar seu carro (veja aqui).

Com isso o promotor escancara aquilo que todos nós sabemos: que a pena de morte no Brasil só não existe na Constituição, mas que na prática é generalizada, promovida e legitimada pelo Estado, com o judiciário à frente (e/ou na retaguarda).

Enquanto isso, se multiplicam os “autos-de-resistência seguida de morte”, os desaparecimentos, as milícias, os grupos de extermínio, as chacinas, as torturas, levadas a cabo por grupos policiais ou pára-policiais. Num sistema que nos reduz a coisas descartáveis, e em que aulas de tiro e violência são ministradas pela TV a qualquer hora do dia e da noite, esse tipo de barbaridade virou rotina.

O promotor Zagallo, assim como os tantos assassinos de farda ou de terno-e-gravata saúdam essa situação, e só contribuem para agravá-la.

São os milhões e milhões de vítimas diretas dessa violência generalizada – via de regra pobres e, principalmente, negros – que podem arrancá-la das garras da normalidade, e reverter esse quadro.

Conjuntura

Por que ninguém fala sobre a conjuntura nacional? – Parte III

Consumada a vitória, e se valendo de um contexto econômico favorável, os dirigentes petistas puderam intensificar seus esforços para se consolidar no poder, e para fundir as estruturas partidárias com as do Estado. Que banquete, em que se refestelaram tantos “quadros” “sem-teto”, “sem-terra”, “educadores populares”, “metalúrgicos”, etc., com as migalhas que caíam dos pratos das grandes construtoras, dos latifundiários, dos empresários da educação, dos dirigentes industriais, dos banqueiros… “Traidores!”, assim comumente os chamaram os que não escolheram o mesmo rumo. Mas será que isso basta para explicar o que se passou? Não seria melhor começar a buscar os “porquês” nas respostas equivocadas dadas pelas organizações às contradições e aos limites que o capitalismo nos impõem a todos e todas que lutam? Por exemplo, a imitação da lógica estatal e empresarial, com a profissionalização dos militantes, o centralismo, a burocratização, e a busca pelo êxito eleitoral, como se o Estado fosse uma estrutura oca, neutra, esperando para ser ocupado por um bom ou um mal governo, ou como se o caminho eleitoral não sugasse as energias, e não homogeneizasse tudo pela farsa do debate, pelo marketing, pela necessidade de grandes financiamentos, pelos lobbies, etc., enfim, toda essa novela tantas vezes encenada, em tantos lugares e épocas distintas, sempre com um final tão trágico para nós, aqui de baixo.

E para coroar a sua “marcha triunfal”, os “companheiros” petistas se fizeram os anunciadores de um novo mundo, fruto da difusão do crédito pessoal. Em meio aos velhos e novos famélicos, que as “bolsas-isso” e “bolsas-aquilo” evidentemente não eliminaram, o Brasil se torna assim o éden do consumo predatório, a terra prometida dos televisores de plasma e dos telefones celulares de última geração. Aqui se estranha os iguais, na mesma medida em que se idolatra o playboy empresário, o artista da novela, e a nova promessa do futebol. A multidão de moradores de rua; os despejados; os incontáveis jovens pobres – geralmente negros – exterminados pela polícia; o exército de viciados em álcool e drogas, as fileiras de mulheres oprimidas, espancadas, violentadas, reduzidas a meras mercadorias; a falta de médicos e remédios; as horas diárias presos no trânsito; a escravidão pelo dinheiro; a incerteza em relação ao dia de amanhã; a desconfiança; o medo; tudo são ossos do ofício, tudo se torna normal, tudo se tenta esquecer ou justificar como necessário ou inevitável.

Eis aí a grande derrota que sofremos. Em questão de décadas, o ímpeto de um projeto coletivo de transformação social, que mobilizava grandes contingentes populacionais, é substituído por um voraz individualismo consumista. Não é à toa que atualmente em terras brasileiras são requentadas as velhas pataquatas pós-moderninhas do fim das classes, dos “ressentimentos”, das clivagens entre esquerda e direita, da história, enfim, junto com o “relaxa e goza” desesperado, repetido como um mantra por uma horda de esquizofrênicos e depressivos.

Sim, de onde olhamos, são tempos sombrios para aqueles que não colocam um preço em seus princípios e seus anseios, em sua indignação e sua coragem, e para os que não podem se esconder sob a máscara do cinismo. Ora, jamais nos foi regalada a capacidade de escolher as condições nas quais buscamos fazer a história. Mesmo assim, subsiste a necessidade de caminhar, de continuar uma andança que começou em tempos imemoriais, contra imemoriais formas de opressão e de dominação.

Presos a um eterno presente, divididos em mil fragmentos desconexos, incapazes de aprender com o passado, de imaginar e batalhar por um futuro que não seja um simples “mais do mesmo”,  somos condenados a não saber quem somos, e assim, não vivemos o ontem, não conseguimos viver o agora, e continuaremos vegetando no amanhã, indignos. É preciso escutar e aprender a decifrar os signos por meio dos quais os que nos antecederam nos legaram lições preciosas. Faz-se necessário construir nosso senso de história, encontrar e também cerzir os fios invisíveis que nos conectam a um passado de luta, de resistência, de compromisso, de dedicação, de esperança, que não respeita fronteiras, nem o tempo do relógio.

Por mais negativa que seja nossa compreensão do presente, os descaminhos da esquerda brasileira nas últimas décadas nos revela os potenciais de um ascenso de classe sustentado por lutas diretas e experiência coletivas e verdadeiras. E também nos chama a atenção para as nossas vulnerabilidades frente ao reformismo, à covardia, e ao oportunismo. Diante disso, percebemos que negar esse caminho, e fazermos a crítica ao capitalismo como um todo (incluindo, portanto, o Estado, às estratégias eleitorais e parlamentares, e à lógica empresarial e burocrática), bem como nos lançarmos à construção da autonomia, da auto-organização, do poder popular, para além dos discursos, sem dúvida é o mais difícil, mas é, ao mesmo tempo, nada menos que uma questão de sobrevivência.

Oficinas da Rede

Um salve aos companheiros e companheiras que participaram das nossas primeiras oficinas. Elas são uma parte da nossa correria para fortalecer a cultura de resistência, feita por nós mesmos, e de colocar nossas idéias e brisas para fora, tomando vida no mundão.

Logo mais, tem mais

Mães de Maio

Os crimes de maio saindo do esquecimento.

Não se pode deixar a brutalidade e a violência se naturalizarem, deixar-se cair no esquecimento geral a capacidade de forças repressivas destruir vidas. É isso que nos lembram as Mães de Maio e outros familiares de vítimas do Estado todos os dias, na luta que passaram a tocar desde maio de 2006.

Em meio à histeria que seguiu aos chamados “ataques do PCC”, grande parte da população paulistana aplaudiu de pé o extermínio sistemático promovido pelas polícias. As centenas de morte covardemente provocadas pelo Estado foram brindadas como um ato de justiça e como uma vingança quase que pessoal. Só agora, depois do esforço cotidiano dos familiares das vítimas desse extermínio é que surge uma voz dissonante, buscando compreender o que ocorreu, apontar os responsáveis, e lutar para que episódios como esse, que em menor escala se repetem todos os dias, nas periferias, parem de ocorrer.

Um salve a estas guerreiras que não nos deixam esquecer que a chamada “Justiça” é uma arma da classe dominante, e que é urgente criarmos nossos próprios meios de nos defendermos.

Despejo violento na Vila Natal

Truculência do Estado na Vila Natal

Com uma ordem de despejo nas mãos, funcionários da Prefeitura e a polícia despejaram ontem treze famílias na Guanabara, Vila Natal. A reintegração de posse foi pedida pela CPTM, “dona” do terreno onde se encontra essa comunidade com cerca de 1200 famílias. Ainda não temos informações precisas, mas existe risco desse despejo continuar e atingir várias outras casas.

Às famílias despejadas não foi dada nenhuma alternativa habitacional, e nem mesmo o bolsa-aluguel. Ontem elas ocuparam um galpão para se abrigar, mas também foram despejadas de lá. Para completar essa situação terrível, a Subprefeitura da Capela do Socorro se comprometeu a fornecer cestas básicas e colchões às famílias, mas eles foram entregues às famílias erradas!!! E depois, percebendo o erro, ainda quiseram pegar de volta…

Os governantes e as elites mais uma vez declaram que estão em guerra contra a população da periferia. Precisamos encarar esse fato e nos organizarmos para reagir, rapidamente. Do contrário, essas barbaridades vão continuar a se multiplicar.

Moradores da Favela Esperança, na Vila Joaniza, se mobilizam para exigir o fim dos despejos e a canalização do Zavuvus em prol da comunidade

Canalização, Sim! Despejos, Não!

Cerca de 200 moradores da Favela Esperança, na Vila Joaniza, seguem mobilizados reivindicando a interrupção imediata das centenas de despejos que começaram a ocorrer de forma totalmente abusiva em sua comunidade. Eles exigem também que a canalização do córrego Zavuvus – uma bandeira antiga do bairro – seja feita sem a remoção dos moradores históricos da região. Desta maneira, no início desta quarta-feira, eles decidiram caminhar em marcha rumo à subprefeitura da Cidade Ademar para fazer tais reivindicações diretamente ao subprefeito, Carlos Roberto Albertim, e seu corpo de burocratas.

Depois de uma longa caminhada pela Avenida Yervant Kissajikian, o conjunto dos moradores foi recebido pelo subprefeito e seus assessores em um auditório improvisado. A negociação, no entanto, não avançou em nada, sobretudo pela intransigência dos gestores, os quais inclusive se recusaram a assinar sequer uma ata da reunião – reconhecendo que seguirão fazendo os despejos da mesma maneira, oferecendo os mesmos R$ 400,00 de bolsa-aluguel (vulgo “cheque-despejo”), sem qualquer outra garantia palpável de solução definitiva para as famílias.Revoltados com a postura do subprefeito e seus assessores, que segundo muitos moradores foram bastante desrespeitosos ao longo da “reunião”, e sem qualquer alternativa digna para o futuro de suas famílias, ao sair da subprefeitura os manifestantes resolveram voltar em marcha para a favela, não sem antes travar por alguns minutos a Avenida Yervant para chamar a atenção da sociedade sobre o tipo de tratamento que a população pobre vem recebendo do tal “poder público”


História da região

A Vila Joaniza é um bairro antigo do extremo sudeste de São Paulo, na região da Cidade Ademar. Um bairro grande e desigual, que inclui tanto áreas um pouco mais endinheiradas, quanto algumas regiões bem pobres, porém todas ocupadas há muito tempo. A Favela Esperança, que fica na Joaniza, também tem mais de 40 anos de existência, quando os primeiros moradores da comunidade começaram a se estabelecer por ali. De lá pra cá, foram décadas e décadas de muita luta cotidiana, fora do horário de serviço e nos finais de semana, para transformar os primeiros barracos em casinhas melhor estruturadas (com encanamento, de alvenaria, com várias lajes…); para ir aprimorando a infra-estrutura do bairro (asfaltamento de ruas, água e esgoto, creche, posto de saúde, transporte etc); e assim fortalecendo os laços comunitários. Tudo conquistado sempre com muita luta de cada família, e da comunidade como um todo.

Nas últimas semanas, por conta do famigerado “Programa Mananciais” e da aceleração dos interesses imobiliários e especulativos nos arredores da favela, centenas de moradores antigos da comunidade estão sendo ameaçados e forçados a deixarem suas casas a toque de caixa, abrindo mão de direitos conquistados ao longo de tanto tempo. O argumento utilizado pelos gestores e pelos funcionários das construtoras tem sido, mais uma vez, a “urgência” da canalização do córrego Zavuvus – uma reivindicação histórica da própria comunidade – que estaria colocando em risco os moradores e seu meio ambiente. Assim, utilizam os velhos argumentos do “risco”, da “defesa do meio ambiente” e da “necessidade de melhorar a infra-estrutura do bairro”, além da própria comoção gerada pelo afogamento de duas crianças no início do ano, para justificar a urgência que eles têm por seus lucros empresariais e especulativos. Ao invés de atender de maneira decente a histórica reivindicação pela canalização do córrego Zavuvus em prol da comunidade, estão tentando fazer acreditar que a favela é o obstáculo no meio do caminho, ameaçando-a, e assim tentando justificar a expulsão de centenas de famílias para vá-lá-saber aonde. Um pouco desta história foi registrada neste vídeo aqui .

Resistência na Comunidade

Frente a todos esses absurdos, a comunidade da Favela Esperança está consciente de seus direitos e disposta a resistir! Mesmo depois de uma série de ameaças e intimidações por parte das assistentes sociais e de outros funcionários da Prefeitura, reafirmam que a proposta que lhes está sendo apresentada, o auxílio-aluguel de 400 reais, não é uma alternativa aceitável. Ao contrário, exigem que seja feita a canalização do Córrego Zavuvus sem a remoção dos moradores, muitos dos quais residem na comunidade há 30 ou mesmo 40 anos. Por isso decidiram fazer esta primeira marcha até a subprefeitura da Cidade Ademar, protestando contra os despejos que estão ocorrendo na comunidade.

Para os moradores da Favela está claro que não é possível tolerar tantos absurdos assim, afinal é sabido ser possível interromper os despejos e fazer a canalização mantendo as famílias na mesma região que elas cresceram e ajudaram a construir com muita luta, tendo direito a usufruir de todas suas melhorias. Aliás, como já foi feito em outras áreas próximas do mesmo córrego, justamente onde ele tem uma vizinhança mais endinheirada. Por que será que a favela e o povo mais pobre tem que sempre ser tratado da pior maneira possível?

A comunidade garante que permanecerá mobilizada e não tolerará mais este tipo de absurdo. Segue fortalecendo sua organização autônoma e gritando para aqueles que se consideram “poderosos”:

A FAVELA ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE!

CANALIZAÇÃO SIM, DESPEJOS NÃO!

VILA JOANIZA LUTA!


VEJA ABAIXO AS REIVINDICAÇÕES DOS MORADORES:

São Paulo, 23 de março de 2011

Ao Subprefeito da Cidade Ademar,

Nós, moradores da Favela Esperança, na Vila Joaniza, declaramos que auxílio-aluguel de 400 reais não é política habitacional, e reivindicamos: 1) Paralisação imediata dos despejos que estão em curso em nossa comunidade. Basta de assédios, ameaças e outras formas de violência contra os moradores e as moradoras da Favela Esperança; 2)  Que seja feita a canalização do Córrego Zavuvus sem a remoção das famílias que residem próximas a ele, como ocorreu perto do Colégio 24 de março e de outros lugares de nossa região.Só aceitaremos remoções pontuais caso seja apresentada às famílias em questão uma real alternativa habitacional – ou seja, caso a família deixe sua casa já com a chave de sua nova casa própria -, e caso essas famílias estejam de acordo. Fora isso, admitiremos apenas remoções temporárias, combinadas contratualmente, durante o tempo de realização das obras.

Solicitamos que estas reivindicações sejam encaminhadas aos demais órgãos competentes, como a Secretaria Municipal de Habitação e o Programa Mananciais, e que nos seja apresentada a resposta sobre o segundo ponto da reivindicação em nova reunião a ser realizada num prazo de 15 dias.

Moradores e Moradoras da Favela Esperança, Vila Joaniza


Comunicação e Rádio Livre

Zine – Rádio Livre

Segue aí dois trechos do zine feito para a inauguração da Rádio do Recanto. Já começou da hora! Basta clicar pra aumentar…