Arquivo da categoria: Todas as comunidades

Sexta Feira de luta e organização em MARSILAC

1545604_287879454708304_5376093901387055296_nNessa ultima sexta feira (11/04), o povo da Ponte Seca, Ponte Alta e do Mambu, no Distrito de Marsilac, Extremo sul de São Paulo, mostrou que as pessoas que residem nesses bairros não estão para brincadeira. Elas se uniram e fizeram uma Linha Popular, realizando o transporte gratuito de muitos moradores que sem ela andariam 14 km para chegar à Unidade de Saúde (UBS).

Cansados de tanta enrolação do poder publico para implantar duas10151165_287879461374970_2963443503469591837_n linhas (Mambu-Marsilca e Reserva-Embura), reivindicação antiga na região, organizaram um ato alugando uma Van para realizar o trajeto Mambu-Marsilac com tarifa zero. Essa iniciativa tem o objetivo de provar que a implantação da linha é possível e que os moradores não aguentam mais tanto descaso do poder publico, que nunca atende essa importante reivindicação.

Todo Poder ao Povo!

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Linha Popular no Marsilac

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Ditadura ontem e hoje

 A luta do povo e a ditadura

Nos últimos dias, o tema da ditadura militar foi muito discutido nos grandes meios de comunicação, mas muitas coisas importantes foram distorcidas ou omitidas. Houve quem defendesse o regime militar, mas na maioria dos casos as manifestações eram de crítica à truculência e ao autoritarismo dos militares, e se repudiou a censura, a tortura, as mortes, e o desaparecimento daqueles que se opunham à ditadura.

Ditadura-Militar-PinochetIsso é positivo, e em grande medida é resultado dos esforços de familiares das vítimas dos militares e de organizações políticas que lutam pelo chamado “direito à memória e à verdade”. Ocorre que nos grandes meios de comunicação o sentido geral da discussão é sempre o de justificar a ditadura como resposta à “ameaça socialista”, de apresentá-la como algo do passado, e de exaltar o triunfo da “democracia”. Em oposição  a isso, algumas coisas devem ser ditas:

1) A não ser em algumas cabeças delirantes, não havia possibilidade de um “golpe” de esquerda no Brasil, e muitos menos de uma revolução socialista. Com os governos Jânio Quadros e João Goulart,images parcelas das elites perderam temporariamente o controle direto sobre o executivo federal, e houve a possibilidade de implementação de políticas que significariam um freio à concentração de renda e de propriedade. Além disso, pela orientação nacional-desenvolvimentista desses governos, o capital internacional e os imperialistas norte-americanos temiam que seus interesses fossem afetados.

Sendo as elites nacionais extremamente truculentas e vorazes, e conectadas ao capital internacional, o reformismo de esquerda foi suficiente para precipitar o golpe.

images (1)2) Nesse sentido, o golpe não foi nem meramente militar, e nem meramente nacional. Sem o aporte de grandes empresas nacionais e internacionais, sem a tutela norte-americana, e sem o apoio de parcelas da população, a ditadura não teria sido instaurada, e não duraria o tanto que durou.

3) Os grandes vencidos da ditadura permanecessem esquecidos: inúmeros militantes populares foram torturados, mortos e desaparecidos, por vezes massacrados junto com suas famílias. E mesmo quando seus familiares e amigos sobreviveram, eles não dispunham – e continuam sem dispor – de meios de denunciar e de investigar as mortes e as torturas. A história que é contada é a história dos vencedores, e de modo geral, apenas as parcelas dissidentes das elites e da classe média dispõem de recursos para lembrar de seus mortos.

Além disso, como de costume, as parcelas mais pobres da população,Cela-600x380 e particularmente os negros e os indígenas foram maciçamente atacadas. “Vadiagem”, “alcoolismo”, “pederastia”, “desobediência”, “distúrbio da ordem”, “furtos”, entre outras acusações foram motivo para prisões, torturas e assassinatos em massa. E quem escuta falar, por exemplo, nas cadeias e nos campos de concentração indígenas que se multiplicaram durante a ditadura? (ver, por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui).

4) Não houve qualquer acerto de contas com a longa tradição de ditaduras brasileiras. É por isso que sob a chamada “democracia” a tortura, os assassinatos e os desaparecimentos resultantes da atuação das forças repressivas do Estado se generalizaram, tendo images (2)como alvo principal as mesmas parcelas da população massacradas sob o regime militar. As vítimas contam-se aos milhares, sob governos encabeçados por antigos rivais dos militares, incluindo ex-guerrilheiros brutalmente torturados. Enfim, o Estado autoritário é tão poderoso que consegue  incorporar boa parte de seus opositores (e aqueles que não se vendem e não se submetem costumam ser aniquilados).

5) O poder dos grandes meios de comunicação, que constituíram um dos pilares do regime militar, é hoje tão grande e crescente que vigora na prática uma pesada censura. E os censores, que não deixam1010344_437475736388132_1027664314_n passar uma vírgula que não esteja de acordo com os interesses das elites, não são mais uma comissão de militares desmiolados, mas sim os próprios dirigentes dos grandes jornais e redes de televisão.

Quem luta sente tudo isso na pele, vendo ignorados seus gritos ou distorcidas as suas reivindicações; sofrendo com todo tipo de perseguição, discriminação e criminalização.

Enfim, as atrocidades da ditadura militar se reproduzem, aprimoradas e generalizadas, sob a “democracia”. A liberdade de 50 anos ditaduraexpressão, a liberdade de manifestação, a igualdade perante a lei, o direito de voto, tudo aquilo que é cinicamente louvado pelos políticos e pela mídia não passa de uma grande mentira, um véu que toscamente procura esconder uma enorme rede de opressões, de desigualdade, de exploração, contra a população trabalhadora.

A crítica à ditadura deve servir para iluminar e enriquecer a crítica à chamada “democracia”, fortalecendo as bases de uma prática emancipadora. Do contrário, ela joga um papel conservador que só reforça o autoritarismo e a violência próprios dessa sociedade doente em que vivemos. 

 

 

 

4 anos de Rede Extremo Sul

No início deste ano, a Rede de Comunidades do Extremo Sul comemora 4 anos de existência. Em breve realizaremos um encontro de comemoração e refleção sobre os rumos de nossa caminhada. 

Todo poder ao POVO! Periferia Luta!

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Festa de Feriado da Luta no Jardim da União

Festa do povo!

2Onde há luta, há liberdade de decidir junto o rumo da caminhada, mudar a rotina e alterar o calendário. Numa das reuniões de organização internas do Jardim da União, decidimos que dia 15 de fevereiro seria feriado na Ocupação: não teve multirão, não4 teve aula de espanhol, não teve reunião, etc. Decidimos que seria dia de parar tudo e comemorar nossa luta e nossa resistência, que além destes 4 meses no Varginha, ainda conta com tempo de luta e de muitos despejos no terreno do Itajaí. 

E foi assim que foi: convidamos nossos camaradas e ???????????????????????????????companheiros das Ocupações Jardim da Luta e do Recanto da Vitória chegaram pra fortalecer. Nem a chuva, nem os ataques que temos sofrido por parte do???????????????????????????????s governantes, nem as dificuldades da luta, esfriaram esta festa de gente guerreira, que durou até o anoitecer. Cada grupo preparou uma barraca de salgado, de ???????????????????????????????bebidas, doces e outras delícias, e nada faltou. Foi tudo muito bem organizado, do povo pro povo. E mais uma vez, experimentamos o poder popular que se constrói a cada dia: aqui é tudo nóis por nóis. Viva o poder popular! As ocupações do Grajaú resistem!!! Periferia luta!!!

Feriado no Jardim da União!

No Calendário da Ocupação Jardim da União, dia 15 de fevereiro virou feriado.Comemoremos a luta e a resistência do povo! A festa é de gente guerreira e o convite vai pra quem luta! LUTAR, CRIAR, PODER POPULAR!

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20 Anos do Levante Zapatista

Viva as Comunidades Autônomas Zapatistas!

Somos todos zapatistas!

Somos todos zapatistas!

No primeiro dia de 1994 o mundo foi surpreendido pelo Levante Zapatista. Um até então desconhecido exército indígena tomou de assalto diversas cidades no estado mexicano de Chiapas. Não era um Golpe de Estado. Não era uma jornada de luta por políticas públicas. Não era a radicalização de uma disputa eleitoral.

Muito pelo contrário, era um Levante Popular que colocava em questão um sistema econômico assentado na exploração e na opressão de grandes massas da população, em favor dos lucros dos magnatas. O Levante colocava em questão um sistema político devotado a manter as relações de exploração e a arrancar das pessoas a capacidade de decisão sobre os rumos de suas próprias vidas. O Levante colocava em questão um sistema cultural que tenta reduzir as formas de expressão, de comunicação e de percepção, bem como todos os produtos culturais, à condição de mercadorias toscas, enlatadas, e descartáveis, esmagando tudo o que não consegue se apropriar.

Os zapatistas declararam autônomos seus territórios, e apesar de todos os ataques que sofrem cotidianamente, por parte do exército, da polícia e das milícias mexicanas, bem como da grande mídia e dos grandes grupos econômicos, as comunidades autônomas buscam constriur cotidianamente suas próprias formas de governo, de educação, de saúde, de transporte, de produção, de relação com a memória e com a história, de produção cultural e artística, de comunicação, e assim por diante. O desafio é nada menos o de construir novas relações sociais, e consolidar um incessante, profundo e criativo processo revolucionário.

Viva a Luta Zapatista! Todo Poder ao Povo!

 

Ameaça de Despejo do Recanto da Vitória

14 anos de Abandono; quase 5 meses de Moradia Popular

Em meio a uma onda de ocupações no extremo sul de São Paulo, no final de julho deste ano surgiu o Recanto da Vitória, no terreno conhecido como “Granja do japonês”, no Jardim Lucélia. De uma área de mais de 155 mil m2, apenas em uma área ínfima existiam edificações, inclusive um galinheiro onde a criação disputa comida com ratos e urubus. Todo o restante se encontrava abandonado há muitos anos, até que um conjunto de pessoas decidiu ocupar a área, em busca de uma moradia digna.
Foram meses de muitas dificuldades, mas também de muita luta. Em meio a essas lutas, conseguimos derrubar uma liminar de reintegração de posse, mas foi dada ao mesmo juiz a chance de julgar novamente o caso, e novamente ele emitiu uma ordem para despejar as famílias.
Diante disso, a ocupação Recanto da Vitória se encontra em risco, mas está longe de desistir ou se acovardar. A necessidade de moradia dos ocupantes não irá desmanchar no ar, nem será varrida para debaixo do tapete. Faremos novas lutas, e se necessário for, as famílias realizarão novas ocupações. Periferia luta! 

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Ocupação Jardim da União Resiste!

2 meses

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O Extremo Sul é nosso, não das empreiteiras!!!

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Terra de gente guerreira!

Vídeo sobre a história da Ocupação Jardim da União

Vários despejos e novas ocupações, até a vitória! Gente Guerreira não desiste nunca, insiste até mudar essa história.  Todo poder ao povo de luta da periferia! 

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Atividade de Formação

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Solidariedade à Ocupação Estaiadinha – ZN

Mais um despejo ontem, mais lutas pra amanhã…

A comunidade Estaiadinha que estava ocupando área próxima à ponte Estaiadinha, na Zona Norte, sofreu um despejo.  Essas famílias que mostraram garra e disposição nos últimos meses, e que fizeram protestos que pararam a cidade, lutaram e resistiram até o momento do despejo realizado de forma violenta ontem, dia 16 de novembro. Os barracos foram incendiados antes que as famílias pudessem retirar seus pertences, em mais uma ação covarde e truculenta do Estado contra a população que luta. A luta da moradia não será resolvida com repressão. Onde morre uma ocupação, nascerão muitas outras lutas.

As famílias que não tem para onde ir pedem ajuda. Para mais informações, veja aqui.

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Dia 12: Aniversário da Ocupação Jardim da União

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Vândalo é o Estado

Somos contra ou a favor dos Black Blocs?

Somos educados desde cedo a enxergar o mundo como algo chapado, achatado, como uma moeda. Tudo teria apenas dois lados: “bom ou ruim”, “bem e mal’, “a favor ou contra”. Longe de qualquer relativismo, em geral as coisas são bem mais complicadas que isso: elas possuem características diversas, e por vezes conflitantes; elas se situam em um dado contexto, elas emergem de algum lugar e num certo momento, elas mudam com o tempo e com as diferentes localidades, e assim por diante.

vandalo estadoCom a nova afirmação dos Black Bloc – que há anos tiveram um papel destacado nos movimentos antiglobalização -, e com a radicalização dos protestos de rua nas últimas semanas, surgiu uma nova onda de espanto e de respostas rápidas e fáceis: “são vândalos”, “são a vanguarda da revolução”; “fazem o jogo da direita”; “tem que quebrar tudo mesmo”.

A gente confessa que não conhece o modo como se organizam ou deixam de se organizar os Black Blocs. E sabemos que esse nome passou a rotular os mais diversos grupos, acabando com qualquer possibilidade de uma compreensão unitária. Podemos falar aqui apenas de questões táticas: com a multiplicação das manifestações de rua, e com a brutal repressão policial erumo a revolução1 midiática que se acirra desde junho em diversas cidades do país, surgiram táticas de enfrentamento, de autodefesa e de ataque às forças do Estado e aos símbolos do capital, como bancos e redes de TV. Táticas essas que se alimentam da revolta, sobretudo de jovens, contra as diversas formas de opressão e de exploração que movem o capitalismo.

Da nossa parte, na condição de um pequeno movimento popular autônomo, podemos simplesmente dizer que hoje essas táticas não nos servem. Tendo como objetivo o fortalecimento da classe trabalhadora contra esse sistema podre, que nos escraviza,post b1 nossos esforços se concentram na construção de experiências auto-organizativas duradouras, nos territórios onde agimos, e que passam pela luta direta, pela criação de laços de solidariedade de caráter classista, pelo combate ao clientelismo e ao populismo, pelo combate às hierarquias, ao individualismo, e assim por diante. Dessa perspectiva, o êxito e a radicalidade dessas tentativas se medem pela capacidade de multiplicar, desdobrar e aprofundar essas experiências.  Diferentemente do que acontece no centro da cidade, aqui o enfrentamento direto e imediato às forças policiais, por exemplo, nesse momento só nos enfraqueceria, pois as condições para isso não estão colocadas. Isso não quer dizer que num futuro próximo o conhecimento acumulado pelos Black Blocks e outros grupos não possa ser de grande importância em nossa caminhada.

Até mesmo porque o tempo está fechando, e se existem importantes potenciais na cultura de luta que tem se fortalecido nos últimos meses, também existe uma chance muito grande de tudo ir por água abaixo na base da porrada, da bala de borracha, das prisões, das perseguições, e do fortalecimento do terrorismo de Estado. Já são muitos os militantes presos, acusados de formação de quadrilha e coisa que o valha, somando-se aos milhares de outros presos políticos que lotam os presídios em preso politicotodo o país, já que o processo de encarceramento em massa, que só se acelera, além de um negócio lucrativo, é sim uma estratégia política deliberada de contenção da classe trabalhadora e de afirmação da propriedade privada. Desse modo, todo preso é um preso político.

De todo modo, e assim chegamos finalmente ao ponto: pensando as organizações populares como um todo, estamos em frangalhos, e sem um esforço tremendo em sentido contrário, corremos um sério risco de sermos esmagados. Esperamos que os Black Blocks, e que todos os que os apoiam, e todos os que são contrários a eles estejam encarando esse quadro com a seriedade necessária. Do contrário, estamos todos lascados…