Arquivos da Categoria: Todas as comunidades

O trem e a revolta da periferia!

Todo vagão tem um pouco de navio negreiro

cptm14marQuase todos os finais de semana, a CPTM funciona pior ainda do que nos dias de semana. As vezes, o desrespeito ultrapassa os limites e nem há avisos aos usuários. Mas volta e meia ficamos sabendo que temos que fazer parte do trajeto de ônibus ou que andaremos em velocidade reduzida por conta das tais obras de modernização… Pra que tanta modernização, se além de passarmos raiva e de chegarmos atrasados, nunca notamos qualquer melhoria? Se isso não bastasse, agora e trem e as obras de modernização ainda estão causando acidentes, como pequenos incêndios e choques nos vagões e nas vias! (veja aqui e aqui).

Não é a toa que na TV do trem fica mostrando a punição prevista na leilotado pra quem perde a cabeça e se revolta. Mas, se todo vagão tem um pouco de navio negreiro, e se ali sofremos juntos, nós, trabalhadores da periferia, há também de ser ali que a revolta irá se propagar pra mudar essa situação…     Tá na hora de perder a paciência!

Imagem

Formação no Primeiro de Maio

formacao cooperativa2menor

Imagem

Encontro de Formação – Cultura e Poder Popular

Forrmação Cultura

Mais uma Denúncia sobre Escola do Grajaú

Escola de Lata e o Medo de Desabamento

Agora a denúncia é sobre a escola estadual João da Silva (não confundir com a escola municipal João da Silva, em luta para derrubar um diretor autoritário), que se encontra em situação precária, como pode ser visto no vídeo-denúncia abaixo. É uma escola de lata que parece na iminência de cair. Vários engenheiros já atestaram a necessidade de reforma, mas quando se trata de tirar de uma situação de risco os funcionários e as 700 crianças que estudam lá, daí a burocracia estatal é uma barreira insuperável, mostrando que para ela a nossa vida não vale nada. 

É realmente revoltante que se leve tanto tempo para resolver um problema dessa gravidade, e é preciso que a comunidade escolar e o conjunto dos moradores da região se organize para exigir isso. Não podemos nos omitir!

 

Encontro de Formação – Violência do Estado, Luta da Periferia

E a Prosa Continua…

???????????????????????????????O encontro teve muita gente boa reunida, com disposição para repensar as formas de luta e se engajar em processos organizativos. Diferente da afetação, da pagação de simpatia ou do clima de “estamos vencendo”, esta tônica que tem dominado um setor da esquerda que vive da imagem e mais fala do que faz, começamos uma conversa com os pés no chão, partindo das dificuldades que estamos enfrentando em nossas organizações,num momento em que não conseguimos responder aos ataques que sofremos à altura, e que precisamos instaurar processos que sirvam para acumular forças.

Isso depende de nossos esforços práticos para criar experiências organizativas permanentes e de luta direta, mas também de diálogo aberto e verdadeiro, como o que tivemos neste sábado. Por hora, buscamos resistir à violência do encarceramento, do extermínio e dos despejos em massa, e de vários tipos de massacres que ocorrem ???????????????????????????????cotidianamente. E resistir isolado é sem dúvida mais difícil do que resistir junto com quem compartilha da disposição para lutar. Que a conversa continue e que nossas lutas sejam cada vez mais fortes e radicais. Todo poder ao povo! 

Manifesto de 3 Anos da Rede Extremo Sul

Manifesto de 3 Anos da Rede Extremo Sul

manifesto

manifesto2

Imagem

Convite do Encontro de Formação – é neste sábado, dia 16/03

encontro rede 2013 final menor

Imagem

Encontro: Violência do Estado/Luta da Periferia

encontro rede 2013 menor

Inauguração da Biblioteca Poder Popular

Agora sim! depois de muitos mutirões, estamos sem goteiras, nem infiltrações! Nosso espaço de cultura e resistência popular do Cantinho do Céu está pronto pra biblioteca, pras leituras, pros saraus, encontros, etc., etc. 

biblio feve

A Memória da Luta

3 anos de Rede Extremo Sul

Há 3 anos a Rede Extremo Sul começou a fazer um movimento nas comunidades do Grajaú. Depois de algumas lutas contra os despejos, de processos de organização do povo atingido pelas enchentes, e de uma análise da conjuntura que concluía pela necessidade de criar formas de lutas nas quebradas, sem depender de favor e nem de autorização de ninguém, foi iniciada uma troca entre algumas comunidades do extremo sul e foi feito um convite à união. Em algumas postagens, vamos retomar alguns momentos deste período inicial pra fomentar a reflexão sobre a luta da periferia. Um dos vídeos que marcou o começo deste processo foi o Periferia Luta.

1 Ano do Massacre do Pinheirinho

1 Ano do Massacre do Pinheirinho

220112_massacre-do-pinheirinhoHá um ano milhares de pessoas foram expulsas de uma área onde construíam suas vidas desde 2004. A violência empregada pela polícia foi terrível, e o Estado como um todo deu mais uma monstruosa prova de que é capaz de fazer qualquer coisa (incluindo infringir suas próprias “leis”) para defender o interesse dos endinheirados, contra a população pobre.

p9Esse ano deve ter sido muito longo para as famílias do Pinheirinho, e infelizmente ele ainda não acabou. Afinal, a elas não foi dada nenhuma alternativa habitacional e nenhuma reparação pelas perdas e pela violência das quais foram vítimas durante e depois do Massacre.

Assim, o sofrimento dessas pessoas permanece presente, e se prolonga no de milhões de outras pessoas: as exploradas, as ameaçadas por despejo, as vitimas da violência policial, as que morem nas filas do hospital, as que são discriminados, e tantas outras.

incra-ocupadoNo entanto, acumulam-se os massacres e se planejam tantos outros, como o que se anuncia no caso do Assentamento Milton Santos e de tantos outros assentamentos, acampamentos e ocupações Brasil afora.

Enquanto esse sofrimento, tão disseminado, não cimentar nossa união, e enquanto ele não for canalizado para o combate desse sistema que nos massacra, a cada ano teremos mais massacres para lembrar e lamentar. Que os lutadores e as lutadoras não demoremos a decidir e a dizer numa só voz: este foi o último! A dor desses massacrados é a nossa dor! 

Facetas do massacre

Massacre dos dois lados do muro

Diante dos massacres que têm sido cometidos contra o povo, algumas ações de resistência estão sendo desenhadas. A guerra em curso é cruel, e como em muitos momentos do capitalismo em que foi necessário esmagar o povo para dar continuidade à exploração e ao acúmulo de capital, uma de suas facetas é a expropriação e o extermínio da população pobre, seja do centro ou das periferias.

Ontem diversas organizações realizaram mais um ato contra o genocídio da população preta, pobre e periférica, o modo mais visível e absurdo por meio da qual o conflito de classe está se desenrolando atualmente.

Outra faceta deste massacre é o encarceramento em massa, que altera profundamente a vida nos territórios periféricos. Se hoje há, no Brasil, mais de 550 mil presos e presas, há também 550 mil famílias que tem suas vidas completamente marcadas pela humilhação, pelo preconceito e pela punição a que são também submetidas. Isso porque a superlotação dos presídios é funcional, e assim como ocorre com outros serviços “públicos”, o Estado amplia e sucateia o sistema prisional para oprimir uma parcela da sociedade, e para justificar a privatização e o lucro de alguns poucos. E os “de cima” sabem que destruir por dentro os vínculos entre os presos e presas e a comunidade é uma arma contra a  organização dos “de baixo”.

Em relação a esse quadro, em audiência realizada ontem pela Defensoria Pública foi analisada as condições dos presídios, e denunciado, por exemplo, que muitas penitenciárias de São Paulo não gastam nem 10 reais por ano com os materiais de primeira necessidade para cada preso/a!!! Ou seja, apesar de o Estado declarar gastos enormes com seus presídios, a situação é uma calamidade e apenas confirma o que vivemos nas quebradas: o fato de que muitas famílias são forçadas a gastar boa parte de sua renda com o familiar que está atrás das grades, pois do contrário ele não terá sabonete, pasta de dente, papel higiênico, cobertor, roupas etc.

Transcrevemos abaixo um texto lido ontem na audiência pelo Não Te Cales: Periferia contra o Encarceramento:

Nós, membros do Não te Cales, um grupo de familiares de presos e presas criado no interior da Rede de Comunidades do Extremo Sul, gostaríamos de reforçar as denúncias sobre as terríveis condições de encarceramento que predominam no Estado de São Paulo.

É função do Estado zelar pela integridade física e psicológica dos presos e presas, e garantir que o tempo de encarceramento sirva para a formação e para a ressocialização dos detentos, de modo que estes possam retomar suas vidas sob melhores condições, ao saírem do cárcere. No entanto, a realidade das prisões é bem diferente: as condições de salubridade são péssimas, assim como as condições de alimentação, de vestuário, de atendimento médico e odontológico etc. E esse quadro está se agravando rapidamente, em função do processo de encarceramento em massa em curso, referendado e conduzido por todas as esferas de governo, e envolvendo os poderes executivo, legislativo e judiciário.

Assim, enquanto se divulga que o Estado gasta rios de dinheiro com cada pessoa encarcerada, e se vende a ideia de que essas pessoas são privilegiadas, e que ao invés de punidas elas são recompensadas pelos crimes que cometeram, à custa do conjunto da sociedade, na verdade os presídios são espaços de tortura física e mental. Se o preso ou a presa não possui família para lhe fornecer roupas, itens de higiene pessoal e de limpeza, certos alimentos e outros produtos essenciais à sua sobrevivência, essa pessoa irá definhar no cárcere.

Diante dessa situação, um grande número de famílias de presos e presas são forçadas a comprometer boa parte de sua renda mensal fornecendo – pessoalmente ou via sedex – esses produtos de primeira necessidade aos seus parentes encarcerados. E nesse sentido a situação piorou com as restrições ao uso do selo social, que agora é condicionado à participação em certos programas governamentais de assistência social.

Esses enormes gastos, somados à toda a discriminação e a humilhação que sofremos, faz com que sejamos punidos duramente, junto com nosso parente preso.

Portanto, percebemos que o sistema prisional e o encarceramento em massa serve como fonte de lucros para alguns, e como fonte de votos para outros, já que é uma resposta fácil ao problema da segurança pública, e que conta com o apoio de uma grande parte da sociedade. No entanto, é uma resposta falsa, e só agrava o problema que deveria resolver. É por isso que se faz urgente uma mudança profunda no sistema penal e prisional, o que inclui acabar imediatamente com a barbaridade a que estão submetidos os presos, as presas, e suas famílias.

Dia da Consciência Negra

O massacre e a consciência negra

De tão terrível que está a situação, fica até difícil dizer algo sobre a opressão contra os negros e negras.

A dificuldade não existe pelo fato das coisas serem muito complicadas, muito sofisticadas, nem nada disso. Ao contrário, a coisa é bem tosca e evidente. Por exemplo, não é novidade para ninguém que as principais vítimas do massacre promovido pelo Estado, que é regra, mas que se intensificou bastante nos últimos meses, são os jovens negros. E ninguém ignora  que as mulheres negras sofrem não apenas em função do caráter racista desse mundo em que vivemos, mas também pelo caráter machista e patriarcal da sociedade brasileira, e das sociedades capitalistas em geral. Qualquer pessoa que não seja pilantra consegue identificar essas opressões em diversos aspectos da vida: escolarização, violência doméstica, violência policial, renda familiar, expectativa de vida, mortalidade infantil, acesso à saneamento básico etc., etc. e etc.

Desse modo, é difícil falar sobre o que temos vivido justamente porque as palavras não conseguem expressar os horrores que esse mundo não pára de produzir, e que recaem principalmente sobre certas parcelas da população, sobretudo a parcela pobre, negra e moradora das periferias. Esses horrores se reproduzem ao longo do tempo, assumem novos contornos, novas características, às vezes até se disfarçam, mas nunca mudam o que realmente são, o que se revela em toda sua crueza na matança que ocorre nas periferias de São Paulo, matança que a mídia contabiliza fajutamente todos os dias, como se tratasse apenas de números.

E é ainda mais difícil falar sobre tudo isso num momento em que pouco conseguimos fazer diante de nossa condição de escravos das coisas e do dinheiro, em que somos incapazes de assumir o controle sobre nossas próprias vidas, e que somos impotentes diante da violência dos despejos, da violência policial, da violência do sistema prisional, e de tantas outras formas de violência que se abatem sobre nós.

Assim, se não quisermos cair em papo furado, falar em consciência negra só pode significar falar em união, organização e luta, não para dourar nosso grilhões, e amenizar a nossa escravidão, mas sim para mudar as condições que tornam possível existir grilhões e escravidão. Consciência negra é assim consciência de classe, e consciência de classe se define pela ação revolucionária. Todo poder ao povo!

Imagem

Hip Hop e resistência negra! Somos preto sim!

Cooperativa Popular

Cooperativa Popular– Editora e Produção Audiovisual

Demos início às atividades produtivas de nossa “Cooperativa Popular – Editora e Produção Audiovisual”! Um lugar onde nos organizamos por nós mesmos, sem patrão, e realizamos um conjunto amplo de serviços a preços baixos:

Por que criamos a Cooperativa Popular?

Em primeiro lugar, para não ficarmos debaixo do braço de ninguém e principalmente de nossos inimigos. Ou seja, para não criarmos rabo-preso com politiqueiros, com empresários, com ONGS, e nem ficarmos dependente de migalhas do Estado, que cotidianamente e por diferentes meios massacra, explora e divide a nossa classe.

Além disso, não queremos que nossas relações com outras organizações seja marcada por relações monetárias. As articulações devem ser feitas com base na partilha de princípios, horizontes políticos, no interior de processos de luta. E ficar passando o chapéu atrapalha isso.

Outro motivo importante é que somos contra a profissionalização da militância, que gera no interior do movimento desconfiança, disputas de poder, acomodação, hierarquias, e também a dependência e a perda da autonomia de decisão e de ação. Mas todos precisamos sobreviver, e do jeito que somos explorados, que ganhamos pouco e que sofremos nos trens e ônibus lotados, sobra muito pouco tempo e energia para a gente se organizar e construir as lutas. Por isso, é muito importante para nós a) criarmos condições de trabalho próximo de onde vivemos e agimos como movimento; e b) realizarmos um trabalho onde todos ganham igual e que nosso suor não serve para encher de dinheiro o bolso de uns patrões parasitas.

Por último, mesmo sabendo que por elas mesmas as pequenas experiências de organização – e de organização da produção – não mudam nada, sendo feitas sob condições capitalistas e de modo muito precário, acreditamos que a transformação radical da sociedade passa pela multiplicação dessas experiências coletivas, em que ninguém manda em ninguém, e em que tentamos adquirir algum controle e alguma capacidade de decisão sobre os rumos de nossas vidas. Certos ou errados, é assim que buscamos construir o nosso movimento, e é nesse sentido que a Cooperativa Popular se insere em nossa caminhada.

Caso tenham interesse em algum serviço nosso, peçam um orçamento pelo e-mail: producaoeluta@gmail.com.