Promotor de justiça recomenda assassinato

A pena de morte no Brasil

“Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno. Fica aqui o conselho para Marcos Antônio: melhore sua mira…”.

A frase não é de um apresentador de programa sensacionalista. Não, é de outro tipo de parasita que se alimenta da desgraça generalizada: trata-se de um “promotor de justiça” (que ironia mais tosca), o ilustríssimo Rogério Leão Zagallo, do 5° Tribunal do Júri de São Paulo. E ele não disse isso numa conversa de bar, mas escreveu num processo em que pediu o arquivamento de uma investigação que poderia levar um policial a responder por homicídio, em função do assassinato de um homem que teria tentado roubar seu carro (veja aqui).

Com isso o promotor escancara aquilo que todos nós sabemos: que a pena de morte no Brasil só não existe na Constituição, mas que na prática é generalizada, promovida e legitimada pelo Estado, com o judiciário à frente (e/ou na retaguarda).

Enquanto isso, se multiplicam os “autos-de-resistência seguida de morte”, os desaparecimentos, as milícias, os grupos de extermínio, as chacinas, as torturas, levadas a cabo por grupos policiais ou pára-policiais. Num sistema que nos reduz a coisas descartáveis, e em que aulas de tiro e violência são ministradas pela TV a qualquer hora do dia e da noite, esse tipo de barbaridade virou rotina.

O promotor Zagallo, assim como os tantos assassinos de farda ou de terno-e-gravata saúdam essa situação, e só contribuem para agravá-la.

São os milhões e milhões de vítimas diretas dessa violência generalizada – via de regra pobres e, principalmente, negros – que podem arrancá-la das garras da normalidade, e reverter esse quadro.

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